quarta-feira, 13 de julho de 2011

Relatório do Ministério da Defesa revela deficiência nas capacidades materiais das Forças Armadas

Segundo noticiado pelo jornal Folha de S. Paulo, um levantamento mensal do Ministério da Defesa revelou dados detalhados sobre o sucateamento dos principais equipamentos das Forças Armadas do Brasil, considerando blindados, aviões e navios, além de uma irregular distribuição dos mesmos. A obsolescência está presente nas três esferas: na Marinha, dos 318 equipamentos existentes, 132 não podem ser utilizados; no Exército, de um total de 1.953 blindados, metade está inutilizável; na Aeronáutica, são 789 máquinas, mas 357 são obsoletas. De acordo com o jornal, a distribuição dos equipamentos remete a um passado de tensão com a vizinha Argentina: 25% de concentração na parte Sul do país, contrariando a nova estratégia de proteção da Amazônia (região que concentra apenas 13%). Os poucos equipamentos restantes concentram-se no Rio de Janeiro, antigo centro do poder nacional, mas logisticamente menos importante. Em editorial do dia 16/03/11, o jornal Folha de S. Paulo evidenciou que a divisão do efetivo e dos recursos destinados às Forças Armadas obedece a uma lógica que não é adequada aos desafios estratégicos do século XXI, comprometendo a capacidade de reação militar brasileira a ameaças externas. Apesar de o Brasil não enfrentar ameaça direta imediata, há outras preocupações na área da defesa, como, por exemplo, a garantia da segurança na região amazônica que atualmente só abriga 13% da força do Exército e 15% do efetivo da Aeronáutica. Além disso, há uma crescente influência do Brasil no cenário internacional aliada à descoberta de volumosas reservas de petróleo do présal, o que exige uma defesa eficiente. O editorial ainda informou que alguns projetos de modernização previstos na Estratégia Nacional de Defesa foram iniciados nos últimos anos: a Marinha tem planos de renovar sua frota de submarinos que passaria a contar com um de propulsão atômica; a Aeronáutica deve adquirir novos caças e o Exército finalizou o projeto Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron), voltado a proteger os limites terrestres do país. No entanto, a contenção de despesas ordenada pela presidente Dilma Rousseff impôs um congelamento de tais planos. O editorial destacou ainda que o confronto entre os problemas sociais do país e a ausência de ameaça externa torna difícil justificar gastos militares bilionários. (Folha de S. Paulo – Poder – 13/03/11; Folha de S. Paulo – Opinião – 16/03/11)

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