Segundo noticiado pelo jornal Folha de S. Paulo, um levantamento mensal do Ministério da Defesa revelou dados detalhados sobre o sucateamento dos principais equipamentos das Forças Armadas do Brasil, considerando blindados, aviões e navios, além de uma irregular distribuição dos mesmos. A obsolescência está presente nas três esferas: na Marinha, dos 318 equipamentos existentes, 132 não podem ser utilizados; no Exército, de um total de 1.953 blindados, metade está inutilizável; na Aeronáutica, são 789 máquinas, mas 357 são obsoletas. De acordo com o jornal, a distribuição dos equipamentos remete a um passado de tensão com a vizinha Argentina: 25% de concentração na parte Sul do país, contrariando a nova estratégia de proteção da Amazônia (região que concentra apenas 13%). Os poucos equipamentos restantes concentram-se no Rio de Janeiro, antigo centro do poder nacional, mas logisticamente menos importante. Em editorial do dia 16/03/11, o jornal Folha de S. Paulo evidenciou que a divisão do efetivo e dos recursos destinados às Forças Armadas obedece a uma lógica que não é adequada aos desafios estratégicos do século XXI, comprometendo a capacidade de reação militar brasileira a ameaças externas. Apesar de o Brasil não enfrentar ameaça direta imediata, há outras preocupações na área da defesa, como, por exemplo, a garantia da segurança na região amazônica que atualmente só abriga 13% da força do Exército e 15% do efetivo da Aeronáutica. Além disso, há uma crescente influência do Brasil no cenário internacional aliada à descoberta de volumosas reservas de petróleo do présal, o que exige uma defesa eficiente. O editorial ainda informou que alguns projetos de modernização previstos na Estratégia Nacional de Defesa foram iniciados nos últimos anos: a Marinha tem planos de renovar sua frota de submarinos que passaria a contar com um de propulsão atômica; a Aeronáutica deve adquirir novos caças e o Exército finalizou o projeto Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron), voltado a proteger os limites terrestres do país. No entanto, a contenção de despesas ordenada pela presidente Dilma Rousseff impôs um congelamento de tais planos. O editorial destacou ainda que o confronto entre os problemas sociais do país e a ausência de ameaça externa torna difícil justificar gastos militares bilionários. (Folha de S. Paulo – Poder – 13/03/11; Folha de S. Paulo – Opinião – 16/03/11)
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