Em artigo publicado no jornal Folha de S.
Paulo, o jornalista Reinaldo Azevedo criticou os movimentos de esquerda da
época do regime militar (1964-1985), caracterizando como “homicidas” os
integrantes da Ação Libertadora Nacional (ALN) e do Vanguarda Armada
Revolucionária (VAR-Palmares). Alcunhou de “vigaristas” e “oportunistas” os
historiadores que, segundo o jornalista, usam a história de modo revanchista,
além de usar expressões como “delírios do Araguaia”. Segundo Azevedo, os
militares foram os únicos a defender a democracia em 1964. Em sua visão,
“Getúlio virou um divisor de águas ideológicas na história inventada pelos
comunistas, oportunistas e palermas e é o pai intelectual de João Goulart, o
golpista incompetente deposto em 1964”. (Folha de S. Paulo – Poder – 28/03/14)
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segunda-feira, 31 de março de 2014
quarta-feira, 26 de junho de 2013
Jornal relata episódio envolvendo militante da VAR-Palmares durante o regime militar
De acordo com o
jornal O Estado de S. Paulo, o
ex-militante do grupo de esquerda Vanguarda Armada Revolucionária Palmares
(VAR-palmares) e ex-marido da presidenta da República Dilma Rousseff, Carlos
Franklin Paixão de Araújo, foi preso no dia 11/08/1970 nas dependências do
Departamento de Ordem Política e Social (Dops) de São Paulo. Submetido a
torturas, Araújo buscou uma forma de não fornecer informações de companheiros
de militância. Segundo O Estado, no
dia 12/08/70, Araújo mentiu para os agentes que coordenavam o Dops que teria um
encontro marcado com Carlos Lamarca, um dos militantes mais procurados pelo
regime militar (1964-1985), na rua Clélia, localizada no bairro da Lapa na
cidade de São Paulo. Ao chegar ao local, o ex-militante chocou-se,
intencionalmente, com um veículo em movimento, visando sofrer ferimentos, que
poderiam, ao invés de provocar sua morte, levá-lo ao hospital. Dessa forma,
Araújo pode se livrar, por um período, das sessões de tortura. Após o acidente,
os agentes que o acompanhavam pediram que ninguém descesse do carro e
apreenderam seus documentos; um dos agentes sugeriu ao motorista que matasse
Araújo naquele momento, sugerindo que passasse por cima do corpo do
ex-militante, ação não praticada pelo motorista. Após um tempo internado,
Araújo não mais representava um grande interesse ao regime militar, apesar de
ainda ficar preso por 4 anos. De acordo com O
Estado, até recentemente, Araújo não
tinha conhecimento de que o motorista era Darcy da Rocha Camargo e que ele
havia se recusado a matá-lo. No dia 12/06/13 os dois se falaram por telefone,
entrando em contato pela primeira vez após o ocorrido. (O Estado de S. Paulo –
Brasil – 15/06/13)
quinta-feira, 6 de junho de 2013
Sob diferentes perspectivas, artistas revelam tortura durante o regime militar
Em depoimento ao jornal Folha de S. Paulo, a
atriz Bete Mendes contou que aos 18 anos, revoltada com o regime militar
(1964-1985), decidiu entrar para a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares
(VAR-Palmares), quando então foi presa duas vezes e torturada fisicamente na
segunda, em 1970. Em 1985, na condição
de deputada federal, Mendes encontrou o então coronel Carlos Alberto Brilhante
Ustra em viagem ao Uruguai e o denunciou ao presidente da República em
exercício, José Sarney. A atriz afirmou não temer retrocessos, mas chamou
atenção para a existência de movimentos contra a democracia e criticou Ustra
por participar de movimentos nazistas. Segundo ela, “é preciso ser cauteloso em
relação a movimentos que podem ser prejudiciais ao avanço democrático. Mas impedir
jamais, porque a gente legitima a manifestação de todos, de opiniões diversas”.
De acordo com os periódicos Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo, o cantor
Amado Batista, em entrevista a um programa da emissora televisiva Sistema
Brasileiro de Televisão (SBT), afirmou ter sido torturado durante o regime
militar. Segundo a Folha, Batista considerou que a repressão, naquele contexto,
foi necessária para evitar a implantação de um regime socialista, mencionou ter
sido procurado pela Comissão Nacional da Verdade e afirmou que recebe uma
indenização do governo federal. Para O Estado, o cantor destacou que foi
torturado porque trabalhava em uma livraria e permitia que livros proibidos
fossem lidos. Além disso, afirmou que não acionará a Comissão para buscar seu
torturador, pois em suas palavras "fiz coisas erradas, eles me corrigiram,
assim como uma mãe que corrige um filho. Acho que eu estava errado por estar
contra o governo e ter acobertado pessoas que queriam tomar o país à força. Fui
torturado, mas mereci." (Folha de S. Paulo – Poder – 26/05/13; Folha de S.
Paulo – Poder – 28/05/13; O Estado de S. Paulo – Política – 28/05/13)
Ex-opositores do regime militar são indenizados pelo governo
De acordo com o jornal Correio Braziliense, dois
militantes que lutaram contra o regime militar (1964-1985), foram presos e
torturados, receberam no dia 24/05/13 o pedido público de perdão por parte do
Estado brasileiro e uma indenização no valor de R$ 223.740,00 cada um,
concedida pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. Wellington Moreira
Diniz militou no Comando de Libertação Nacional (Colina), Vanguarda Armada
Revolucionária Palmares (VAR-Palmares) e Vanguarda Popular Revolucionária
(VPR), e foi acusado de ser responsável por 12 mortes pelo extinto Serviço
Nacional de Informações (SNI). Cecílio Emigdio Saturnino, já falecido, foi cabo
da Polícia Militar do estado de Minas Gerais durante o regime militar e
colaborador dos grupos de esquerda como infiltrado no quartel, além de
militante da Aliança Nacional Libertadora (ANL). Durante a cerimônia, Saturnino
foi promovido a primeiro sargento. A Comissão Nacional da Verdade enviou um
ofício à Polícia Militar para retirada de qualquer menção negativa de seu nome
dentro da corporação. Caso a família de Saturnino prove relação de dependência,
poderá receber um auxílio mensal por parte do governo. Ainda segundo o Correio,
o prédio onde se localizava o Departamento de Segurança Pessoal e de Ordem
Política e Social (Dops) de Belo Horizonte, estado de Minas Gerais, poderá ser
tombado e transformado em memorial, dedicado às vítimas do regime militar. A
causa, levantada pela Associação de Amigos do Memorial da Anistia (AAMA), tem
apoio do Ministério Público Federal, mas precisa ser aprovada pela Assembleia
Legislativa de Minas e pelo Conselho Estadual do Patrimônio Público. (Correio
Braziliense – 25/05/13)
Guerrilheiro conta detalhes de sua luta durante o regime militar
De acordo com o jornal Correio Braziliense, o
guerrilheiro Wellington Moreira Diniz revelou pela primeira vez, em depoimento
ao Correio e ao periódico Estado de Minas, detalhes de sua biografia. Diniz,
que lutou contra o regime militar no Brasil (1964-1985), foi acusado de 38
assaltos e 12 assassinatos e foi julgado no dia 24/05/13 pela Comissão de
Anistia do Ministério da Justiça. Diniz, que diz ter começado a militância
política na escola técnica industrial, integrou a Ação Popular (AP) e foi preso
em 1968. Após deixar a prisão, ingressou no Comando de Libertação Nacional
(Colina), que se fundiu com a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e formou a
Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares). De acordo com Diniz,
sua maior e mais notória ação foi o roubo de US$ 2,598 milhões do cofre da
amante do político Adhemar de Barros, estando entre os líderes dos 11
militantes da VAR-Palmares que participaram da ação. Após o assalto houve um encontro
da VAR-Palmares em Teresópolis, estado do Rio de Janeiro, reunindo um grupo
liderado pelo ex-capitão do Exército, Carlos Lamarca, que priorizava ações
armadas, e outro grupo, do qual Dilma Rousseff fazia parte, que defendia a
conscientização de trabalhadores. Diniz, que era segurança de Lamarca, foi
preso no Rio de Janeiro e torturado. Sua libertação foi negociada em troca do
embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher, sequestrado pelo grupo de Lamarca.
Após ser solto, fugiu para o Chile onde foi segurança do então presidente
cubano, Fidel Castro, em visita ao país governado por Salvador Allende. Viveu
no Chile até o general Augusto Pinochet tomar o poder. Tendo o nome incluído na
lista de procurados, Diniz fugiu para a Itália. (Correio Braziliense – 19/05/13)
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
Arquivo Nacional possui fotos de presos políticos da época do regime militar
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| Arquivo libera foto que revela lesões a bala em Lamarca. Folha de S. Paulo, São Paulo, 18 jul. 2012. |
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| Arquivo libera foto que revela lesões a bala em Lamarca. Folha de S. Paulo, São Paulo, 18 jul. 2012. |
De acordo com o
jornal Folha de S. Paulo, fotos
provenientes do Arquivo Nacional, abertas à consulta pública recentemente, retratam
importantes líderes da esquerda presos durante o regime militar (1964-1985),
acusados de subversão e ligações com a luta armada. Algumas delas são inéditas,
como aquelas que retratam o atual secretário do Meio Ambiente do estado do Rio
de Janeiro, Carlos Minc, que participou do roubo do cofre do ex-governador do
estado de São Paulo, Adhemar de Barros, em 1969, organizado pela Vanguarda
Armada Revolucionária - Palmares (VAR-Palmares). O ex-deputado Fernando
Gabeira, que participou do sequestro do embaixador americano Charles Elbrick,
em 1969, também aparece em algumas fotos, assim como o militante de esquerda
que era membro da Aliança Libertadora Nacional, Apolônio de Carvalho, e o
ex-deputado José Dirceu, que foi preso no 30º Congresso da União Nacional dos
Estudantes na cidade de Ibiúna, no estado de São Paulo, em 1968. No dia
18/07/12, a Folha ainda destacou a
existência de fotos sob tutela do Arquivo Nacional que mostram militantes
feridos durante o regime militar, possivelmente tiradas no Instituto Médico
Legal de Salvador. Uma delas é a de Carlos Lamarca, que comprova os ferimentos
a bala que o levaram a morte no ano de 1971. Outra foto destacada pela Folha é a do corpo de José Campos
Barreto, militante do Movimento Revolucionário Oito de Outubro (MR-8). Ambos
foram mortos pela Operação Pajussara, do Exército. A ativista de direitos humanos Suzana Lisboa
afirmou não possuir “nenhuma dúvida sobre a execução deles”. O jornal ainda
destacou a foto do engenheiro Raul Amaro Nin Ferreira, morto no ano de 1971,
após ter sido torturado no Departamento
de Ordem Política e Social (Dops).
A Folha evidenciou que Ferreira estava saudável quando preso pelo Dops,
onze dias antes de sua morte, porém a causa desta, segundo relatório oficial,
foi uma doença hepática. No livro “Os Anos de Chumbo”, o general do I
Exército, Adyr Fiúza de Castro, reconheceu que Ferreira teria morrido por
consequência de torturas. O periódico Correio Braziliense noticiou que também foram abertos à consulta documentos
que tratavam do monitoramento a jornalistas estrangeiros no Brasil, os quais descreviam
as atividades desses profissionais, suas relações com o governo e os
classificavam às vezes como “indesejáveis” ou de alguma forma nocivos ao
regime. Correspondentes internacionais, como Claude Vanhecke, que trabalhava na
época para o Le Monde, e Marvine Enrietta Howe, então correspondente do The New
York Times, embora soubessem que não agradavam aos militares, se mostraram
surpresos ao saber que existiam dossiês a seu respeito no Arquivo Nacional.
Vanhecke chegou a relatar que já tinha conhecimento da espionagem a sua rotina,
mas que não entendia o porquê do teor dos relatórios a seu respeito; Howe afirmou
não saber por que foi monitorada. Os jornalistas ainda descreveram outros
empecilhos a suas atividades, como a necessidade de ir para países vizinhos
para fazer o envio de reportagens e driblar a censura. (Correio Braziliense –
16/07/12; Folha de S. Paulo – Poder – 14/07/12; Folha de S. Paulo – Poder – 18/07/12)
terça-feira, 24 de julho de 2012
Os documentos do regime militar VI: Arquivo Nacional disponibiliza 5.000 fotografias
Segundo o jornal Folha de S. Paulo, o Arquivo Nacional disponibilizou para consulta cerca de 5.000 fotografias do acervo do extinto Serviço Nacional de Informações (SNI), produzidas por agentes do regime militar (1964-1985). Dentre as fotografias, estão retratos de: eventos religiosos conduzidos pelo bispo dom Helder Câmara, artistas panfletando a favor da Lei de Anistia, em 1979; pessoas presas acusadas de subversão e ligadas à luta armada; arsenal de armas do grupo Vanguarda Armada Revolucionária – Palmares (VAR-Palmares), apreendido em 14/01/1970 pela Operação Bandeirantes (Oban); e do corpo do jornalista Vladimir Herzog (1937-1975), morto sob tortura no Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi). A grande maioria destas fotografias nunca foi divulgada. (Folha de S. Paulo – Poder – 06/07/12)
Os documentos do regime militar IV: presidenta Dilma Rousseff era tesoureira da VAR-Palmares
Em notícia, o Correio Braziliense apontou que documentos liberados pelo Serviço Nacional de Informação revelam informações recolhidas pelos agentes da repressão do regime militar (1964-1985) que tratavam da presidenta da República, Dilma Rousseff, nos relatórios, relativos ao “estouro de aparelhos”, apontando que foi encontrado entre eles um organograma da Vanguarda Armada Revolucionária - Palmares (VAR-Palmares). Estes documentos estariam reunidos em arquivo intitulado “Recentes Diligências da Operação Bandeirante” e informam que os militares monitoraram as ações de Rousseff na organização e, segundo depoimento de integrantes presos e um trecho que se afirma ser depoimento da própria presidenta, que ela seria responsável por repassar recursos para os setores de imprensa, operações, estudantil e operário da VAR - Palmares. Rousseff seria também responsável por receber verbas do grupo que tratava da “expropriação” (furtos), formando um fundo para a revolução popular. A presidenta era então considerada um elemento chave na organização e, a partir de seu monitoramento, os militares planejavam chegar ao comando nacional da VAR - Palmares. Os relatos ainda apresentam informações de outras seções, relatando passagens de Rousseff por Pernambuco, Goiás e Distrito Federal, apesar da maioria dos registros pertencerem a locais onde já se sabia que a presidenta atuara em atividades relacionadas a organizações de oposição ao regime. Além de ser apontada como tesoureira da organização, há relatos do envio de Rousseff, então usando a identidade falsa de Maria Lúcia Santos, a São Paulo, em dezembro de 1969, para coordenar a reestruturação da organização no estado, figurando também em outras reuniões da organização. O ex-marido da presidenta, Carlos Franklin Paixão de Araújo, também figurava entre os líderes da organização; em seus registros constam o arranjo de compras de armas, o sequestro do dono da rede de supermercados Pão de Açúcar e de que ele teria informado aos seus interrogadores que a organização pretendia construir um sistema de rádio que visaria interferir nas transmissões de programas de grande audiência, com a leitura de “manifestos políticos que informassem a sociedade sobre os crimes praticados pelo governo militar” (Correio Braziliense – Política - 02/07/12)
quinta-feira, 12 de julho de 2012
Identidade falsa de Dilma Rousseff poderia ter sido encontrada
De acordo com o periódico Correio Braziliense, um relatório da agência do Serviço Nacional de Informação (SNI) na cidade de Salvador, menciona que uma identidade falsa utilizada pela presidente da República, Dilma Rousseff, durante o período do regime militar (1964-1985), na década de 1970, teria sido encontrada em posse da psicóloga e companheira do ex-capitão Carlos Lamarca, Lara Lavelberg, quando esta foi morta durante a execução da Operação Pajussara, em Salvador, juntamente com outros documentos, como um título eleitoral em branco e retratos da psicóloga com diferentes aparências. A identidade encontrada com Lavelberg continha o nome Maria Lúcia dos Santos. Ao pedirem informações sobre este nome para a Agência Rio de Janeiro (ARJ), órgão do SNI, os policiais foram informados que este era um registro de Rousseff. O jornal informou que documentos do SNI evidenciam que Rousseff teria feito uso de outras identidades falsas, com o nome de Marina Guimarães Garcia de Castro, além de Estela, Wanda e Luiza. O relatório afirma que, para obter a localização de Lamarca, houve um monitoramento de membros do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8) e que 40 homens estavam engajados em encontrar o ex-capitão, que foi morto logo após Lavelberg. O irmão de Lavelberg e jornalista, Samuel Lavelberg, confirmou a amizade entre sua irmã e Rousseff, porém considerou “improvável que ela [Lara Lavelberg] na época carregasse algum documento que a ligasse a outra organização”, já que teria abandonado o grupo que Rousseff estava atuando, a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), e militava em outra organização. Samuel Lavelberg destacou que “era contra norma de segurança andar com carteira de identidade de outro grupo”. O ex-secretário de Direitos Humanos, Nilmário Miranda, considera os relatos do relatório do SNI falsos, já que “quando isso aconteceu [morte de Lara Lavelberg] Dilma estava presa fazia um ano”. O documento do SNI informa que Lara Lavelberg teria cometido suicídio, porém após a família da psicóloga contestar esta versão e ter obtido, em 2003, permissão para o corpo de Lavelberg ser exumado para perícia, foi comprovado que esta fora assassinada em Salvador. O jornal ainda destacou que houve contradição nos relatos dos policiais sobre a morte da psicóloga, pois afirmaram que esta teria se rendido e sido transportada para o hospital em um carro particular, o que mostra que não teria recebido socorro médico. (Correio Braziliense – 27/06/12)
Depoimentos sobre casos e tortura e Comissão da Verdade I: Tenente Coronel faz declarações sobre funcionamento de centro de tortura
Segundo notícia publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, o tenente-coronel reformado Paulo Malhães relatou em entrevista para o jornal O Globo, a rotina de uma casa de detenção e tortura localizada na cidade de Petrópolis, no estado do Rio de Janeiro, conhecida como a “Casa da Morte”, que era mantida pelo Centro de Informações do Exército. Acredita-se que 22 opositores do regime militar (1964-1985) tenham sido assassinados no local. Malhães, que disse ter sido responsável pela instalação da casa, afirmou, sem falar em tortura, que os presos eram “pressionados a mudar de lado” e ainda, quanto à metodologia empregada, que, para persuadi-los, os militares passavam “sustos, e o susto era sempre a morte. A casa era para isso”. De todos os presos que foram encaminhados para a “Casa da Morte” somente uma saira de lá com vida, Inês Ettiene Romeu, ex-militante da Vanguarda Armada Revolucionária – Palmares (VAR - Palmares). De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, Malhães contou também que mantinham cinco filhotes de jacaré e uma jiboia, capturadas no Araguaia, que eram utilizados para torturar presos políticos do Pelotão de Investigação Criminais do 1º Exército. Para a vice-presidente do grupo Tortura Nunca Mais, Vitória Grabois, esses fatos revelariam que as denúncias “provam que o Brasil cometeu crimes contra a humanidade”. Segundo ela, a Comissão da Verdade deveria auxiliar no avanço da Justiça. Para a diretora do Centro pela Justiça e Direito Internacional Beatriz Affonso, a não reação das autoridades se faz grave. (Folha de S. Paulo – Poder – 25/06/12; O Estado de S. Paulo – Nacional – 26/06/12)
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Superior Tribunal Militar, nove meses depois, publica acórdão sobre acesso ao processo militar de Dilma Rousseff
Segundo o jornal Folha de S. Paulo, o Superior Tribunal Militar (STM) publicou no dia 17/08/11 o acórdão que concedeu acesso do jornal citado ao processo que levou à prisão da presidente República, Dilma Rousseff, durante o regime militar (1964-1985). A decisão foi publicada nove meses depois da sessão que discutiu ação que impossibilitava o acesso ao referido processo sob alegação de que o mesmo poderia ser utilizado politicamente durante o processo eleitoral que conduziu Dilma à presidência. O processo revelava sua atuação junto a Vanguarda Armada Revolucionária – Palmares (VAR-Palmares), durante o regime militar. (Folha de S. Paulo – Poder - 19/08/11)
sábado, 16 de julho de 2011
Coronel Ustra rebate artigo de Persio Arida publicado na revista “Piauí”
Em coluna opinativa ao jornal Folha de S. Paulo, o coronel reformado do Exército, Carlos Alberto Brilhante Ustra, rebateu o artigo publicado na revista “Piauí” de abril, com o título “Rakudianai”, em que Persio Arida relata sua passagem pelo Destacamento de Operações de Informações de São Paulo (DOI-SP) por ter participado da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares). De acordo com Ustra, Arida foi preso em 24/07/1970, cinco dias antes dele assumir o comando do DOI-SP. Ustra afirma que Arida ficou preso somente 42 dias e que a maioria dos fatos relatados no artigo da revista “Piauí” não ocorreu. O coronel reformado comentou que Arida foi honesto em afirmar que não sofreu tortura enquanto estava detido no DOI-SP, porém omitiu que Ustra depôs a seu favor junto a Justiça Militar. Outro fato que o coronel afirma ser improcedente é a transferência de Arida para o Rio de Janeiro, conforme dados do processo 2889, arquivado no Superior Tribunal Militar. (Folha de S. Paulo – Opinião – 27/05/11)
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