Segundo
o periódico Folha de S. Paulo, o jornalista Paulo Markun publicou o livro
“Brado Retumbante”, resultado de um projeto lançado há três anos que reuniu
memórias de personagens que viveram durante o regime militar (1964-1985) em um
site homônimo ao livro. De acordo com a Folha, apesar de não contribuírem com
uma nova perspectiva sobre o período, os depoimentos “emprestam frescor à
narrativa”. O periódico afirmou que a maior qualidade da obra foi uma “reunião
criteriosa da melhor produção” sobre o regime militar até o momento, com
diversas reportagens, teses acadêmicas e biografias. Entretanto, o jornal
criticou certos pontos do livro pelo excesso de detalhes com que apresenta
determinados fatos: temas como a luta armada e a campanha pelas eleições
diretas são apresentados em suas minúcias, o que parece excedente “num livro que
pretende captar o todo”. Outro ponto negativo apresentado pelo periódico foi o
fato de o livro ter privilegiado a apresentação factual dos dados em detrimento
da análise, pois apesar da justaposição de fatos indicar uma visão dos
acontecimentos, “ela não chega a substituir a interpretação”. Entretanto, a
Folha afirmou que tais questões não diminuem a importância da obra. Segundo o
jornal, em um dos depoimentos mais reveladores referentes à campanha pelas
eleições diretas, o então deputado federal e militante do Partido Comunista
Brasileiro (PCB), Alberto Goldman, negou a importância do movimento ao afirmar
que as eleições diretas seriam realizadas de qualquer forma. A Folha relatou
que Markun, preso em 1975 junto com Vladmir Herzog – que é tema do capítulo “Meu
Querido Vlado” – apresentou de maneira discreta sua própria participação na
oposição ao regime militar. Segundo o jornal, o fato de o jornalista conhecer
internamente o PCB garante boas páginas sobre o assunto. De acordo com autor, o
partido perdeu influência sobre a juventude de esquerda da época na medida em
que essa passou a preferir a luta armada, ao mesmo tempo em que assumiu uma
atitude conciliadora, acreditando numa solução negociada para por fim ao regime
militar, o que afastou o partido das campanhas pelas eleições diretas. (Folha
de S. Paulo – Ilustrada – 01/11/14)
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terça-feira, 11 de novembro de 2014
terça-feira, 22 de julho de 2014
Historiadora homenageará Vladimir Herzog com obra sobre sua vida
De
acordo com o jornal Folha de S. Paulo, a historiadora Marcia Camargos
homenageará o jornalista Vladimir Herzog em razão dos 40 anos de sua morte,
ocorrida em 25/09/1975, com a publicação do livro “Um Menino Chamado Vlado”. A
obra se utilizará de ficção e realidade para recontar a infância, juventude e
atuação política de Herzog durante o regime militar (1964-1985). (Folha de S.
Paulo – Ilustrada – 12/07/14)
terça-feira, 13 de maio de 2014
Rodolfo Konder, o primeiro jornalista a denunciar morte de Vladmir Herzog, morreu no dia 01/05/14
Segundo o periódico
Folha de S. Paulo, o jornalista Rodolfo Konder, falecido no dia 01/05/14, foi o
primeiro a denunciar o assassinato do jornalista Vladimir Herzog em 1975,
contrariando a versão oficial de suicídio defendida pelo regime militar
(1964-1985). A Folha afirmou que à época
da morte de Herzog, Konder também se encontrava preso nas dependências do
Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa
Interna (DOI-Codi) do 2º Exército. Konder foi militante do Partido Comunista Brasileiro
(PCB) e, após o fim do regime, foi presidente da Associação Brasileira de
Imprensa (ABI) e fundador da Anistia Internacional no Brasil. Além de exercer a
função de secretário municipal de Cultura de São Paulo durante os governos de
Paulo Maluf (1993-1996) e Celso Pitta (1997-2000), também trabalhou em quase
todas as grandes redações do país. Atualmente, era membro do Conselho Municipal
de Educação. (Folha de S. Paulo - Cotidiano - 03/05/14)
segunda-feira, 31 de março de 2014
Edição especial da Folha analisa regime militar
Boris
Kossoy. Um olhar sobre o Brasil. Ed. Objetiva. O Estado de S. Paulo, São Paulo
22 de março. 2014.
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
Vladimir Herzog foi homenageado em São Paulo
De acordo com o periódico O Estado de S.
Paulo, no dia 25/10/13, Vladimir Herzog, jornalista morto durante o regime
militar (1964-1985) na sede do Destacamento de Operações de Informações -
Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) do 2º Exército, foi
homenageado na cidade de São Paulo. De acordo com o jornal, uma praça foi
batizada com seu nome e um mural lembrando a causa da morte de Herzog foi
instalado no local. (O Estado de S. Paulo – Política – 26/10/13)
quinta-feira, 6 de junho de 2013
Fotógrafo reconstituiu a cena da morte de Vladimir Herzog no DOI-Codi
Conforme
noticiado pelo periódico Folha de S. Paulo, a pedido da Comissão da Verdade da
Câmara Municipal de São Paulo, o fotógrafo Silvaldo Leung Vieira,
ex-funcionário da Polícia Civil de São Paulo e autor da fotografia do
jornalista Vladimir Herzog morto em 1975, visitou, no dia 27/05/13, as
dependências do Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações
de Defesa Interna (DOI-Codi) a fim de reconstituir a cena e esclarecer as
circunstâncias da morte do jornalista. Na época do regime militar (1964-1985),
o Exército alegou que Herzog havia se suicidado. De acordo com a Folha e com o
periódico O Estado de S. Paulo, Vieira visitou o local onde retratou Herzog, segundo
a Folha, “pendurado por um cinto no pescoço, preso a uma janela e com os pés no
chão”, considerando duvidosa a cena. A Folha evidenciou que a família de Herzog
recebeu um novo atestado de óbito no qual a causa da morte foi “substituída de
‘asfixia mecânica’ para ‘lesões e maus tratos durante o interrogatório’”.
Segundo O Estado, a Comissão Municipal foi frustrada por possuir uma
expectativa de obter mais detalhes sobre o caso. Ademais, segundo a Folha, no
dia 28/05/13, a Comissão ouviu o depoimento de Vieira sobre o caso. Em resposta
à declaração de Ivo Herzog, filho do jornalista Vladimir Herzog, segundo o qual
o fotógrafo seria cúmplice da repressão, Vieira afirmou “não se sentir
cúmplice, mas vítima, e que se sente mal por ter participado do episódio”. (Folha de S. Paulo – Poder – 27/05/13; Folha
de S. Paulo – Poder – 28/05/13; Folha de S. Paulo 29/05/13; O Estado de S.
Paulo – Política - 28/05/13)
segunda-feira, 27 de maio de 2013
Investigações da Comissão da Verdade da Câmara Municipal de São Paulo tomam como objeto o caso Herzog e a gestão de Maluf na prefeitura da cidade
Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, a Comissão da
Verdade da Câmara Municipal de São Paulo planeja ouvir o fotógrafo Silvaldo Leung Vieira, que registrou a cena de Vladmir Herzog morto,
e levá-lo novamente ao local onde a foto foi capturada, o Centro de
Operações Informações – Departamento de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi).
Vieira, que fugiu do país em 1979, era fotógrafo da Polícia Civil e foi levado às
dependências do DOI-Codi para fotografar Herzog após sua morte. Segundo o
Vieira, o corpo de Herzog já estava pronto para ser fotografado de forma a
simular suicídio. Além disso, de acordo com a Folha de S. Paulo, a Comissão da Verdade da Câmara Municipal de São
Paulo convidará o deputado federal Paulo Maluf para depor sobre o projeto de
instalação de dois crematórios no cemitério Dom Bosco, apresentado em sua
primeira gestão como prefeito da cidade (1969-1971), durante o regime militar
(1964-1985). De acordo com a Folha, o
presidente da Comissão afirmou que há indícios de que os crematórios propostos
seriam utilizados para incinerar presos políticos. A suspeita partiu, segundo o
jornal, de uma carta citada durante uma Comissão Parlamentar de Inquérito da
Câmara Municipal, na qual a empresa contratada para a obra questiona
irregularidades no projeto, como a inadequação para o acompanhamento das
cerimônias pelos familiares. Segundo o periódico, o projeto foi modificado e
implementado posteriormente no cemitério São Pedro, no bairro Vila Alpina.
(Folha de S. Paulo – Poder – 15/05/13; O Estado de S. Paulo – Política –
11/05/13)
quinta-feira, 28 de março de 2013
Jornais afirmam que Comissão Nacional da Verdade está sendo pressionada a convocar depoimento do presidente da CBF
Segundo os jornais Correio Braziliense e O Estado de S. Paulo, a Comissão Nacional da
Verdade está sendo pressionada para convocar o presidente da Confederação
Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, para explicar sua relação com o
regime militar (1964-1985). Segundo o Correio,
Marin, então deputado estadual pela Aliança Renovadora Nacional (Arena), o
braço político do regime, pediu a um parlamentar que fossem tomadas
providências na TV Cultura, onde Vladimir Herzog era diretor de jornalismo, a
fim de dar “tranquilidade dos lares paulistanos”. No mesmo mês, Herzog foi
morto nas dependências do Destacamento de Operações de Informações -
Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) do 2º Exército em São
Paulo. Marin também ficou
conhecido por um discurso de apologia a Sérgio Paranhos Fleury, considerado um
dos principais torturadores do regime militar. A CBF negou, em nota, a
participação de Marin na morte de Herzog. De acordo com o Estado, Ivo Herzog,
filho do jornalista Vladimir Herzog, pretende entregar no dia 01/04/13 à CBF
uma petição com mais de 50 mil assinaturas pedindo a saída de Marin e uma cópia
desta petição a todas as federações estaduais de futebol e à direção dos clubes
que participam de campeonatos nacionais. Para Herzog “ter Marin à frente da CBF
agora é como se a Alemanha tivesse permitido um membro do antigo partido
nazista ter organizando a Copa de 2006”. (Correio Braziliense –
19/03/13; O Estado de S. Paulo –
Nacional – 16/03/13; O Estado de
S. Paulo – Nacional - 22/03/13)
Estado brasileiro altera certidão de óbito de Vladmir Herzog e se desculpa pela morte de Alexandre Vannuchi
Conforme noticiado pelos periódicos Correio Braziliense e O Estado de S. Paulo, no dia 15/03/13,
durante cerimônia pública realizada no Instituto de Geociências da Universidade
de São Paulo (USP), a família do jornalista Vladmir Herzog recebeu uma nova
certidão de óbito, que teve substituída a causa da morte do jornalista de
“asfixia mecânica por enforcamento” para “lesões e maus tratos”. A certidão foi
entregue pela advogada e membro da Comissão Nacional da Verdade, Rosa Maria
Cardoso. Herzog foi preso e torturado no ano de 1975 por suspeitas de ligação
com o Partido Comunista Brasileiro, que era oposição ao regime militar
(1964-1985), e morreu nas dependências do Destacamento de Informações e Centro
de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) do 2º Exército em São Paulo. A
família comemorou o reconhecimento por parte do Estado brasileiro; entretanto,
segundo o Estado, para a viúva do
jornalista, Clarice Herzog, ainda falta “desmascarar” aqueles que estiveram
envolvidos com o assassinato, tendo em vista a continuidade do trabalho da
Comissão Nacional da Verdade. Conforme o Correio,
o filho de Herzog, Ivo Herzog, indicou que gostaria que o Supremo Tribunal
Federal revisasse a decisão de anistiar aqueles envolvidos na prática de
tortura e outros crimes durante o regime militar. De acordo com o deputado
federal e ex-secretário de Direitos Humanos da Presidência da República,
Nilmário Miranda, a apuração dos crimes cometidos é essencial para o futuro da
democracia brasileira. Na mesma ocasião, também foi realizado um pedido público
de desculpas por parte da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça para a
família do estudante Alexandre Vannuchi Leme. Vannuchi era estudante de
Geologia na USP e militante do grupo de oposição ao regime Aliança Libertadora
Nacional (ALN), quando foi preso e torturado em 1973, também nas dependências
do DOI-Codi em São Paulo. Segundo depoimento de outros nove presos políticos, o
estudante foi torturado e morreu por conta de “lesões traumáticas
cranioencefálicas”, em contraposição à versão divulgada pelas autoridades da
época, que indicou morte por atropelamento ao tentar fugir da prisão. (Correio
Braziliense – Política - 16/03/13; O Estado de S. Paulo – Nacional - 16/03/13)
sexta-feira, 22 de março de 2013
Comissão Interamericana de Direitos Humanos investigará a morte do jornalista Vladimir Herzog
Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, no dia 22/01/13 a
família do jornalista Vladimir Herzog divulgou que a Comissão Interamericana de
Direitos Humanos (CIDH), da Organização dos Estados Americanos (OEA), está
investigando a morte de Herzog, em 1975, durante sua prisão no Destacamento de
Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) do
II Exército de São Paulo. A decisão foi tomada pela CIDH em novembro de 2012 e
abre caminho para investigar as responsabilidades do Estado brasileiro no caso.
De acordo com o jornal, o governo brasileiro, ao ser consultado pela Comissão,
tentou obstruir o processo alegando que a Lei de Anistia (1979) impede a
punição dos responsáveis por violações de direitos humanos no período do regime
militar (1964-1985), beneficiando os agentes do Estado acusados de tais atos.
Entretanto, os argumentos foram rejeitados pela organização. Segundo Viviana
Krsticevic, diretora executiva do Centro pela Justiça e o Direito
Internacional, "a Comissão segue a jurisprudência da Corte Interamericana,
que estabelece que são inadmissíveis disposições de anistia destinadas a
impedir a investigação e a punição dos responsáveis por violações de direitos
humanos, como a tortura, execuções sumárias, prisões e desaparecimentos
forçados". Para Ivo Herzog, filho do jornalista, a decisão da CIDH
favorece muitas famílias que se encontram em situação semelhante. O jornal
informou que após os procedimentos normais da instituição, nenhuma pessoa será
responsabilizada, entretanto providências poderão ser cobradas do Estado
brasileiro para que se façam melhorias institucionais, garantindo a efetiva
justiça. (O Estado de S. Paulo – Nacional - 23/01/13)
quarta-feira, 13 de março de 2013
Regime Militar II: Jornal critica que cargos públicos sejam ocupados por antigos repressores
Segundo
o jornal O Estado de S. Paulo, diversos atores participaram da morte do
jornalista Vladimir Herzog no Destacamento de Operações de Informações - Centro
de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) do II Exército, em 1975. Dentre os
participantes, como Sérgio Paranhos Fleury, Harry Shibata, Ednardo D’Avila
Mello, Fausto Rocha e Cláudio Marques, houve outros com papel secundário, como
José Maria Marin, que atualmente ocupa o cargo de presidente da Confederação
Brasileira de Futebol (CBF). O nome de Marin ganhou destaque recentemente,
depois de uma reportagem do jornalista britânico Andrew Jennings, na qual expôs
a atuação de Marin no regime militar brasileiro (1964-1985). Concomitantemente,
o filho de Herzog, Ivo Herzog, iniciou uma campanha contra a presença de Marin
na presidência da CBF. Durante o regime militar, Marin fora deputado estadual
pelo partido Arena e, juntamente com outros políticos fazia discursos que
incitavam e justificavam a caçada e prisão de jornalistas acusados de promover
uma infiltração comunista na imprensa paulista. Assim, em setembro de 1975, o
diretor de jornalismo da TV Cultura, Herzog, fora acusado de ser líder da
dominação comunista, tornando-se alvo do governo militar. Como defendeu o
jornalista Juca Kfouri, que recentemente compartilhou trechos das antigas
declarações de Marin ao Diário Oficial, as falas seriam indícios de sua
colaboração junto ao alto escalão do serviço militar. Após investigações sobre
o caso Herzog, quinze dias antes da sua prisão, o deputado Wadih Helu publicamente
acusara a TV Cultura de estar dominada por subversivos, abrindo espaço para as afirmativas do então
companheiro de partido, Marin. Outros jornalistas, como Cláudio Marques e
Fausto Rocha, também teriam incitado os militares contra os demais profissionais
do ramo, principalmente aqueles que eram considerados comunistas. Com a
ofensiva dos militares contra os jornalistas, consolidou-se forte disputa entre
o sindicato desses profissionais e os militares do regime. O Estado, portanto, considerou como inadmissível
que pessoas, como José Maria Marin, com um passado ligado à repressão da
democracia, podem, atualmente, ocupar um cargo de autoridade, representando o
Brasil da Copa do Mundo. Para o antigo presidente do sindicato de jornalistas,
Audálio Dantas, o fato seria consequência da leniência do Brasil em relação aos
que contribuíram direta ou indiretamente com o regime militar, confirmado com a
presença dessas pessoas no atual cenário político, ocupando cargos públicos.
Assim, o jornal defendeu a resistência contra a aceitação passiva dos
acontecimentos, através do trabalho da Comissão da Verdade, Memória e Justiça
dos Jornalistas Brasileiros, juntamente com a Comissão Nacional da Verdade. (O
Estado de S. Paulo – Alias – 03/03/13)
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
Mudança no atestado de óbito de Herzog é contestada por Ministério Público de São Paulo
De
acordo com os jornais Folha de S. Paulo e
O Estado de S. Paulo, o Ministério Público de São Paulo apresentou um
recurso de contestação à mudança no atestado de óbito do jornalista Vladmir
Herzog. O jornalista foi encontrado morto nas dependências do Destacamento de
Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI), em
1975, durante o período do regime militar (1964-1985). De acordo com os
documentos oficiais produzidos na época, a causa da morte teria sido “asfixia
mecânica por enforcamento”, decorrente de um suicídio. Entretanto, no dia
24/09/12, o juiz da 2ª Vara de Registros Públicos do Tribunal de Justiça de São
Paulo, Márcio Martins Bonilha Filho, acatando um pedido da Comissão Nacional da
Verdade, determinou que a causa da morte no atestado de óbito do jornalista
fosse alterada para “decorreu de lesões e maus tratos sofridos em dependência
do 2º Exército”. Segundo a promotora e autora do recente recurso do Ministério
Público, Elaine Maria Barreira Garcia, os termos “lesões e maus tratos” não
constam “nas leis que definem a forma como as mortes devem ser especificadas
nos documentos legais”, por isso o trecho deveria ser substituído por: “morte
violenta, de causa desconhecida, em dependência do 2º Exército”. Os argumentos
de Garcia foram rejeitados por Bonilha Filho, por isso o caso foi levado para a
segunda instância, a Corregedoria-Geral do Tribunal de Justiça. Segundo o Estado, “o receio de ex-presos
políticos que acompanham o caso é que o objetivo real da promotora seria evitar
a conotação direta de morte sob tortura”. (Folha de S. Paulo – Poder -
08/11/12; O Estado de S. Paulo – Nacional - 07/11/12)
Instituto Herzog lança livro com documentos, cartazes e fotografias da resistência aos regimes militares na América Latina
Segundo o jornal Folha de S. Paulo, o Instituto Vladimir Herzog promoveu no dia 06/11/12 o lançamento do livro “Os Cartazes desta História”, que reúne cerca de 300 cartazes, documentos e fotografias de movimentos de resistência aos regimes militares na América Latina, entre 1960 e início de 1990. A obra tem como centro a luta contra o regime militar do Brasil (1964-1985) e o movimento da sociedade civil após a criação da Lei da Anistia, em 1979. A publicação faz parte do projeto "Resistir é Preciso...", desenvolvido pelo instituto em 2011, que busca o resgate da trajetória da imprensa durante o regime militar. (Folha de S. Paulo – Poder – 06/11/12)
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Policial foi encontrado morto no DOI-Codi de forma similar a Herzog
Conforme
noticiado pelo jornal O Estado de S. Paulo, o tenente da Polícia
Militar, José Ferreira de Almeida, e o jornalista Vladimir Herzog foram
encontrados mortos por enforcamento, na mesma posição e na mesma cela
do Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de
Defesa Interna (DOI-Codi), com apenas dois meses de intervalo
entre suas mortes. Segundo o periódico, no mês de julho de 1975, 63
policiais militares foram presos e processados sob a acusação de serem
comunistas. Dentre estes, estava Almeida, que era diretor do Clube dos Oficiais
da Reserva, “uma espécie de sindicato dos policiais”. A sobrinha do tenente,
Nazareth Folli, afirmou que o tio não era membro do Partido Comunista, “só tinha
ideias avançadas demais pro período”. Durante sua prisão, o advogado de
Almeida, Luiz Eduardo Greenhalg, relatara maus tratos e possível tortura ao
policial. Os policiais militares que puderam sair da prisão na época não
voltaram à ativa, foram aposentados por invalidez, e suas esposas receberam
pensões como viúvas. No caso de Almeida, a família fora noticiada de que o
tenente teria se enforcado e receberam o caixão lacrado, porém, o advogado
Greenhalg o abriu e relatara que, por conta de hematomas pelo corpo e dois
sulcos no pescoço, não havia possibilidade de que a causa da morte pudesse ser
um suicídio. O Conselho Regional de Medicina (CRM) havia arquivado o processo e
um inquérito fora aberto na Auditoria Militar pelo próprio advogado, mas nunca
foi aberto. Após dois meses, Vladimir Herzog foi encontrado morto nas mesmas
condições, na mesma cela, a número 1 do DOI-Codi. Ambos tiveram como versão
oficial da morte a do suicídio, assinada pelo médico Harry Shibata. Conforme o
professor e pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), Mário Sergio
Moraes, “ambos foram enforcados com o mesmo cinto”; ele explicou que havia um
modelo para dissimular atrocidades. Segundo o jornalista Elio
Gaspari, Almeida foi “o 36º preso a se suicidar dentro de uma prisão da
ditadura, o 16º enforcado e o 7º a fazê-lo sem vão livre”. Herzog teve seu
atestado de óbito retificado em setembro de 2012 após pedido da Comissão
Nacional da Verdade ao Tribunal de Justiça de São Paulo. No lugar de “asfixia
mecânica”, consta que sua morte decorreu por “lesões e maus-tratos sofridos em
dependência do II Exército – SP (DOI-Codi)”. A Comissão Especial sobre Mortos e
Desaparecidos Políticos (CEMDP) reconheceu a responsabilidade de agentes do
Estado brasileiro pela morte do tenente Almeida e seu nome consta na lista dos
140 mortos da Comissão Nacional da Verdade, mas Nazareth ainda espera declarão
oficial do Estado e atestado de óbito oficial com a causa real da morte do tio,
assim como ocorreu com Herzog. (O Estado de S. Paulo – Aliás – 28/10/12)
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
Artigo de opinião sobre o caso Herzog e a extensão da Lei da Anistia
Em artigo de opinião para o jornal Correio Braziliense, o jurista Josemar
Dantas realizou uma reflexão sobre a extensão da Lei da Anistia (1979) aos
“agentes repressores e a grupos insurrectos que torturaram ou executaram
prisioneiros”. Dantas destacou que a Lei protege os beligerantes, que tem seus
crimes qualificados apenas como crimes políticos, absolvendo-os, assim, de
responsabilidade penal. O jurista defendeu a investigação dos perpetradores de
tortura e citou o caso da Argentina como um bom exemplo na região sul-americana
de punição dos responsáveis por torturas e excessos. Lembrou, por outro lado, o
caso do jornalista Vladmir Herzog, dentre outros semelhantes, assassinado pelas
forças de repressão do regime militar brasileiro (1964-1985) em 1975, após
passar por sessões de tortura perpetrados por agentes do governo. Na ocasião,
os autores do crime tentaram fazer parecer à opinião pública que Herzog havia
se enforcado. Nesse sentido, Dantas questionou a decisão tomada pelo Brasil
frente à exigência da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da
Organização dos Estados Americanos (OEA), quando esta requereu abertura de
inquérito sobre a morte de Herzog. O governo brasileiro alegou não poder
reabrir as investigações, pois o caso estava encerrado pela Lei da Anistia, mas
o colunista afirmou que a decisão descumpriu o que fora determinado pela
Convenção Americana de Direitos Humanos, de 1969 (Pacto de San José), e pela
Convenção de Genebra sobre Tratamento de Prisioneiros de Guerra, de 1949. Ao
aceitar e referendar os tratados, o Brasil os teria internalizado, passando a
compreendê-los sob os mesmos efeitos da lei do país, da maneira que é
determinado pelo artigo 5º, parágrafo 3 da Constituição Federal. Dessa forma, o
jurista afirmou que a não reabertura das investigações representaria descumprimento
da Carta Magna. (Correio Braziliense – 20/08/12)
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