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terça-feira, 24 de abril de 2012

Especialistas evidenciam baixo investimento em defesa no Brasil


Conforme noticiado no jornal Correio Braziliense, um estudo do Instituto Internacional de Estudos da Paz de Estocolmo (sigla Sipri, em inglês) divulgou que as despesas do Brasil na área de defesa são menores do que as de qualquer um dos membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (CSONU). Além disso, em comparação com os países do Brics (Rússia, Índia, China e África do Sul) o Brasil somente tem gastos superiores em defesa em relação à África do Sul. O Sipri mostrou que o Brasil reduziu seus gastos com material bélico em 2011 por conta da crise financeira ou por motivos de ajustes orçamentários e o relatório destacou ainda que os países latino-americanos investem pouco de seu Produto Interno Bruto (PIB) com despesas militares, sendo que, em 2011, o Brasil destinou 1,5% do PIB aos gastos militares, mas deste montante cerca de 70% a 80% foram utilizados com folha de pagamento e previdência. Analistas da área de defesa e estratégia destacaram a precariedade da qualidade e quantidade dos armamentos brasileiros e a falta de investimento para compensar esses fatos. De acordo com o consultor do Conselho de Defesa da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) e também professor do programa de pós-graduação em Relações Internacionais San Tiago Dantas (Unesp, Unicamp e PUC-SP), Héctor Luis Saint-Pierre, “a proporção militar do Brasil não está à altura de sua projeção estratégica no cenário internacional”. O professor destacou que o valor do PIB utilizado em despesas militares inclui treinamentos, inclusive para missões de paz, mas não especificamente em armamentos. Segundo o coronel e professor do Núcleo de Estudos Estratégicos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Geraldo Cavagnari, “o Brasil precisa ser uma potência militar, assim como é geopolítica e economicamente”. Para Cavagnari essa defasagem de investimentos decorre de uma situação de anos de estagnação neste setor, que somente começou a modificar-se a partir da consolidação econômica do país. Diante disso, segundo o Correio, o Brasil sofre críticas por almejar um assento permanente no CSONU. Além disso, a defasagem de investimentos em defesa tem sido justificativa para novos projetos, tais como a construção do submarino nuclear, em parceria com a França, e o projeto FX-2, para a renovação da frota de caças da Força Aérea Brasileira (FAB). Segundo o coordenador de Estudos e Debates do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), Leonardo Paz Neves, “ao fazer esses gastos, o Brasil não apenas recupera os investimentos no reaparelhamento das Forças Armadas, mas, ao mesmo tempo, busca sua ascensão internacional”. Finalmente, o professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), Antonio Jorge Ramalho da Rocha, destacou que nenhum país foi capaz de manter a sua diplomacia sem recursos bélicos à disposição, e que alguns países investiram em defesa somente após a percepção de que os seus equipamentos militares estavam obsoletos. (Correio Braziliense – Mundo – 19/04/12)

domingo, 17 de julho de 2011

Cooperação entre Brasil e Colômbia contra o narcotráfico tende a se ampliar

De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, o Brasil e a Colômbia pretendem firmar um acordo especial de vigilância de fronteiras, respeitando os princípios da soberania e da reciprocidade. O acordo criará uma faixa de terra envolvendo os dois lados da fronteira para livre circulação e cooperação entre militares e agentes federais dos dois países. O objetivo central é ampliar o acordo em vigor sobre vigilância aérea para as fronteiras terrestres. Se consolidado, o instrumento estabelecerá uma faixa de 300 quilômetros para a vigilância comum das Forças Aéreas brasileira e colombiana, sem precisar invadir o espaço aéreo um do outro, e assim poderão monitorar ininterruptamente qualquer aeronave suspeita. No acordo terrestre, será estabelecida uma faixa de rios que ambos os países poderão percorrer, considerando os “rios entrantes” que compõe os 1644 quilômetros de fronteira. Segundo o ministro da Defesa, Nelson Jobim, “o acordo de cooperação para vigilância de fronteiras dá mobilidade aos militares e agentes federais”. A coordenação das operações na região ficará sob a tutela do Comando Militar da Amazônia. O governo deseja que o acordo com a Colômbia sirva de modelo para negociações com Peru e Venezuela, e também para poder liderar o processo de “cooperação regional” por consenso em matéria de segurança, estabelecido na III Reunião Ordinária do Conselho de Defesa Sul-Americano, organismo da União de Nações Sul-Americanas (Unasul). Além da vigilância de fronteiras, os países pretendem homogeneizar regras sobre marcação e rasteio de armas, medidas de prevenção e impedimento da ação de grupos armados e luta contra o terrorismo. O Brasil já tem colaborado com os países vizinhos no combate ao crime organizado, disponibilizando dados do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam). (O Estado de S. Paulo – Nacional – 24/06/11)