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terça-feira, 12 de agosto de 2014

Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro concluiu o inventário do acervo do ex-presidente da República Emílio Garrastazu Médici

Segundo o periódico Folha de S. Paulo, o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) concluiu o inventário do arquivo do ex-presidente da República, general Emílio Garrastazu Médici (1969-1974), coordenado pela professora Regina Wanderley. O acervo, que contém 475 itens documentais e centenas de fotografias, foi doado em 2004 ao Instituto pelo filho e assessor especial do general, Roberto Nogueira Médici. Dentre os documentos, há uma cópia de uma lista apreendida na casa de um dirigente da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), que contém os nomes de 28 presos da cidade de São Paulo que seriam libertados em troca do então embaixador alemão, Ehrenfried von Holleben, que planejavam sequestrar. O nome da presidenta da República, Dilma Rousseff, estava nesta lista. Esse sequestro era de conhecimento do Destacamento de Operações e Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), que não o impediram de ocorrer. O embaixador foi trocado por 40 presos políticos, mas da lista, somente 6 entraram, deixando a presidenta de fora. Há também dois telegramas de senadores do partido governista expedidos depois da edição do Ato Institucional nº 5, sendo que no primeiro, 20 senadores protestavam contra a implantação do Ato, e no segundo, 34 apoiavam, mas 7 dos senadores assinaram os dois. O general também possuía uma representação do ministro da Justiça e ex-reitor da Universidade de São Paulo (USP), Luís Antônio da Gama e Silva propondo a cassação dos 20 signatários do primeiro telegrama. Se Gama e Silva tivesse prevalecido, o regime militar (1964-1985) tomaria um rumo mais radical. Médici guardou, também, pelo menos três lotes de documentos denunciando o que acontecia nas prisões, o que demonstra o seu conhecimento a respeito das torturas praticadas durante a sua gestão. (Folha de S. Paulo – Poder – 06/08/14)

terça-feira, 1 de julho de 2014

Colunas opinativas analisam relação entre a Copa do Mundo e o contexto político do Brasil

Em coluna opinativa ao jornal Folha de S. Paulo, o professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Ronaldo George Helal, recordou que na Copa do Mundo de 1970 o regime militar brasileiro (1964-1985) buscou “imprimir otimismo ao povo brasileiro”. No período, a música escolhida pelos patrocinadores das transmissões dos jogos era de caráter ufanista e buscava incentivar a união nacional, cantando “Todos juntos, vamos pra frente, Brasil”. Helal argumentou que em 1968 havia sido instituído no país o Ato Institucional 5, proibindo a população de se manifestar politicamente, mas que foi o chamado “milagre econômico” o responsável por manter a população “sob controle”. Ao criticar a ideia difundida na atualidade de que a vitória ou derrota do Brasil na Copa do Mundo influenciará na situação política e eleitoral do governo, Helal afirmou que em 1970 a censura, tortura e mortes não foram influenciadas pela conquista do Brasil no futebol. O jornalista Ruy Castro, em coluna para o mesmo jornal, argumentou que sua geração presenciou a degradação dos símbolos nacionais pelo regime militar, como por exemplo na época do ex-presidente Emílio Garrastazu Médici, quando a bandeira, o hino e o brasão nacionais foram utilizados como símbolos que davam aval aos crimes cometidos pelo governo no período. Segundo Castro, tal associação fez com que esses símbolos fossem vistos com repulsa pelos brasileiros. Para o jornalista, apenas com o fim do regime militar e a redemocratização do país, ocorreu a reabilitação dos símbolos e cores nacionais, que passaram a ter um caráter positivo. (Folha de S. Paulo – Opinião – 21/06/14)

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Apoio a tomada de poder pelos militares

Em coluna opinativa para o jornal Folha de S. Paulo, Demétrio Magnoli analisou que o golpe de 1964 recebeu apoio de diversos setores da sociedade, alguns dos quais posteriormente tornaram-se opositores do regime militar (1964-1985), como foi o caso do político Ulysses Guimarães. Para Magnoli, o regime adquiriu caráter de “ditadura” em 1968, com a instauração do Ato Institucional 5 (AI-5), o qual contou com 17 signatários. Ao analisar os veículos de comunicação que apoiaram o regime, Magnoli ressaltou que a revista “Veja” publicou muitos elogios ao governo do general Emílio Garrastazu Médici (1969-1974) e à Operação Bandeirante, que promoveu ações de combate à oposição. Magnoli classificou a Comissão Nacional da Verdade como um “simulacro de memória esculpido segundo as conveniências do presente”. O jornal Folha de S. Paulo também publicou entrevista com o historiador Daniel Aarão Reis, o qual afirmou que a tomada de poder pelos militares, em 1964, utilizou o discurso de defesa da democracia contra o medo das reformas sociais defendidas pelo então presidente João Goulart e o comunismo. Reis era membro da Dissidência Universitária da Guanabara, responsável por idealizar o sequestro do então embaixador estadunidense Charles Burke Elbrick e foi preso durante o regime. O historiador afirmou que as lideranças empresariais, políticas, da elite e da igreja apoiaram o movimento de 1964, o qual foi defendido por um grupo heterogêneo de pessoas. Porém, com a chegada dos militares ao poder, instaurou-se a ideia de que a vitória da direita em 1964 era algo inevitável. O historiador referiu-se ao regime militar como uma “ditadura civil-militar”, pois elementos não-militares, como a mídia, exerceram papel significativo no período. Segundo Reis, um motivo central do fracasso da luta armada contra o governo foi a falta de apoio popular. Ao analisar a atualidade, Reis argumentou que as Forças Armadas agem no sentido de omitir e falsificar o que aconteceu no passado. Contudo, na opinião do historiador, a Comissão Nacional da Verdade, apesar da impossibilidade de acesso a arquivos das Forças Armadas, tem a possibilidade de elaborar um relatório esclarecedor sobre a tortura como política de Estado. (Folha de S. Paulo – Poder – 29/03/14) 

segunda-feira, 31 de março de 2014

Resquícios de 1964 em 2014

Em coluna para o periódico Folha de S. Paulo, Elio Gaspari afirmou que o golpe de 1964 mantem-se como fator de divisão na história política do Brasil e que alguns pontos da agenda daquele período permanecem no cenário político contemporâneo. Em sua opinião, a análise dos atos derivados de pensamentos autoritários cometidos no período anterior pode permitir “que se descubra, em 2014, o código genético do golpismo de 1964”. O primeiro desses atos consiste no desrespeito à vontade popular. O regime militar (1964-1985) instituiu a escolha do presidente da República de maneira indireta, sem participação do voto popular. O general Emílio Garrastazu Médici foi eleito presidente da República sem que se soubesse como tal escolha foi feita. Tais fatos ocorreram há 50 anos, porém, para Gaspari, em 2014 “a desqualificação do voto alheio” continua presente. O segundo ato consiste no fato de que em 1964 era saliente no Brasil o descontentamento com o Congresso Nacional e os políticos brasileiros. Era comum a ideia de que a população não escolhesse seus candidatos nas votações, existindo ainda quem apoiasse a instituição de uma Assembleia Constituinte para realizar reformas no país, ou até mesmo para permitir que o ex-presidente da República João Goulart fosse candidato a presidente novamente. Segundo Gaspari, tais características permanecem presentes em 2014 no cenário nacional e o que antes era chamado de “infiltração comunista no governo” hoje se refere ao mecanismo de governo do Partido dos Trabalhadores (PT). (Folha de S. Paulo – Poder – 26/03/14)