Segundo os jornais
Correio Braziliense e O Estado de S. Paulo, o general do Exército Eduardo Dias
da Costa Villas Bôas afirmou em audiência pública no Senado, no dia 25/09/15,
que a indústria de Defesa do país pode retroceder devido aos cortes na área. De acordo com o
periódico, o general, convidado pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa
Nacional para participar da audiência, citou projetos estratégicos que estão
sendo adiados pela falta de dinheiro, como o projeto na área de defesa
cibernética, cuja conclusão estava prevista para o ano de 2014, mas foi adiada
para o ano de 2017, e o do sistema Astros, relativo ao desenvolvimento de
lançadores de foguetes, prorrogado do ano de 2018 para o ano de 2023. Para
Villas Bôas, “essas tecnologias se tornam obsoletas com muita rapidez” e por
isso os projetos poderão estar ultrapassados já na data de entrega. Segundo O
Estado, durante a audiência, o senador Ricardo Ferraço e o general criticaram o
então ministro da Defesa, Jaques Wagner, pois, segundo eles, Wagner estaria
mais preocupado com as questões políticas que com os problemas atuais da
Defesa. Entretanto, segundo o ministro, os cortes foram negociados
conjuntamente com as Forças Armadas e o governo federal, e os projetos
estratégicos foram desacelerados, mas não paralisados. De acordo com o Correio,
Ferraço afirmou que a situação econômica atual não deve ser apontada como a
única causa dos cortes, pois desde o ano 2012 já existiam problemas na área de
desenvolvimento de projetos de Defesa. O jornal afirmou que o senador planeja
concluir até o mês de novembro de 2015 um diagnóstico sobre a crise financeira
das Forças Armadas, com o qual seria possível indicar ao Ministério da Defesa
os projetos que devem ser paralisados para que outros possam ser concluídos.
(Correio Braziliense – Política – 28/09/15; O Estado de S. Paulo – Política –
26/09/15)
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quarta-feira, 7 de outubro de 2015
terça-feira, 20 de maio de 2014
Brasil e a defesa cibernética
Segundo
o periódico Folha de S. Paulo, invasões cibernéticas criaram um debate acerca
da possível existência de um "quinto domínio", que vai além da terra,
do ar, do mar e do espaço sideral. Considerando que atualmente sistemas como o
de fornecimento de energia ou comunicação estão atrelados a computadores, um
código malicioso implantado por outra nação pode significar a suspensão desses
serviços. De acordo com a Folha, não há consenso a respeito da utilização do
termo “ciberguerra”, que atualmente tem sido aplicado para se referir a uma
continuidade de ciberataques. O professor do departamento de estudos de guerra
do King's College, no Reino Unido, Thomas Rid, argumenta que qualquer ato que
se pretenda um ato de guerra deve ser fisicamente violento, servir como um
instrumento para alcançar um fim específico e constituir um ato político. De
acordo com a Folha, o subchefe do Centro de Defesa Cibernética (CDCiber),
coronel Alan Costa, alegou que o Brasil experimentou sucesso na área de
segurança cibernética durante a Conferência
“Rio+20”, a Jornada Mundial da Juventude e a Copa das Confederações e
que a atuação nesses eventos servirá de guia para atuação do Exército na Copa
do Mundo de 2014. Em 2013 foram utilizados R$ 40,8 milhões dos R$ 74,2 milhões
do orçamento total disponível para defesa cibernética. Esse orçamento é
destinado apenas para a criação e implementação de um sistema de ciberdefesa,
pelo qual o CDCiber é responsável, e não se orienta ao desenvolvimento um
sistema de ciberataque. Segundo os autores do livro "Cybersecurity and
Cyberwar", Peter Singer e Allan Friedman, os ciberataques que oferecem
risco a uma nação requerem muita expertise em sua execução, portanto, é mais
vantajoso investir em uma defesa sólida. Segundo o ministro da Defesa, Celso
Amorim, e o general José Carlos dos Santos, o CDCiber foi criado com a intenção
de explorar possíveis vulnerabilidades e falhas que permitam penetrar em
computadores e que possam ser eventualmente utilizadas em ataques cibernéticos.
A partir do termo “ciberdefesa”, que foi definido no 1º Seminário de Defesa
Cibernética do Ministério da Defesa como o "conjunto de ações defensivas,
exploratórias e ofensivas (...) com as finalidades de proteger os nossos
sistemas de informação, obter dados para a produção de conhecimento de
inteligência e causar prejuízos aos sistemas de informação do oponente", a
doutrina militar do Exército brasileiro não descarta a utilização de ataques
cibernéticos. A Folha lembrou que, em março de 2014, o CDCiber passou pela sua
primeira mudança de comando, na qual o fundador da instituição, general José
Carlos dos Santos, foi substituído pelo general Paulo Sergio Melo de Carvalho.
(Folha de S. Paulo – Tec – 12/05/2014)
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
Governo brasileiro se concentra no desenvolvimento da defesa cibernética
Em
artigo opinativo para o jornal O Estado de S. Paulo, Virgílio de Almeida,
Secretário de política de informática do Ministério da Ciência, Tecnologia e
Inovação (MCTI) e coordenador do comitê Gestor da Internet no Brasil, afirmou
que a presidenta da República, Dilma Rousseff, declarou em seu discurso de
abertura da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas que redobrará os
esforços para o desenvolvimento da defesa cibernética brasileira. A crescente
dependência da rede aumentou o potencial de impacto que resultaria de uma falha
ou interrupção da internet. Diante tal risco, o desenvolvimento de tecnologia
para segurança e defesa cibernética tem sido prioridade para o governo
brasileiro. Segundo Almeida, a segurança cibernética se refere “à proteção
contra interferência ou ataques às atividades, às informações e aos serviços
nos dispositivos digitais e redes”. Existem assimetrias no ciberespaço que
dificultam sua proteção. Enquanto o custo para se defender de ataques via vírus
e robots é baixo, a proteção das redes do país exige um investimento alto.
Outra dificuldade encontrada é o constante desenvolvimento de novas formas de
ataque, que torna impossível a criação de um padrão de defesa baseado em
ataques passados. Considerando que os países que possuem mais desenvolvimento
nesta aérea não disponibilizam seus mecanismos de defesa no mercado, o único
meio de melhorar a segurança no Brasil é o investimento em ciência e
tecnologia. Almeida considera que além de se preocupar com o avanço
tecnológico, o governo precisa estar atento ao desenvolvimento de uma
regulamentação para o ciberespaço e de medidas econômicas e educativas. A
regulamentação do ciberespaço tem como pilares do seu arcabouço legal o Marco
Civil da Internet, a Lei de Proteção de Dados Pessoais e a atuação do Comitê
Gestor da Internet. Além disso, o desenvolvimento e capacitação tecnológica
para defesa passam, necessariamente, pelo apoio a pesquisas do MCTI. O
Secretário explicou que em 2012 o MCTI lançou o Programa TI Maior - programa
estratégico de Software e Serviços de Tecnologia da Informação – direcionado,
principalmente, para defesa cibernética. No primeiro semestre desse ano, a
Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) elaborou um edital de R$ 60 milhões
destinados a empresas de software nas áreas do Programa TI Maior, sendo a área
de defesa com o maior número de interessados. Na avaliação de Almeida, as
tecnologias desenvolvidas para segurança cibernética podem ser usadas tanto
para fins militares e governamentais, como para fins civis. Essa dualidade gera
um interesse estratégico, pois os ciberataques não se restringem às
instituições do governo. Um investimento de cerca de R$ 140 milhões deverá
apoiar o desenvolvimento da autonomia brasileira no setor. (O Estado de S.
Paulo – Espaço Aberto – 13/11/13)
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
Senador proporá a criação de Agência de Defesa Cibernética
Segundo
o jornal Correio Braziliense, o senador federal Ricardo Ferraço, presidente da
Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional e relator da Comissão
Parlamentar de Inquérito (CPI) da espionagem, proporá em seu relatório a
criação de uma Agência Civil de Defesa Cibernética. Ferraço pretende entregar o
relatório até o fim de 2013, conforme noticiou o periódico. (Correio Braziliense – 30/10/13)
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
Brasil pretende investir em defesa cibernética
De
acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, durante a Conferência do Ciberespaço
2013, em Seul, na Coreia do Sul, Virgílio Almeida, secretário de Políticas de
Informática do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, informou que o
Brasil pretende investir em startups para desenvolver sistemas na área de
defesa e cibersegurança. Segundo Almeida, será lançada em 2014 uma linha de
financiamento para negócios nessas áreas, a partir do edital do programa
Start-up Brasil, no qual “o governo pretende incluir entre 10 e 15 startups de
defesa, além das 50 já selecionadas a cada semestre por edital, para receber
até R$ 200 mil em bolsas do CNPq, além de capacitação e investimento inicial
por aceleradoras participantes”. Segundo O Estado, os investimentos foram
inspirados no Pentágono estadunidense que “tem funcionado como uma incubadora
de novos negócios no segmento de proteção a ciberameaças”. O jornal ressaltou
que outras medidas, como a votação do Marco Civil da Internet e a criação de um
serviço de e-mail com criptografia nacional, foram tomadas para minimizar o
impacto da espionagem estadunidense revelada por Edward Snowden, ex-agente da
Agência Central de Inteligência (na sigla em inglês, CIA). Segundo James Andrew
Lewis, diretor do Centro Internacional de Estudos Estratégicos (sigla em
inglês, CSIS), a efetividade de tais iniciativas é questionável, pois países
como Rússia, Estados Unidos da América, Reino Unido e Israel têm capacidade
para superar qualquer sistema na área de segurança. (O Estado de S. Paulo –
Link – 21/10/13)
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
Site afirma que investimentos em defesa cibernética serão reduzidos mesmo com discurso da presidenta da República na Assembléia Geral da ONU
Segundo o jornal O Estado de S.
Paulo, o site Contas Abertas teria noticiado que o orçamento do Exército
referente a defesa cibernética será de R$ 70 milhões em 2014, ou seja, R$ 20
milhões a menos do que o previsto no ano de 2013 – dos quais apenas R$ 14,4 milhões teriam sido
pagos até o momento. Apesar disso, o ministro da Defesa, Celso Amorim, declarou
que “os empenhos tendem a crescer no segundo semestre”. A diminuição do
orçamento vai de encontro ao discurso proferido pela presidenta Dilma Rousseff
na abertura da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), dia
24/09/13, em tom de protesto a
espionagem eletrônica por parte dos Estados Unidos. De acordo com a coluna de O Estado, as palavras da presidenta
foram apropriadas, mas não passaram de retórica, e sua fala em prol de um marco
civil multilateral para governança e proteção da internet teria se dirigido, na
verdade, ao eleitorado brasileiro, não aos países membros da ONU, ou seja, não
passou de estratégia de marketing, uma vez que vai na contramão da realidade de
encolhimento do orçamento destinado a defesa cibernética para 2014. (O Estado
de S. Paulo – Opinião – 26/09/13)
Brasil usa tecnologia de criptografia estrangeira
De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, o fundador do WikiLeaks, Julian Assange,
sugeriu que o governo brasileiro adotasse criptografia nacional como proteção
contra espionagem. Atualmente, o país utiliza recursos de criptografia
fornecidos por empresas privadas estadunidenses que, segundo documentos vazados
pelo ex-funcionário da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos da
América (NSA, em inglês), Edward Snowden, contém falhas propositais e incluem
“portas dos fundos” para que a NSA tenha acesso aos dados. A tecnologia em
criptografia no Brasil é desenvolvida por empresas de pequeno porte que
trabalham com software livre e, não raro, são insuficientes para cobrir a
demanda nacional. O governo respondeu aos escândalos de espionagem com o
anúncio de um serviço de e-mail nacional criptografado e a pressão para que
seja votado o Marco Civil da Internet. O jornal ressaltou também a escassez do
orçamento brasileiro em cibersegurança: segundo o Centro de Comunicação Social
do Exército, apenas R$ 90 milhões foram destinados à defesa cibernética no
Brasil, enquanto agências de espionagem americanas tiveram um orçamento de US$ 52,6
bilhões em 2013. (O Estado de S. Paulo – Economia – 23/09/13)
Ministro da Defesa abordou, em entrevista, a política de Defesa do Brasil
Em entrevista ao jornal Correio Braziliense, o ministro da Defesa, Celso Amorim, tratou da
política de Defesa no Brasil, sobretudo no que se refere à defesa cibernética,
em razão dos recentes casos de espionagem estadunidense no país. Em relação ao
papel do Ministério da Defesa (MD) na segurança da informações, Amorim afirmou
que não há definição no Brasil, isto é, não há um órgão específico para efetuar
a proteção, mas que, se houver a iminência de um ataque aéreo ou cibernético, a
competência é do MD. Por isso, a defesa cibernética do Brasil está em nível
inicial, sendo capaz de agir de forma muito pontual. O ministro declarou,
porém, que, na Estratégia de Defesa Nacional (END), a defesa cibernética é
considerada área estratégica e, em virtude disso, um núcleo foi criado no
Exército, em 2010, dando origem ao Centro de Defesa Cibernética (CDCiber), em
2012. Segundo Amorim, o CDCiber foi empregado na proteção cibernética de
eventos como a Conferência Rio+20, a visita do papa Francisco e a Copa das
Confederações. Nessas ações pontuais, Amorim considerou que o CDCiber “foi um
pouco além da defesa militar, coordenando a ação de um conjunto de órgãos”.
Além disso, o ministro destacou a necessidade de evoluir nessa área por meio de
formação de capacidades mediante uma escola de defesa cibernética, por exemplo,
pois a utilização de softwares importados não garantirá a segurança cibernética
do Brasil, sendo necessário o desenvolvimento de tecnologia nacional. No que se
refere ao caso de atuação dos serviços de inteligência estadunidenses no
Brasil, Amorim classificou o caso como “uma intrusão em nossa soberania”, mas,
apesar disso, destacou que “espionagem sempre houve, mas com discrição. Não foi
surpresa absoluta, mas chocou”. Em matéria de segurança, o ministro considerou
a defesa aérea nacional como o ponto de maior vulnerabilidade em função dos
entraves na aquisição de novos aviões de caça para a Força Aérea Brasileira
(FAB), mas afirmou que outros projetos estratégicos estão em andamento na
pasta, como o desenvolvimento do submarino nuclear da Marinha e o do avião
cargueiro a jato pela Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer), KC-390, com
o objetivo de substituir o C-130 Hércules. Com relação à política de defesa das
fronteiras, Amorim declarou que, para proteger 17 mil quilômetros de fronteira,
é necessário “combinar a presença física com a proteção tecnológica”, envolvendo
satélites, equipamentos e comunicações coordenados pelo Sistema Integrado de
Monitoramento de Fronteiras (Sisfron), do Exército. Para esse fim, realiza-se frequentemente
a Operação Ágata, a qual emprega grandes efetivos nas regiões de fronteira, além
de aviões de detecção com radares importados. Apesar disso, de acordo com
Amorim, radares nacionais estão sendo desenvolvidos. Em relação à parceria em
defesa cibernética proposta à Argentina, o ministro declarou que uma equipe
argentina será enviada ao Brasil, ainda em 2013, para verificar o que tem sido
feito no país nesse quesito e destacou que “a Argentina é mais próxima e mais
avançada nisso, o que permite uma cooperação mais imediata”. (Correio
Braziliense – 22/09/13)
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
Presidente da Petrobras declara que segredos da empresa não foram ameaçados por espionagem
De
acordo com o periódico Correio Braziliense, a presidente da empresa Petróleo
Brasileiro S.A. (Petrobras), Graça Foster, afirmou, durante audiência pública
no Senado Federal, que é pequena a possibilidade de “invasões e capturas de
dados” da empresa através de ataques cibernéticos e que, mesmo no caso da
ocorrência de tais crimes, as informações isoladamente não teriam valor
comercial ou estratégico. Assegurou ainda que a ocorrência de “ataques
anormais” ao sistema da empresa não foi recorrente nos últimos meses. Informou
também, que a companhia investirá R$ 3,9 bilhões na área de segurança
cibernética em 2013. Até o ano de 2016 serão R$ 21,2 bilhões em investimentos.
Foster disse ainda que a estatal atua de maneira preventiva e que todos os
funcionários são treinados para serem “agentes da segurança empresarial”.
Ademais, segundo Foster, 36 empresas de origem estrangeira trabalham no
processo de segurança cibernética da Petrobras, sendo 14 delas estadunidenses,
assim como as três que atuam na área de criptografia. (Correio Braziliense –
19/09/13)
Brasil e Argentina negociam sistema conjunto de defesa cibernética e jornal critica atuação do governo brasileiro
De
acordo com o jornal Correio Braziliense, a criação de um sistema conjunto de
defesa cibernética está sendo negociada entre Brasil e Argentina. No dia
13/09/13, o ministro da Defesa, Celso Amorim, debateu o assunto com a
presidente da Argentina, Cristina Kirchner, e os ministros argentinos da
Defesa, Agustín Rossi, e das Relações Exteriores, Hector Timerman. O jornal ,
porém, classificou como “ridículo” o orçamento de R$ 90 milhões para o Centro
de Defesa da Cibernética. Segundo o periódico O Estado de S. Paulo, Amorim
teria almejado nas negociações com a Argentina “estabelecer alguma forma de
‘cooperação’”, que foi classificada como um termo vago que acabaria por
abranger significados que não deveriam corresponder aos interesses do Brasil.
De acordo com O Estado, Amorim considerou “ser necessário sujeitar as
diretrizes brasileiras na guerra cibernética aos objetivos dos parceiros na
América do Sul” e mencionou uma “doutrina” sul-americana de defesa cibernética
por meio da criação de uma instância supranacional, o que, segundo o jornal,
feriria a soberania nacional no que se refere à “determinação de suas políticas
de segurança”. O Estado destacou também que a presidenta da República, Dilma
Rousseff, pediu a aprovação do chamado Marco Civil da Internet em caráter de
urgência com o intuito de combater as supostas ameaças apresentadas pelos
serviços de espionagem estadunidenses, apesar do projeto ter como objetivo
apenas a garantia do “livre trânsito de informação e
a neutralidade da rede”. Amorim, por sua vez, expos a preocupação de Rousseff
com a proteção da reserva do pré-sal, devido a suspeita de que o governo
estadunidense estaria espionando a empresa Petróleo Brasileiro S.A.
(Petrobras), recomendando que questões de defesa e projetos estratégicos
tivessem “interesse redobrado”. Segundo Amorim, a solução eficaz seria o
desenvolvimento de um software nacional de defesa cibernética. Mesmo assim, um
estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), publicado em junho
de 2013, apontou que a capacidade das empresas brasileiras para desenvolver
esse tipo de software ainda é limitada, sendo, por isso, necessário intenso
investimento na área. Ainda de acordo com o estudo do Ipea, o Brasil possui
atualmente uma das infraestruturas de rede “mais vulneráveis e desprotegidas do
mundo”, além do país não possuir um documento que “estabeleça as diretrizes
próprias de uma estratégia nacional para a defesa cibernética”. (Correio
Braziliense – 14/09/13; O Estado de S. Paulo – Notas & Informações –
17/09/13)
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
Denúncia de espionagem estadunidense causa reação do governo brasileiro
Segundo os jornais Correio Braziliense, Folha de S. Paulo e O Estado de
S. Paulo, no dia 02/09/13, a presidenta da República, Dilma Rousseff, se reuniu
em caráter de emergência com os ministros das Relações Exteriores, Luiz Alberto
Figueiredo, da Defesa, Celso Amorim, das Comunicações, Paulo Bernardo, da
Comunicação Social, Helena Chagas e o secretário-geral da Presidência da
República, Gilberto Carvalho. A reunião teve como tema as denúncias de
espionagem por parte da Agência de Segurança Nacional estadunidense (NSA, sigla
em inglês) sobre as relações de Rousseff com seus assessores e colegas de
governo. No mesmo dia, Figueiredo pediu explicações ao então embaixador dos
Estados Unidos da América (EUA) no Brasil, Thomas Shannon, o qual tomou nota
das reclamações brasileiras e se comprometeu a informar a Casa Branca. Além
disso, segundo os jornais, a visita de Rousseff aos Estados Unidos, prevista
para o dia 23/10/13, poderá ser adiada ou cancelada, devido à situação de desconforto criada entre os dois países.
A presidenta cancelou o envio da equipe que iria para Washington no dia
07/09/13 com objetivo de preparar sua visita ao país. Também foi noticiado que
a presidenta estuda abordar o assunto da espionagem feita pela NSA em seu
discurso de abertura da próxima Assembleia-Geral Ordinária da Organização das
Nações Unidas (ONU). Rousseff determinou, ainda, que o ministério das Relações
Exteriores procure o apoio da Rússia, Índia, China e África do Sul para que se
manifestem de forma conjunta contra ações que ameacem a soberania dos países.
Além disso, Rousseff pretende fomentar uma adequação na legislação brasileira a
fim de suspender a licença de funcionamento de empresas que cooperaram com a
espionagem internacional. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou
que a espionagem seria uma “violação inadmissível” à soberania nacional. De acordo com a Folha, as ações dos EUA se
revelam inamistosas, pois violam o direito internacional e depreciam a
soberania brasileira. Em coluna opinativa para a Folha, o jornalista Carlos
Heitor Cony relembrou que às vésperas da tomada de poder pelos militares, em
1964, o governo estadunidense já estava a par da situação que o Brasil
enfrentaria, isso graças à espionagem. Além disso, a Folha defendeu em
editorial que o Brasil precisa reagir às denúncias, e “começar a criar
desconforto para países que se deixam apanhar em situação embaraçosa”. O
Correio afirmou que o Brasil e outros países facilitaram a ação de espionagem
pelos EUA, já que não destinaram atenção adequada ao relatório do Parlamento
Europeu divulgado em 2000 com dados sobre o programa Echelon, o qual deu origem
NSA. Frente às denúncias, o Senado Federal instalou no dia 04/09/13 uma
Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar se houve de fato
espionagem sobre os cidadãos e o governo brasileiros. Além disso, o jornal
Folha de S. Paulo informou que foi criado um comitê interministerial em
resposta às denúncias de espionagem por parte NSA. O comitê é formado por
representantes dos ministérios de Relações Exteriores, Casa Civil, Ciência e
Tecnologia, Comunicações e Defesa, e tem como objetivo buscar formas de reação.
Dentre as iniciativas nacionais está a criação de um sistema nacional de e-mail
e a proposta de inclusão da obrigatoriedade de armazenamento de dados para
empresas de internet no país, previsto no projeto de lei do Marco Civil da
Internet. Segundo a Folha, a proposta de criação de um órgão multilateral para
gerir a internet parece ser difícil de vingar, pois o sistema de domínio, o
gerenciamento de IPs e a gestão de servidores-raiz são de responsabilidade da
empresa estadunidense Icann. De acordo com o periódico, o Brasil almeja ter um
servidor-raiz, que funcionaria como ponto de troca de tráfego de informação e
seria o primeiro no hemisfério Sul, evitando assim a utilização das plataformas
americanas. (Correio Braziliense – 03/09/13; Correio Braziliense – 05/09/13;
Folha de S. Paulo – Mundo – 02/09/13; Folha de S. Paulo – Poder – 03/09/13;
Folha de S. Paulo – Mundo – 03/09/13; Folha de S. Paulo – Opinião – 03/09/13;
Folha de S. Paulo – Poder – 05/09/13; O Estado de S. Paulo – Política –
03/09/13)
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
Assuntos estratégicos são alvos de espionagem cibernética
De acordo com o jornal
Correio Brasiliense, em encontro
realizado na capital federal, Brasília, entre o secretário de Estado
estadunidense, John Kerry, e o ministro das Relações Exteriores brasileiro,
Antonio Patriota, discutiu-se a questão da fragilidade das comunicações e da
espionagem. Informações importantes do Estado brasileiro foram expostas, como,
por exemplo, detalhes do projeto FX-2, que visa modernizar a Força Aérea
Brasileira. O mesmo assunto foi tratado pelo analista de assuntos estratégicos
do Brasil, André Luis Woloszyn, em entrevista ao Correio, o qual afirmou que a compra dos novos caças e os detalhes
referentes ao submarino nuclear brasileiro são assuntos de interesse
estratégico, sendo alvos de espionagem cibernética de Estado. O Correio informou ainda que
no dia 22/08/13 realizou-se, na Comissão de Relações Exteriores e Defesa
Nacional do Senado Federal, uma audiência pública, na qual os militares
alegaram que o orçamento de R$ 200 milhões disponibilizado para o Sistema de
Monitoramento de Fronteiras (Sisfron) em 2014, não é suficiente para manter
o projeto. O comandante do Centro de Comunicações e Guerra Eletrônica do Exército e
general da divisão, Antonino dos Santos Guerra Neto, alegou que, com essa
quantia, o projeto levará 60 anos para ser executado. Segundo o general de
divisão e gerente da iniciativa, João Robert de Oliveira, serão necessários R$
553 milhões. (Correio Braziliense –
17/08/13; Correio brasiliense – 23/08/13)
sexta-feira, 26 de julho de 2013
Defesa cibernética IV: Jornais relembram casos de espionagem praticados contra o Brasil
Em
coluna opinativa para a Folha de S. Paulo, Carlos Heitor Cony relembrou
episódios envolvendo interferências do governo estadunidense na política
brasileira. O primeiro foi o monitoramento, pelo serviço de inteligência dos
Estados Unidos (EUA), de conversas entre o ex-presidente da República Juscelino
Kubitschek e o general e ex-ministro da Guerra, Jair Dantas Ribeiro, nas
vésperas do golpe que deu origem ao regime militar brasileiro (1964-1985).
Outro grande momento lembrado pelo colunista se deu em 1954, quando a Agência
Central de Inteligência norte-americana (em inglês, CIA) rastreou, na cidade do
Rio de Janeiro, qualquer indício que pudesse ser usado para a retirada do
presidente da República, Getúlio Vargas, do poder. Para evitar isso, oficiais
da Aeronáutica blindaram a sede do governo com equipamentos tecnológicos de
primeira linha. O Correio Braziliense, por sua vez, relembrou a escuta
clandestina encontrada no gabinete de trabalho do então presidente da República
(1979-1985), general João Figueiredo. Na época, o presidente havia sido aconselhado
por assessores a trocar a decoração de seu gabinete; foi ao fim dessa obra que
uma minuciosa varredura localizou uma escuta clandestina, apesar do rigor e
vigilância do regime militar no poder. (Correio Braziliense – 13/07/13; Folha
de S. Paulo – Opinião – 16/07/13)
Defesa cibernética III: Ministro das Relações Exteriores considera esclarecimentos dos Estados Unidos sobre espionagem insuficientes
De
acordo com os periódicos Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo, o ministro
das Relações Exteriores Antônio Patriota considerou os esclarecimentos
estadunidenses sobre os casos de espionagem no Brasil “insuficientes”. Segundo
os jornais, um grupo técnico formado por representantes de ministérios como
Justiça, Defesa, Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e Ciência e
Tecnologia, além do próprio Itamaraty, foi responsável por solicitar mais esclarecimentos
ao governo estadunidense. Ainda foi ressaltado que o embaixador dos Estados
Unidos da América (EUA) no Brasil, Thomas Shannon, informou ao senador e
presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Ricardo Ferraço, que
aguarda autorização da Casa Branca para depor no Congresso Nacional.
Entretanto, a Folha apurou, em investigações independentes, que Shannon
“recusou o convite da Comissão por achar que as denúncias de Edward Snowden –
ex-funcionário de agência de inteligência que denunciou o esquema de espionagem
cibernética norte-americana – foram tiradas do contexto, têm erros factuais e
ganharam conotação ‘espetaculosa’". De acordo com O Estado, Ferraço
lembrou que Shannon “conta com imunidade diplomática, o que o desobrigaria de
comparecer ao Congresso brasileiro”. (Folha de S. Paulo – Mundo – 16/07/13; O
Estado de S. Paulo – Internacional – 16/07/13)
Defesa cibernética II: Debate sobre a execução eficaz de proteção da informação
Conforme
publicado no jornal O Estado de S. Paulo, o ministro da Defesa, Celso Amorim,
admitiu, em audiência pública no Senado Federal, que o Brasil possui
“vulnerabilidades na defesa cibernética”, após a divulgação de documentos que
comprovariam que os Estados Unidos tiveram acesso a inúmeros dados e registros
de acesso de cidadãos brasileiros. A “desvantagem tecnológica” é a
justificativa do governo para essa vulnerabilidade. Segundo o jornal, Amorim
declarou que o país é dependente de tecnologia de outros países, após a
presidenta da República, Dilma Rousseff, ter afirmado que não toleraria
violação da soberania nacional. De acordo com O Estado, o governo brasileiro
baseia-se em um conceito de soberania “fundado na premissa da regulação pela
territorialidade”, onde a “defesa cibernética” serviria de argumento para
implementar mecanismos de controle do tráfego de dados no Brasil, o que
alteraria a lógica da internet como um “ambiente livre e aberto”. Para O
Estado, o investimento na independência tecnológica no que se refere a defesa
cibernética não solucionaria casos de espionagem, pois, além disso, seria
preciso a aprovação de aparatos jurídicos de proteção aos cidadãos, como o
Marco Regulatório Civil e a Lei de Proteção de Dados Pessoais no âmbito
interno, bem como a discussão para a implementação de um marco regulatório
supranacional. De acordo com o jornal Correio Braziliense, o coordenador do
curso de direito eletrônico da Escola Paulista de Direito, Renato Opice Blum,
afirmou que é muito difícil prevenir a espionagem, mas, “tecnicamente, alguns
parâmetros podem ser usados para dificultá-la”, além disso, reafirmou o que
outros especialistas defendem: a necessidade de uma regulamentação sobre o tema
no âmbito internacional. Já, de acordo com o diretor de projetos especiais e de
desenvolvimento do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR, órgão ligado
ao Comitê Gestor da Internet no Brasil, Milton Kaoru Kashiwakura, para se
proteger da espionagem, seria preciso “evitar a exposição excessiva de dados
críticos, ampliar a infraestrutura de telecomunicações, usar a criptografia
sempre que possível e não instalar equipamentos menos confiáveis em locais
críticos da rede”. O Correio mencionou ainda que, logo após as denúncias de
espionagem, Rousseff sugeriu que os dados de brasileiros armazenados pelo
Google fossem guardados no Brasil, mas Blum alerta que a empresa não aceitaria
isso, uma vez que todo o seu investimento encontra-se nos Estados Unidos. Sendo
assim, segundo o especialista, “algum monitoramento sempre vai haver, quer as
pessoas gostem ou não”. De acordo com o presidente da Associação Brasileira de
Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint), Basílio Pérez, “o Brasil
tem condições de se resguardar e de usar provedores regionais para guardar os
dados, além de Data Centers instalados aqui”, e afirmou ainda que, se uma cópia
dos dados das pessoas ou empresas ficasse no Brasil, essa cópia estaria sujeita
às leis brasileiras. Entretanto, de acordo com o Correio e O Estado, o governo
brasileiro tem se preocupado, no momento, em garantir o andamento do projeto de
criação do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas
(SGDC) e a construção de dois cabos óticos submarinos que ligarão
Uruguai-Brasil-África-Europa e Brasil-Caribe-Europa. A intenção desses cabos
seria evitar o tráfego de informações pelos Estados Unidos, dificultando assim
a espionagem de agências de inteligência estadunidenses. De acordo com O
Estado, por não possuir seu próprio satélite de comunicação militar, o governo
brasileiro atualmente arca com um custo anual de R$ 14 milhões com o aluguel
dos serviços da empresa mexicana Telmex. Segundo o jornal, o episódio das
denúncias de espionagem devem ser fundamentais para que não haja mais atrasos
na licitação para a construção do satélite brasileiro, que, segundo previsões,
deverá iniciar suas operações em abril de 2016. Em coluna opinativa para o
Correio, Tereza Cruvinel argumentou que o Brasil negligenciou questões de
segurança cibernética por décadas, além da precariedade atual que não permite a
identificação dos materiais que podem ter sido violados. Cruvinel ainda mencionou
que uma das maiores preocupações tem sido a segurança de dados militares
estratégicos, ainda que as Forças Armadas tenham divulgado que não existem
indícios de violação, e destacou ainda o caso da Argentina, que possui
satélites próprios e uma empresa para geri-los. (Correio Braziliense –
15/07/13; Correio Braziliense – 16/07/13; O Estado de S. Paulo – Aliás –
14/07/13; O Estado de S. Paulo – Internacional – 15/07/13)
Defesa cibernética I: O baixo investimento brasileiro
Segundo o jornal Folha de S. Paulo, o governo
brasileiro gastou somente R$ 8 milhões em defesa cibernética no ano de 2013,
cerca 8,9% dos R$ 90 milhões destinados a essa área no ano. De acordo com o
periódico, boa parte desses recursos utilizados não foi destinada a iniciativas
com “relação direta com segurança de redes de informações estratégicas”. Quase
metade destinou-se à compra de jipes militares e cabines para a instalação de
estações de comunicação, recurso que permite a transmissão de imagens e acesso
a internet mesmo em locais remotos, o que, de acordo com o jornal, não possui
relação direta com a prevenção de ataques cibernéticos ou espionagem de fluxo
de dados. Outros gastos incluem a compra de equipamentos e acessórios para a
segurança do prédio do Centro de Inteligência do Exército, em Brasília. O
estimulo à capacitação de profissionais, que é uma das funções do Sistema de
Defesa Cibernética, também foi considerado pequeno. Segundo a Folha, o Comando
do Exército afirmou, em nota, que os jipes e cabines são unidades móveis de
comunicação que “atuarão em rede”, o que é previsto no propósito da estratégica
cibernética. Em relação a capacitação de profissionais da área, o Exército
declarou que tem investido em cursos e outros eventos, no Brasil e no exterior,
“ao longo dos últimos anos, e não somente em 2013”. De acordo com a Folha, o
gasto previsto na área de defesa cibernética pelo governo brasileiro até 2035 é
de R$ 840 milhões, o que representa menos de 0,5% dos R$ 208 bilhões destinados
aos gastos considerados prioritários pelo Exército no período, de acordo com o
Livro Branco de Defesa Nacional. O Ministério da Defesa declarou que os valores
que constam no Livro Branco são apenas “projeções” e o gasto real poderá ser
maior. Segundo o periódico, entre os projetos previstos com esse orçamento está
a implantação da “estrutura de planejamento e execução da segurança
cibernética", da "estrutura de pesquisa científica" e “a criação
de uma Escola Nacional de Defesa Cibernética e o desenvolvimento do chamado
rádio definido por software”. (Folha de S. Paulo – Mundo – 14/07/13)
quarta-feira, 26 de junho de 2013
Celso Amorim fala sobre defesa cibernética
Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, o
ministro da Defesa, Celso Amorim, afirmou que o sistema de espionagem dos
Estados Unidos (EUA) preocupa não somente o Brasil, mas outros países. Para
ele, apenas pessoas em posições-chaves podem estar sendo monitoradas pelo
sistema de vigilância. Amorim crê que foi alvo de escutas telefônicas quando
era embaixador do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU), e cuidava de
três comissões sobre o Iraque. Entretanto, o ministro não pediu uma
investigação sobre o caso, porque seu trabalho nessas comissões era de
conhecimento público. Por causa disso, Amorim defende que o Brasil invista em
“defesa cibernética”, evitando assim que os sistemas brasileiros sejam
invadidos. Segundo o ministro, foi com esse intuito que se criou o Centro de
Defesa Cibernética do Exército, mesmo com poucos recursos (R$ 70 milhões). Para
Amorim, os gastos com defesa tem sido razoáveis partindo de um contexto de dificuldades,
pois hoje o país investe 1,5% do seu produto interno bruto (PIB) na área,
podendo chegar a 2% nos próximos dez anos. Além disso, o ministro enfatizou a
necessidade de defesa para a região cujo objetivo seja a proteção dos recursos
naturais, que podem se tornar alvo de cobiça externa. (Folha de S. Paulo –
Mundo – 21/06/13)
sexta-feira, 22 de março de 2013
Exército inicia preparação para combater eventuais ataques cibernéticos
Nos
últimos anos, as Forças Armadas brasileiras passaram a considerar em seu
preparo um adversário não tradicional: a guerra cibernética. Conforme publicado
pelo jornal Correio Braziliense, em
pesquisa realizada pela empresa norte-americana Norton, o Brasil figura entre
os maiores propagadores de virus e spam na rede mundial de computadores,
perdendo, em 2011, apenas para China, África do Sul e México, e se expondo a
uma vulnerabilidade virtual que causa prejuízos estimados em aproximadamente
U$15 bilhões. Tendo em vista o intenso fluxo de dados na rede em razão dos
eventos internacionais de grande porte que o país sediará nos próximos quatro anos
– a Copa das Confederações em 2013, a Copa do Mundo
em 2014, e as Olimpíadas em 2016 –, o governo federal deverá investir
cerca de R$400 milhões no setor de defesa cibernética; deste montante, 41% será
destinado ao planejamento da segurança. De acordo com o jornal, o país até hoje
não sofreu ataques militares cibernéticos – que envolvem desde a invasão de um site oficial de um órgão do governo até a
tomada do controle de uma central energética por meio da rede de computadores –
mas casos como o do ataque sofrido pelo Irã, em 2010, servem de alerta ao
Brasil. O Irã foi considerado vítima do primeiro ataque militar cibernético
(atribuído pelo país a inimigos como os Estados Unidos e o Iraque), quando, em
2010, o vírus Stuxnet infectou os sistemas de operação de uma usina de
enriquecimento de urânio, atrasando o programa nuclear do país. Conforme
explicou o tenente-coronel Márcio Ricardo Fava, comandante do Centro de
Instrução de Guerra Eletrônica do Exército (Cige), “Indivíduos e países
deixaram de ver a internet apenas como instrumento de cultura, comércio e
informação, mas [passaram a vê-la] como uma arma para afetar possíveis
adversários”. Assim, a fim de combater adequadamente em caso de eventual
guerra cibernética, o Exército adotou um programa de computador que permite
treinar os militares para reagir em caso de ataques a redes eletrônicas
brasileiras. O Simulador Nacional de Operações Cibernéticas (Simoc), que foi
apresentado pelo Centro de Comunicações e Guerra Eletrônica (CCGE) do Exército
no dia 23/01/13, custou R$5 milhões e foi produzido com tecnologia brasileira
pela empresa nacional Decatron. O programa cria cenários fictícios de ataques
que requerem dos militares soluções, desenvolvendo meios de conter uma eventual
ofensiva real. De acordo com o diretor de negócios da Decatron, Bruno Melo, os
crimes cibernéticos atualmente movimentam mais dinheiro do que o tráfico de
drogas. Como citou o jornal, este inimigo faz parte de um novo tipo de
conflito, sem armas letais, mas com potencial nocivo a países da mesma forma
que os conflitos tradicionais e “com o crescimento do
Brasil, tornando-se uma potência, acabamos virando possíveis alvos”, como
ressaltou o comandante do CCGE, general Antonino dos Santos Guerra Neto.
(Correio Braziliense – 23/01/12).
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