Segundo
o periódico Correio Braziliense, a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça
entregou, no dia 09/09/14, os documentos relativos ao ex-aluno de geologia da
Universidade de Brasília (UnB) e ex-presidente da União Nacional dos Estudantes
(UNE), Honestino Guimarães ao Ministério Público Federal (MPF). A análise do
material possibilitará ao MPF tomar providências, como a investigação das
circunstâncias do desaparecimento de Guimarães durante o regime militar
(1964-1985) e a instauração de um inquérito criminal. Em 2013, de acordo com o
Correio, Guimarães foi anistiado e, no mesmo julgamento, determinou-se como a
causa de sua morte “atos de violência praticados pelo Estado brasileiro por
motivação exclusivamente política”. Segundo o presidente da Comissão de Anistia
e secretário Nacional de Justiça, Paulo Abraão, não foi a primeira vez que a
comissão entregou documentos à Procuradoria-Geral da República (PGR), mas esta
é a primeira vez em que o fizeram espontaneamente, marcando uma nova política
de cooperação entre os dois órgãos. Abraão afirmou que, a partir de agora,
sempre que a comissão receber documentações que comprovem o cometimento de
crimes contra a humanidade, os encaminhará à PGR. Essa mudança de postura
ocorreu duas semanas após o envio, ao Supremo Tribunal Federal, pelo
procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de um parecer contrário à Lei de
Anistia (1979), o qual defendeu que crimes contra a humanidade são
imprescritíveis e não podem ser anistiados. O procurador da República e
coordenador do Grupo de Trabalho Justiça de Transição do MPF, Ivan Cláudio Marx
relatou que existem, atualmente, 200 investigações em andamento, e nove ações
penais ajuizadas sobre crimes cometidos por agentes de Estado durante o regime
militar. (Correio Braziliense – 10/09/14)
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terça-feira, 16 de setembro de 2014
terça-feira, 1 de julho de 2014
Autobiografia José Serra narra episódios do regime militar
De acordo com o periódico Folha de S. Paulo, o
ex-governador do estado de São Paulo, José Serra, lançou sua autobiografia,
“Cinquenta Anos Esta Noite”, referente ao período do regime militar
(1964-1985). Ao relatar episódios ocorridos entre 1963 e 1977, Serra recordou
que, enquanto presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), convocou a
população brasileira a formar uma resistência à tomada de poder pelos militares
em 1964, quando estava escondido na Baixada Fluminense, na cidade do Rio de
Janeiro. Segundo a Folha, o relato é significativo, pois foi “quase um milagre”
que Serra tenha sobrevivido, visto que ocupava um papel de destaque na luta
contra o regime militar, como presidente da UNE, quando essa possuía um grande
peso político. A Folha afirmou que a obra pode ser vista também como uma
importante contribuição na medida em que conta com interpretações referentes
aos eventos que marcaram o início do regime militar no Brasil. Entretanto, de
acordo com o periódico, a autobiografia peca ao apresentar seu autor como possuidor
de “uma infalível capacidade de antevisão”, na medida em que Serra afirmou que
em 1963 já não acreditava no dispositivo militar do então presidente João
Goulart, o qual se mostrou inexistente em 1964 e que não era crente na
possibilidade de uma saída negociada para a situação. Ainda segundo o jornal, a
obra abrange o exílio de Serra no Chile e, posteriormente, nos Estados Unidos.
(Folha de S. Paulo – Poder – 21/06/14; Folha de S. Paulo – Poder – 24/06/14)
segunda-feira, 7 de abril de 2014
Principais acontecimentos dos governos do regime militar
De acordo com o periódico
Correio Braziliense, o modo mais simples, para efeitos didáticos, de se
compreender o regime militar (1964-1985) consiste em uma revisão dos governos
de cada general e seus mais importantes feitos. O governo de Castello Branco
(1964-1967) deu início à repressão das manifestações e fechou entidades como o Comando
Geral dos Trabalhadores e a União Nacional dos Estudantes (UNE). Através do Ato
Institucional 2, realizou a substituição dos 13 partidos existentes por apenas
dois, Arena e Movimento Democrático Brasileiro (MDB), que representavam
respectivamente os aliados do governo e a oposição. O Ato Institucional 3
tornou indiretas as eleições para governador e posteriormente a Constituição de
1967 fez o mesmo com as eleições para presidente da República. Instituiu-se a
Lei de Imprensa e a Lei de Segurança Nacional e criou-se Serviço Nacional de
Informações. O general Costa e Silva (1967-1969) aprofundou a repressão do
governo e com o Ato Institucional 5 (AI-5), garantindo plenos poderes ao
presidente para fechar o parlamento e caçar políticos, formalizando a repressão.
Naquele período, os protestos estudantis multiplicaram-se e as organizações de
esquerda deram início à luta armada. Após a morte de Costa e Silva, uma Junta
Militar assumiu a presidência. O governo de Emílio Garrastazu Médici
(1969-1974) foi marcado pela intensificação da repressão com a utilização do
Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa
Interna (DOI-Codi), do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) e da
Polícia Federal. Médici criou centros de repressão e foi responsável pela
Operação Bandeirantes, pela destruição da guerrilha do Araguaia e pelo chamado
“milagre brasileiro”. Posteriormente, o general Ernesto Geisel (1974-1979)
anunciou o início dee “uma abertura lenta, gradual e segura” do regime militar.
Entretanto, a Lei Falcão e o Pacote de Abril representaram um retrocesso dessa
política. O último general na presidência, João Baptista Figueiredo
(1979-1985), afirmou que levaria o país à democracia e aprovou a Lei da Anistia
em 1979. Durante seu governo ocorreram os movimentos das Diretas Já. Na análise
sobre regime militar, o Correio destacou a edição do AI-5, a oposição da
população, a luta armada e o período de transição como pontos cruciais. Segundo
o jornal, o AI-5 é considerado por alguns historiadores como o início “da
verdadeira ditadura”, quando a linha dura dos militares passou a ser hegemônica
no regime e teve início a “guerra suja” contra a oposição. O partido de
oposição, MDB, foi sempre presente na resistência, embora variando entre
momentos mais moderados e mais incisivos. O Correio ressaltou que as
organizações de esquerda migraram para luta armada após o aumento de repressão
em 1968, e a maior parte dos guerrilheiros que a compunham foi perseguida,
torturada e morta. A transição teve início com a revogação
do AI-5 e aprovação da Lei da Anistia, período em que a imagem do Brasil no
exterior se deteriorava devido às constantes denúncias de tortura; e o
movimento das Diretas Já acelerou o processo de transição. (Correio Braziliense
– Política – 01/04/14)
Colunista relembra dia da tomada de poder pelos militares
No periódico O Estado de S. Paulo, o
colunista Arnaldo Jabour publicou um texto sobre a tomada de poder de 1964
escrito em 2010. No artigo, Jabour relembrou que no dia em que os militares
chegaram ao poder no Brasil, ele se encontrava nas dependências da União
Nacional dos Estudantes (UNE), na cidade do Rio de Janeiro, que foi atacada e
incendiada pelos estudantes de direita da Pontifícia Universidade Católica.
Segundo Jabour, no momento anterior ao golpe, o sentimento era de felicidade,
pois se esperava que o socialismo fosse implantado no Brasil sem luta armada,
com a ajuda do então presidente João Goulart, e que a classe média estivesse
“ao lado do povo”. O colunista afirmou que naquele dia, ao caminhar pelas ruas
e observar os tanques do Exército e as velas acesas nas janelas da cidade de
“luto contra Jango”, concluiu que a direita estava no poder. (O Estado de S.
Paulo – Caderno 2 – 01/04/14)
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
Ex-presidente da União Nacional dos Estudantes recebe anistia post mortem
De
acordo com o jornal Correio Braziliense, o ex-presidente da União Nacional dos
Estudantes (UNE), Honestino Guimarães foi anistiado post mortem pela Comissão
de Anistia do Ministério da Justiça. O presidente da Comissão e secretário
nacional de Justiça, Paulo Abrão, avaliou que o gesto foi um dos mais
importantes da história da Comissão, pois trata-se de um pedido de desculpas
públicas à família de Guimarães “pela perseguição que ele sofreu em vida e
posteriormente pela responsabilidade do Estado no seu desaparecimento” e a
todos os estudantes perseguidos pelo regime militar (1964-1985). Cristiano
Paixão, um dos coordenadores da Comissão Anísio Teixeira de Memória e Verdade
da Universidade de Brasília (UnB), esclareceu que o ato manifesta uma mudança
na interpretação do conceito de perdão político por não se tratar de reparação
econômica. O sobrinho de Guimarães, Mateus Guimarães, ressaltou que a questão
não tem apenas importância histórica, mas mantém um caráter atual tendo em
vista a “lógica da opressão e repressão” mantida pela polícia nas recentes
manifestações. Segundo o jornal, o reconhecimento público da responsabilidade
do Estado na perseguição de Guimarães, além de não ter tido efeito
indenizatório, não esclareceu as circunstâncias de seu desaparecimento. O
estudante, que viveu cinco anos na clandestinidade entre as cidades de
Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro, desapareceu no dia 10/10/73. Há apenas
indícios de que ele tenha sido levado à Brasília e entregue ao Pelotão de
Investigações Criminais do Exército. O ex-coordenador da Comissão Nacional da
Verdade, Cláudio Fonteles, comentou que as investigações do caso são
excepcionalmente difíceis, pois não foi encontrado nenhum documento relevante
sobre a prisão do estudante no banco de dados do Arquivo Nacional. A cerimônia
de concessão de anistia post mortem se realizou na UnB, no dia 20/09/13. Na
ocasião, também foram homenageados professores, estudantes e funcionários da
universidade perseguidos pelos militares. O Correio ainda esclareceu que a Lei
da Anistia (1979) “permite o perdão para torturados e torturadores, ou seja,
legitima a impunidade dos que agiram em nome do Estado”. Além disso, a Lei n°
9.140, de 4 de dezembro de 1995, “reconhece como mortas pessoas desaparecidas
em razão de participação ou de acusação de envolvimento em atividades políticas
entre 2 de setembro de 1961 e 5 de outubro de 1988”. (Correio Braziliense –
14/09/13)
quarta-feira, 26 de junho de 2013
Grupo teatral agiu contra o regime militar
Em coluna para o
jornal Folha de S. Paulo, o poeta
Ferreira Gullar relembrou a contribuição da classe teatral para a realização da
Passeata dos Cem Mil. Gullar afirmou que o show “Opinião”, que deu origem ao
Grupo Opinião, foi o primeiro espetáculo a contestar o regime militar
(1964-1985). O Grupo, ligado à União Nacional dos Estudantes (UNE), aproveitou
a falta de censura voltada ao teatro para mobilizar a classe teatral. Com o
aumento da censura, a classe teatral e intelectuais de diferentes áreas se
reuniram clandestinamente e planejaram uma manifestação de caráter massivo. Com
o apoio de Vladimir Palmeira,, na época militante de esquerda, mobilizaram
diversos setores da sociedade e realizaram a primeira grande manifestação
contra o regime militar: a Passeata dos Cem Mil, em 1968. (Folha de S. Paulo – Ilustrada
– 16/06/13)
quarta-feira, 8 de maio de 2013
Comissão de Anistia I: tem início processo de anistia dos participantes presos no congresso da UNE de 1968
Segundo o jornal Folha de S. Paulo, o governo
acelerará o processo de anistia política dos líderes estudantis detidos no 30º
Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), na cidade de Ibiúna, estado
de São Paulo, em 1968. Serão anistiados aqueles que deram entrada ao processo
através da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, responsável por julgar
os pedidos de indenização referentes aos perseguidos pelo regime militar
(1964-1985) no Brasil. De acordo com a Folha, a ação se realizará no
aniversário de 45 anos do ocorrido, entre os dias 14 e 16 de junho de 2013 no
congresso da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP) em Ibiúna. O
jornal relembrou que a UNE foi considerada ilegal desde a tomada de poder pelos
militares em 1964, e o referido congresso foi organizado de maneira
clandestina. A descoberta por parte dos militares levou à prisão todos os
presentes no evento, mais de 700 pessoas, que foram levadas às instalações do
Departamento de Ordem Política e Social (Dops) e ao presídio Tiradentes. (Folha
de S. Paulo – Poder – 27/04/13)
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