Segundo o jornal
Correio Braziliense, o Supremo Tribunal Federal (STF) retomou o caso sobre a
morte do ex-deputado Rubens Paiva durante o regime militar (1964-1985). O
ministro Teori Zavaski autorizou o pedido feito pelo Ministério Público (MP) de
antecipação de depoimentos para a produção de provas contra militares suspeitos
de envolvimento na morte do ex-deputado, sob a acusação de homicídio e
ocultação de cadáver. De acordo com o Correio, o MP fez o pedido para
resguardar provas, temendo que alguns depoentes falecessem por possuírem idade
avançada, como é o caso de Inês Etienne Romeu, falecida no mês de abril de
2015, que era a única sobrevivente da chamada “Casa da Morte”, localizada na
cidade de Petrópolis, no Rio de Janeiro. A oitiva antecipada das testemunhas
foi solicitada após militares denunciados em 2014 pela procuradoria, como o
general Antônio Nogueira Belham, entrarem com uma reclamação no STF distribuída
a Zavaski, alegando não poder ser denunciados pelo MP por conta da Lei da
Anistia (1979). Segundo o periódico, na ocasião, o magistrado suspendeu o
processo na Justiça Federal do Rio de Janeiro. Uma das testemunhas a ser ouvida
é Marilene Corona Franco, à época estudante de psicologia e exilada no Chile
quando, em 1971, encarregada de entregar cartas a Paiva na prisão, foi presa
antes de desembarcar do avião. Outra testemunha é o major da Polícia Militar
Riscala Corbage. (Correio Braziliense – Brasil – 27/09/15)
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quarta-feira, 7 de outubro de 2015
quarta-feira, 19 de agosto de 2015
Livro abordou o desaparecimento do ex-deputado federal Rubens Beyrodt Paiva durante o regime militar
De acordo com o
jornal Folha de S. Paulo, o novo livro autobiográfico de Marcelo Rubens Paiva,
intitulado Ainda Estou Aqui, aborda o desaparecimento do seu pai, o ex-deputado
federal Rubens Beyrodt Paiva, durante o regime militar (1964-1985). Segundo o
jornal, em 20/01/71, Paiva foi retirado de sua casa e levado ao Destacamento de
Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi)
onde foi torturado e morto na madrugada do dia seguinte e, posteriormente,
esquartejado e enterrado em área pertencente à Marinha. A esposa e a filha do
ex-deputado foram levadas encapuzadas ao DOI-Codi, para responder perguntas. A
esposa ficou presa por 12 dias, durante os quais era chamada para ver fotos. O
autor especulou, no livro, se a mãe e a irmã foram levadas para pressionar o
pai a falar ou se apenas foram usadas para reconhecer fotos de procurados com o
intuito de identificar contatos do ex-deputado. Ele afirmou que a morte do pai
parece não ter fim e lembrou que a Lei da Anistia (1979) perdoou crimes
cometidos durante o período. Segundo o periódico, o livro “é uma resposta para
quem pede pela volta dos militares nas ruas de hoje: ‘vocês não sabem o que é
ditadura’”. (Folha de S. Paulo – Ilustrada – 08/08/15)
quarta-feira, 15 de julho de 2015
Estados Unidos recebeu informações privilegiadas sobre desaparecidos políticos do regime militar
Segundo o jornal
Folha de S. Paulo, documentos secretos da década de 70 recentemente liberados
para consulta atestaram que o governo dos Estados Unidos (EUA) recebeu
informações privilegiadas sobre o destino de pelo menos três desaparecidos
políticos durante o regime militar brasileiro (1964-1985). Trata-se do
ex-deputado federal Rubens Paiva e dos militantes de esquerda Stuart Edgard
Angel Jones e Virgílio Gomes da Silva. Os documentos integram um acervo de 538
documentos que tiveram seu sigilo desclassificado parcial ou totalmente pelo
governo do presidente estadunidense Barack Obama em decorrência da viagem da
presidenta da República, Dilma Rousseff, aos EUA. Os papéis foram entregues à
Casa Civil e serão liberados para consulta no site do Arquivo Nacional. De
acordo com o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, é "interessante
ver como os órgãos de segurança do Estado americano tinham conhecimento do
aparato repressivo. Impressiona o conhecimento detalhado que tinham desses
crimes". Sob o comando de Mercadante está uma assessoria da Comissão Nacional
da Verdade encarregada de organizar os documentos inéditos. (Folha de S. Paulo
– Poder – 09/07/15)
terça-feira, 7 de outubro de 2014
Supremo Tribunal Federal suspendeu ação contra militares no caso Rubens Paiva
De
acordo com os jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo, o ministro do
Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, suspendeu a ação penal contra
cinco militares – José Antonio Nogueira Belham, Rubens Paim Sampaio, Raymundo
Ronaldo Campos, Jurandyr Ochsendorf e Jacy Ochsendorf – acusados de
envolvimento na morte e desaparecimento do ex-deputado Rubens Paiva durante o
regime militar (1964-1985). De acordo com a Folha, a defesa dos militares
alegou que a Lei da Anistia (1979) impede a abertura do processo criminal e
ressaltou que a necessidade de prestar depoimentos causaria “desgaste físico e
emocional” aos militares idosos e “com graves problemas de saúde”. O jornal
destacou que a decisão da Justiça Federal do Rio de Janeiro, ao considerar os
delitos praticados durante o regime militar como crimes contra a humanidade e,
portanto, não perdoados pela Lei da Anistia, fora inédita. No entanto, segundo
O Estado, Zavascki considerou que a abertura do processo seria “incompatível’’
com decisão tomada pelo STF em 2010, a qual reconheceu a validade da Lei de
Anistia. Como consequência do despacho, os depoimentos agendados para as
próximas semanas não acontecerão e o caso será enviado ao Ministério Público
Federal. De acordo com a Folha, espera-se que o procurador-geral da República,
Rodrigo Janot, envie parecer favorável à continuidade da ação contra os
militares, visto que recentemente se declarou favorável à revisão da Lei da
Anistia. (Folha de S. Paulo – Poder – 30/09/14; O Estado de S. Paulo – Política
– 30/09/14)
terça-feira, 23 de setembro de 2014
Busto de Rubens Paiva foi inaugurado
Marcos de Paula, Estadão. Busto foi colocado em praça diante de quartel onde Rubens Paiva foi torturado. O Estado de S. Paulo, 13 set 2014.
terça-feira, 16 de setembro de 2014
Praça em frente ao antigo Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna recebeu o busto de Rubens Paiva
WILTON
JUNIOR/ESTADÃO.
Obra.
Escultor Edgar Duvivier em seu ateliê com o busto do ex-deputado Rubens Paiva.
O
Estado de S. Paulo, São Paulo, 10 set 2014, P11.
terça-feira, 9 de setembro de 2014
Ação penal do caso de Rubens Paiva foi suspensa
De
acordo com os jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo, o desembargador
do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, Messod Azulay Neto, suspendeu, no
dia 02/09/14, a ação penal contra cinco militares reformados do Exército
acusados de participar do homicídio e da ocultação do cadáver do ex-deputado
Rubens Paiva, durante o regime militar (1964-1985). Os acusados acusados eram
José Antonio Nogueira Belham, Rubens Paim Sampaio, Jurandyr Ochsendorf e Souza,
Jacy Ochsendorf e Souza e Raymundo Ronaldo Campos. Em maio de 2014, a ação
havia sido apresentada pelos procuradores do Grupo de Trabalho Justiça de Transição,
do Ministério Público Federal (MPF), e aceita em primeira instância pela
Justiça Federal. Na ocasião foram apresentadas novas provas sobre o caso,
algumas delas recolhidas na casa do tenente-coronel Paulo Malhães, encontrado
morto após prestar depoimento à Comissão Nacional da Verdade. Audiências para
ouvir testemunhas já estavam marcadas para ocorrer a partir da semana do dia
08/09/14. Porém, estas foram suspensas com a decisão de Azulay, que atendeu a
um pedido de habeas corpus feito pela defesa dos militares. Os advogados de
defesa alegaram também a incompetência da Justiça Federal para julgar o caso, a
prescrição dos crimes, e pleitearam a aplicação da Lei da Anistia (1979). Em
sua decisão, Azulay afirmou que o pedido para julgamento de mérito será levado
à Segunda Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região. O juiz
Márcio Gutterres Taranto, ao aceitar a denúncia apresentada pelo MPF em maio,
ressaltou que a Lei da Anistia não trata dos crimes previstos na legislação
comum, mas sim, de crimes políticos ou conexos a estes. Segundo Taranto, uma
vez que o MPF trata de crimes previstos no Código Penal, o homicídio e
ocultação de cadáver de Paiva não estão protegidos pelas disposições da Lei da
Anistia. Os procuradores pediram a prisão dos denunciados, a cassação das
aposentadorias e a anulação de medalhas e condecorações obtidas por eles ao
longo de suas carreiras. O MPF não comentou sobre a decisão de Azulay. (Folha
de S. Paulo – Poder – 04/09/14; O Estado de S. Paulo – Política – 03/09/14)
terça-feira, 12 de agosto de 2014
Festa literária promoveu debate sobre o regime militar
De
acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, a Festa Literária Internacional de
Paraty (Flip) promoveu, no dia 02/08/14, debates sobre assuntos como a
repressão e a resistência no regime militar (1964-1985). O jornalista Bernardo
Kucinski, Marcelo Rubens Paiva, filho do ex-deputado federal Rubens Paiva,
morto em 1971, e o economista e ex-preso político Persio Arida participaram da
mesa “Memórias do Cárcere: 50 anos do golpe”, na qual expuseram suas
experiências e opiniões sobre o tema. Paiva mencionou o papel histórico da
Comissão Nacional da Verdade ao contar a história do pai, e declarou esperar
justiça do Ministério Público. Kucinski ressaltou a questão dos desaparecidos
políticos e do julgamento e punição dos envolvidos, reafirmando a necessidade
de “uma política pública de educação para as novas gerações sobre o que é a
violência e a ditadura”. (Folha de S. Paulo – Política – 03/08/14; O Estado de
S. Paulo – Caderno 2 – 02/08/14; O Estado de S. Paulo – Política – 03/08/14)
terça-feira, 29 de julho de 2014
Comissão Nacional da Verdade iniciou a oitiva de cerca de 40 militares a respeito das violações de direitos humanas ocorridas durante o regime militar
Correio Braziliense. Dallari: "Há muita resistência por parte dos oficiais da reserva". Correio Braziliense, Brasília. 19 jul 2014.
terça-feira, 10 de junho de 2014
Colunista afirmou que busca por punição de militares é tardia
De
acordo com coluna opinativa do jornal Folha de S. Paulo, o colunista Hélio
Schwartsman afirmou que, em um primeiro momento, a decisão da Justiça de
aceitar a denúncia contra cinco militares do regime militar (1964-1985),
acusados do assassinato e ocultação do cadáver do ex-deputado federal Rubens
Paiva em 1971, pode ser vista como uma ação positiva. Contudo, em um segundo
momento, Schwartsman defendeu que tal visão abre espaço a “decepção”, pois
durante décadas o Brasil desperdiçou a oportunidade de promover um “acerto de
contas com a história”. Segundo o colunista, um julgamento 40 anos depois dos
fatos será “no máximo um arremedo de justiça”, pois eventuais prisões não
estarão de acordo com os objetivos racionais da sanção penal. Schwastsman
afirmou que a prisão de criminosos busca impedir fisicamente que esses cometam
novamente os crimes praticados e como forma de dissuadir outras pessoas que
almejam fazê-los. Devido à demora em se aceitar a denúncia, esses objetivos não
podem mais ser alcançados, pois com as mudanças do cenário político do país
“não há mais nem regime a defender nem opositores a ameaçá-lo”, fazendo com que
os crimes não possam ocorrer novamente. De acordo com o colunista, mesmo uma
concepção mais metafísica da justiça apresenta entraves a tais punições, pois
ao punir uma pessoa depois de 40 anos de seus atos deve-se levar em
consideração que essa não é mais a mesma que era quando cometeu tais crimes. (O
Estado de S. Paulo - Opinião - 31/05/14)
terça-feira, 3 de junho de 2014
Justiça Federal aceita denúncia contra militares envolvidos na morte de Rubens Paiva
REPRODUÇÃO. Sumiço. Rubens Paiva foi preso
em casa, no Rio, em 1971. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 28 maio 2014, P. 6.
terça-feira, 27 de maio de 2014
Militares foram denunciados pela morte do ex-deputado federal Rubens Paiva
De
acordo com os jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo, cinco militares
foram denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF), acusados de participar
da morte e ocultação do cadáver do ex-deputado federal Rubens Paiva em 1971,
durante o regime militar (1964-1985). Os procuradores argumentaram que o caso
trata-se de crime contra a humanidade e, portanto, imprescritível e não sujeito
à Lei da Anistia (1979). Caso a Justiça aceite a denúncia, será a primeira vez
que os crimes cometidos durante o regime militar serão julgados. O principal
denunciado é o general reformado José Antonio Nogueira Belham, que comandava o
Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa
Interna (DOI-Codi), seguido pelo coronel reformado Rubens Paim Sampaio,
ex-agente do Centro de Informações do Exército (CIE), ambos foram acusados de
homicídio triplamente qualificado, associação criminosa armada e ocultação de
cadáver. Já o coronel reformado Raymundo Ronaldo Campos e os ex-sargentos
Jurandyr e Jacy Ochsendorf e Souza foram acusados de ocultação de cadáver,
fraude processual e associação criminosa por encenar o resgate de Paiva por
grupos “terroristas” de esquerda a fim de encobrir a morte do ex-deputado.
Dentre as provas apresentadas contra os militares estão os documentos
apreendidos na residência do coronel reformado Paulo Malhães, encontrado morto
em abril deste ano após confessar envolvimento na ocultação dos restos mortais
de Paiva. De acordo com a Folha, a professora Cecília Viveiros de Castro e sua
cunhada Marilene Corona Franco foram presas nas mesmas instalações que Paiva,
onde ouviram gritos de um preso sendo interrogado, o qual posteriormente
reconheceram como o ex-deputado. Franco afirmou que, para abafar os gritos de
Paiva, os militares ligaram o rádio em alto volume, tocando as músicas “Jesus
Cristo”, de Roberto Carlos, e “Apesar de Você”, de Chico Buarque de Hollanda.
De acordo com O Estado, outro preso ouvido pelo grupo de trabalho Justiça de
Transição do Ministério Público Federal foi Edson Medeiros, que confirmou ter
ouvido um homem sendo torturado ao som da música “Jesus Cristo” e,
posteriormente, viu um corpo com as características de Paiva sendo arrastado
por dois recrutas. Segundo o advogado de Belham, Sampaio e Campos, os militares
negam as acusações. Conforme a Folha, o
coronel Paim Sampaio, em depoimento ao MPF, negou estar nas instalações do
DOI-Codi quando Paiva foi torturado. O coronel falecido em 2013, Ronald Leão,
em depoimento que faz parte da denúncia, declarou que foi impedido pelo coronel
Paim Sampaio de entrar na sala onde Paiva estava sendo torturado. A
Procuradoria acredita que Paim Sampaio teve “participação comissiva”, por
impedir a entrada de alguém que poderia intervir. O coronel nega essa informação
e disse que soube da morte de Paiva por um telefonema de alguém do DOI-Codi o
qual não se recorda o nome. (Folha de S. Paulo - Poder - 20/05/14; Folha de S.
Paulo - Poder - 21/05/14; O Estado de S. Paulo - Política - 20/05/14)
terça-feira, 6 de maio de 2014
Mortes de militares relacionados ao regime militar
O
jornal Folha de S. Paulo relembrou a morte do coronel reformado do Exército
Júlio Miguel Molinas Dias, morto em tentativa de assalto na cidade de Porto
Alegre, no estado do Rio Grande do Sul, em 2012, afirmando que a morte de
militares e agentes da repressão vem causando polêmica devido a suspeita de que
estejam relacionadas a “queima de arquivo”. O jornal esclareceu entretanto que
a Justiça concluiu que a morte de Dias foi resultado de crime comum. A Folha
lembrou que após sua morte foram repassados à polícia documentos referentes ao
regime militar (1964-1985) que se encontravam com o coronel, entre eles o guia
de apreensão de objetos pessoais do ex-deputado Rubens Paiva, os quais ajudaram
na análise de elementos ainda desconhecidos sobre sua prisão. Outro caso
reportado pelo jornal refere-se ao ex-delegado da Polícia Civil de São Paulo,
Sérgio Paranhos Fleury, o qual, oficialmente, escorregou de uma lancha e caiu
no mar, tendo morrido por afogamento no dia 01/05/1979. Seu corpo foi enterrado
sem ser submetido à autopsia. (Folha de
S. Paulo – Poder – 26/04/14)
segunda-feira, 31 de março de 2014
Ministro da Defesa fez declarações sobre as Forças Armadas
De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, no
dia 27/03/14, durante uma audiência no Senado Federal, o ministro da Defesa,
Celso Amorim, afirmou que as Forças Armadas de hoje não tem relação com a que
atuou durante o regime militar (1964-1985). Quando questionado sobre o caso do
desaparecimento do ex-deputado federal Rubens Paiva, na época do regime, Amorim
afirmou que o Brasil, “ao pagar as indenizações já, de certa maneira, pediu
desculpa por tudo que ocorreu”. (Folha de S. Paulo – Poder – 28/03/14).
Coronel reformado depôs sobre a Casa da Morte de Petrópolis à Comissão Nacional da Verdade
Segundo os periódicos Folha
de S. Paulo e O Estado de S. Paulo, o coronel reformado Paulo Malhães foi
intimado pela Polícia Federal a prestar depoimento à Comissão Nacional da
Verdade (CNV), referente à ocultação dos restos mortais de vítimas do regime militar
(1964-1985). Malhães relatou que as vítimas da chamada Casa da Morte de
Petrópolis, na cidade do Rio de Janeiro, eram mutiladas e jogadas no rio. De
acordo com o coordenador da CNV, Pedro Dallari, o coronel afirmou que o
Ministério do Exército possuía conhecimento dos acontecimentos em Petrópolis,
contrariando a versão “sempre repetida por militares, de que as violações de
direitos humanos decorriam de excessos de alguns agentes". Na década de
1990, o ex-sargento Marival Chaves, que também atuou na Casa da Morte, afirmou
que os corpos das vítimas eram “esquartejados e enterrados aos pedaços”,
divergindo do relato de Malhães. No primeiro depoimento, o coronel reformado
assumiu participação na operação que levou ao desaparecimento dos restos
mortais do ex-deputado federal Rubens Paiva. De acordo com a Folha, estima-se
que até 24 presos políticos tenham morrido na Casa, local que foi mantido pelo
Exército de maneira clandestina. O Estado afirmou que o coronel foi
responsável, em 1970, pela "operação limpeza" que tinha como objetivo
desaparecer com os corpos dos militantes de esquerda mortos na Guerrilha do
Araguaia (1972-1974). De acordo com Malhães, os procedimentos seguidos foram os
mesmos utilizados para o desaparecimento de opositores do regime militar em
áreas urbanas. Além disso, o coronel reformado depôs sobre sua atuação no
Centro de Informações do Exército (CIE). Num primeiro momento, o depoimento foi
recolhido em sua própria residência, onde ele recebeu uma integrante e um
assessor da CNV. Em dois encontros foram recolhidas 17 horas de depoimento.
Para o presidente da Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro, o advogado
Wadih Damous, só será possível testar a veracidade do depoimento de Malhães
caso o Estado brasileiro se pronuncie oficialmente a respeito. Durante o
depoimento, Malhães afirmou que o coronel do Exército Freddie Perdigão foi o
responsável pelo assassinato do jornalista Alexandre Von Baumgarten, morto a
tiros e cujo corpo foi jogado no mar. O jornalista fazia parte da “Operação O Cruzeiro”,
orquestrada pelo Serviço Nacional de Informações (SNI), objetivando melhorar a
opinião pública em relação ao governo. Baumgarten “atuava à frente da revista a
mando do SNI, que se encarregava de extorquir publicidade para a publicação e
lhe dar dinheiro diretamente. O novo O Cruzeiro não resistiu ao fracasso
editorial, e Baumgarten, sob ameaça, foi obrigado pelo SNI a vendê-lo”. De
acordo com a O Estado, no depoimento à CNV, realizado no dia 25/03/14 no
Arquivo Nacional, Malhães recuou dizendo que não se livrara do corpo de Paiva,
por ter sido designado para outras tarefas. Malhães foi questionado por Dallari
sobre abusos sexuais cometidos contra presas políticas, revelando que “se
houve, foi um ou dois casos”, mas que ele nunca cometeu. Para José Carlos Dias,
integrante da CNV, “foi um depoimento importante. Ele acabou por reconhecer que
é um torturador. Poucas vezes tivemos a confissão de um torturador como ele
fez, justificando que tinha que torturar um inimigo”. Segundo a Folha, Dallari
afirmou, no entanto, que as declarações de Malhães não serão aceitas
isoladamente, pois o colegiado não procura formar convicções com base em apenas
uma fonte, ainda mais considerando o fato do coronel reformado ter “oscilado muito no que relata”. De acordo com
Dallari, o general reformado José Antonio Nogueira Belham, convidado a depor no
dia 01/04/14 na Câmara dos Deputados, poderia auxiliar no esclarecimento das
contradições apresentadas no depoimento de Malhães. Segundo O Estado, diante do
depoimento de Malhães, a Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro
declarou, no dia 26/03/14, que estuda uma forma de recorrer à Justiça para que
o Exército colabore compulsoriamente com as investigações sobre o paradeiro de
desaparecidos políticos. No caso específico do desaparecimento de Paiva, Damous
afirmou que “o Exército tem que vir a público e esclarecer o que aconteceu. Não
é pedir documento A, B, C ou D. É de se presumir que não haja mais documento.
Agora é fazer pergunta direta: o corpo de Rubens Paiva foi jogado no rio?”. De
acordo O Estado, o procurador da República Sérgio Suiama, integrante do Grupo
de Trabalho Justiça de Transição, afirmou que o Exército, além de demorar,
fornece informações incompletas ou contraditórias ao que havia informado.
Segundo Suiama, não se espera mais ter o paradeiro de presos políticos, “o que
a gente gostaria é que o Exército cumprisse a lei e fornecesse as informações
requeridas”. (Folha de S. Paulo – Poder – 22/03/14; Folha de S. Paulo – Poder –
26/03/14; Folha de S. Paulo – Poder – 26/03/14; Folha de S. Paulo – Poder –
27/03/14; O Estado de S. Paulo – Política – 24/03/14; O Estado de S. Paulo –
25/03/14; O Estado de S. Paulo – Política – 25/03/14; O Estado de S. Paulo –
Poder – 26/03/14; O Estado de S. Paulo – Política – 27/03/14)
DIDA
SAMPAIO/ESTADÃO. Depoimento. Coronel da reserva Paulo Malhães (à dir.) é ouvido
por duas horas durante sessão da Comissão Nacional da Verdade realizada ontem
no Rio. O Estado de S. Paulo, São Paulo 26 març.2014 pag 8.
terça-feira, 25 de março de 2014
Comissão Nacional da Verdade busca esclarecer morte do ex-deputado Rubens Paiva
Ana
Pompeu/ O Cruzeiro/EM/ D.A. Press. “A atuação da Câmara será um elemento a mais
para pressionar as Forças Armadas a relatarem o que foi feito do corpo do
deputado e resolver a última incógnita dessa equação”, Pedro Dallari,
coordenador da CNV, Correio Braziliense, Brasília 10 mar. 2014
quarta-feira, 12 de março de 2014
Comissão Nacional da Verdade avança no caso do ex-deputado federal Rubens Paiva
De
acordo com o periódico Folha de S. Paulo, o depoimento do coronel reformado
Armando Avólio Filho contribuiu para os esclarecimentos acerca da morte do
ex-deputado federal Rubens Beyrodt Paiva, em 1971. O militar relatou que viu o
tenente Fernando Hughes de Carvalho em uma sala de interrogatório com um homem
gravemente ferimento, que foi posteriormente reconhecido como sendo Paiva. A
principal colaboração de Avólio para o caso foi a revelação de que ele teria
informado o estado do preso ao comandante do Destacamento de Operações de
Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) do 1º Exército,
o então major José Antonio Nogueira Belham. Atualmente, o general Belham e o
tenente Carvalho são apontados como participantes do assassinato do ex-deputado.
Hughes faleceu em 2005 e Belham afirmou que não estava presente no DOI-Codi
quando Paiva foi preso. De acordo com o jornal,declarações de oficiais
reformados em conjunto com documentos contradizem as afirmações de Belham, o
que levará o Ministério Público Federal a pedir a abertura de uma ação contra o
general. O coordenador da Comissão Nacional da Verdade, Pedro Dallari, afirmou
que ainda é fundamental descobrir o paradeiro dos restos mortais de Paiva.
(Folha de S. Paulo – Poder – 02/03/14)
domingo, 9 de março de 2014
Depoimento à Comissão Nacional da Verdade revelou responsável pela morte do ex-deputado Rubens Paiva
De
acordo com o periódico Correio Braziliense, em depoimento à Comissão Nacional
da Verdade (CNV), no dia 27/02/14, um ex-agente militar, que não teve sua
identidade revelada, afirmou ter visto o tenente Antônio Fernando Hughes de
Carvalho, oficial egresso do Centro de Preparação de Oficiais da Reserva
(CPOR), torturar o ex-deputado federal Rubens Paiva “na carceragem do
Destacamento de Operações de Informações do 1º Exército (DOI-I) no Rio de
Janeiro”. Esta é a primeira vez, que um militar ligado a repressão do regime
militar (1964-1985) confirma que Paiva foi torturado por outro agente, somente
o falecido ex-tenente médico Amilcar Lobo havia confirmado a presença do
ex-deputado no DOI. Paiva foi cassado em 1964, logo após o golpe, e preso em
20/01/71 por agentes do Centro de Informação de Segurança da Aeronáutica (Cisa)
e entregue ao DOI, onde foi visto pela última vez. (Correio Braziliense –
Política – 28/02/14)
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro divulga novos documentos e depoimentos sobre o caso Rubens Paiva
Segundo o jornal Folha de S. Paulo, a
Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro divulgou em sessão realizada no
dia 07/02/14 documentos que revelam que dois filhos do ex-deputado federal
Rubens Paiva foram espionados por 13 anos após a morte do parlamentar, em 1971,
durante o regime militar (1964-1985). No dia anterior, a Comissão tornou público
o depoimento do coronel reformado Raymundo Ronaldo Campos, que revelou ter sido
designado para a missão de simular o tiroteio e o sequestro de um preso,
visando encobrir a morte de Rubens Paiva. Tal declaração rompeu com o sigilo de
43 anos e desmontou a versão oficial de que Paiva teria fugido da prisão. O
ex-deputado foi preso 1971, tendo sido visto pela última vez na sede do
Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa
Interna (DOI-Codi), no Rio de Janeiro. Os documentos divulgados apontam que
dois filhos do parlamentar, o escritor Marcelo Rubens Paiva e a psicóloga Vera
Paiva, foram perseguidos até 1984. O jornal Correio Braziliense recordou que
Rubens Paiva foi um dos presos políticos mais emblemáticos do país e que seu
corpo nunca foi encontrado. Eleito deputado federal pelo Partido Trabalhista
Brasileiro (PTB), em 1962, participou ativamente da Comissão Parlamentar de
Inquérito (CPI) direcionada a investigar as atividades do Instituto de
Pesquisas Sociais e Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IPES-IBAD),
entidades que participaram da tomada de poder em 1964. O deputado, que durante
a CPI havia descoberto o depósito de cheques nas contas de alguns militares,
teve seu mandato cassado dez dias após o golpe e se exilou na Europa, mas
retornou ao Brasil, sendo preso em sua casa por homens que diziam integrar a
Aeronáutica. De acordo com Amilcar Lobo, médico que atendia os presos
políticos, Paiva foi duramente torturado. (Correio Braziliense – 08/02/14;
Folha de S. Paulo – Poder – 08/02/14; Folha de S. Paulo – Poder – 09/02/14)
terça-feira, 2 de abril de 2013
Ex-exilado acredita que Rubens Paiva não foi delatado
Segundo o jornal Folha
de S. Paulo, o ex-exilado político Luiz Rodolfo Viveiros de Castro
afirmou que não acredita que houve um delator no caso da prisão do ex-deputado
Rubens Paiva, em 1971. Nesta hipótese, Rubens Paiva teria sido localizado por
agentes do regime militar (1964-1985) após a mãe e a cunhada de Castro, Cecília
e Marilene, serem presas com uma carta que seria entregue ao então deputado. As
duas retornavam de uma viagem ao Chile, onde tinham ido visitar Castro, ali
exilado, e foram levadas por agentes da Aeronáutica do aeroporto do Rio de
Janeiro por estarem carregando cartas de exilados no Chile endereçadas a suas
famílias no Brasil. Segundo Castro, “era comum exilados pedirem a parentes para
levar e trazer cartas de outros brasileiros”. Quando interrogadas, Cecília e
Marilene teriam fornecido o número de telefone pelo qual contatariam Paiva, o
que permitiu sua localização pelos militares. Entretanto, para Castro,
independentemente da existência de um delator, era possível que os militares
soubessem da visita de sua mãe e cunhada pela lista de passageiros, pois elas
eram as únicas parentes de exilados que estavam no primeiro voo de Santiago
para o Rio de Janeiro logo após a chegada de 70 exilados na capital chilena. (Folha de S. Paulo –
Poder – 25/03/13)
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