Em coluna opinativa para o jornal Correio
Braziliense, o jornalista André Gustavo Stumpf afirmou que a participação
de dois militares brasileiros na operação que transportou o senador boliviano
Roger Pinto Molina da embaixada brasileira em La Paz, na Bolívia, ao Brasil, só
foi possível porque houve a autorização de “alguém de patente superior”. De
acordo com Stumpf, os carros que faziam o transporte de Molina foram parados
diversas vezes pela polícia boliviana, porém em nenhuma delas os veículos foram
vistoriados e, por isso, os militares que faziam a segurança dos civis na
operação não precisaram agir. De acordo com o jornalista, o então encarregado de
negócios da Embaixada brasileira na Bolívia, Eduardo Saboia, que articulou a
operação, pediu ao Itamaraty a liberação de 400 mensagens, as quais mostrariam que
adidos militares se referiam à retirada de Molina como “plano de contingência”.
(Correio Braziliense – 31/08/13; O Estado de S. Paulo – Política – 05/09/13)
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quinta-feira, 12 de setembro de 2013
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
Militares envolvidos no caso da transferência não autorizada de senador boliviano ao Brasil
De acordo com os jornais Correio Braziliense, Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo, Antonio Patriota pediu demissão do cargo de
ministro de Relações Exteriores após o episódio de insubordinação envolvendo o
encarregado de negócios da Embaixada brasileira na Bolívia, Eduardo Saboia. Segundo
os jornais, Saboia, que era responsável pela embaixada devido à transferência
do embaixador titular Marcel Biato, decidiu, de forma unilateral, transportar,
num carro oficial do governo brasileiro, o senador boliviano de oposição Roger
Pinto Molina da embaixada na Bolívia para a cidade brasileira de Corumbá, no
estado do Mato Grosso do Sul, de onde partiu, num jato particular, para a
capital federal, Brasília. Molina era condenado por alguns crimes na Bolívia e
estava abrigado na embaixada brasileira havia 455 dias, a espera do resultado
das negociações que estariam ocorrendo entre os governos brasileiro e boliviano
para a resolução do caso. Entretanto, o diplomata Saboia decidiu por
transportar o senador sem a expedição de um salvo-conduto pelo governo
boliviano, mesmo sabendo que a presidência da República brasileira havia
desautorizado qualquer operação de transporte de Molina sem o documento. Dois
fuzileiros navais, que respondem ao adido militar na embaixada, o Capitão de
Mar e Guerra Luiz Carlos Brito Cunha, fizeram a escolta dos carros durante o
trajeto, encontrando-se ambos no carro que levava Saboia e Molina. Segundo O Estado, a operação teria sido
informada a altos escalões das Forças Armadas e do Ministério da Defesa, embora
o chefe de Estado-Maior da Defesa, general José Carlos de Nardi, e o próprio
ministro Celso Amorim tenham informado que não sabiam da ação, assim como
Patriota. Embora segundo a tradição os militares nas embaixadas sejam
subordinados aos diplomatas, de acordo com a doutrina eles devem sempre passar
aos seus superiores hierárquicos da cadeia de comando informações sobre as
missões em que atuam. O Comando da Marinha informou apenas que os militares em
questão integram o Destacamento de Segurança da Embaixada (DstSEB), que tem a
função de fazer a segurança pessoal dos chefes de missões, funcionários
diplomáticos e administrativos, da residência oficial e da chancelaria das
embaixadas, e destacou ainda que “a participação dos militares da MB
limitou-se, exclusivamente, ao provimento da segurança individual de um diplomata
brasileiro durante o seu deslocamento rodoviário”. A presidência acredita que a
situação do ministro da Defesa se diferencia da de Patriota por entender que os
fuzileiros navais obedeceram a ordens de Saboia, sendo assim, nenhuma
autoridade ligada à Defesa teria sido consultada sobre a ação. Além disso, os
escalões superiores poderiam achar que se tratava de uma operação oficial
sigilosa e que, por isso, não deveriam se envolver. Amorim declarou em nota que
no dia da viagem, os três adidos militares estavam na cidade de Cochabamba e
não foram informados do deslocamento de Molina. Em entrevista à Folha, Saboia afirmou que se sentia como
se fosse o responsável por uma unidade do Destacamento de Operações de
Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) durante o regime
militar (1964-1985) devido às condições em que o senador Molina vivia nas
dependências da embaixada. Segundo o diplomata o senador estava a mais de um
ano sem tomar sol nem receber visitas, confinado numa sala e vigiado por
fuzileiros navais 24 horas por dia. Saboia avalia que sua ação esteve de acordo
com todas as normas e tradições humanitárias, bem como com os tratados
internacionais assinados pelo Brasil. Em resposta às afirmações de Saboia,
presidenta da República, Dilma Rousseff disse que por ter sido presa no
DOI-Codi durante o regime militar, podia afirmar que o órgão de repressão e a
Embaixada do Brasil em La Paz são tão diferentes como o céu e o inferno.
Rousseff afirmou também que lamenta que um asilado brasileiro tenha sido
submetido à insegurança de um deslocamento terrestre como esse. De acordo com o
Correio, Saboia tinha relações
estreitas com o ministro da Defesa, Celso Amorim, por ter sido seu assessor
direto por seis anos, no período em que Amorim foi ministro das Relações
Exteriores. Rousseff, que desejava saber exatamente quem estava a par da
operação realizada por Saboia, convocou para reunião os ministros da Defesa,
Celso Amorim e da Justiça, José Eduardo Cardozo, responsável pela Polícia
Federal. (Correio Braziliense – 27/08/13; Correio Braziliense – 28/08/13; Correio
Braziliense – 29/08/13; Folha de S. Paulo – Opinião – 27/08/13; Folha de S.
Paulo – Mundo – 27/08/13; Folha de S. Paulo – Mundo – 28/08/13; O Estado de S. Paulo – Internacional –
26/08/13; O Estado de S. Paulo – Internacional – 27/08/13; O Estado de
S. Paulo – Notas e Informações – 27/08/13; O Estado de S. Paulo – Internacional
– 28/08/13)
sexta-feira, 26 de julho de 2013
Aviões da Força Aérea Brasileira foram revistados na Bolívia indevidamente em 2011
Segundo
os periódicos Correio Braziliense, Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo,
agentes da Força Especial de Luta Contra o Narcotráfico – uma unidade especial
da polícia boliviana – revistou, sem autorização do governo brasileiro,
aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) que transportavam autoridades
brasileiras em viagens oficiais à Bolívia, no ano de 2011. De acordo com os
jornais, a inspeção ocorreu em três ocasiões – duas em outubro e uma em
novembro daquele ano – no aeroporto da cidade de La Paz, na Bolívia; sendo que,
em uma delas, foi revistado o avião que transportava o ministro da Defesa,
Celso Amorim, que atendia a compromissos oficiais no país. Segundo a Folha, o
governo brasileiro, no dia 16/07/13, confirmou os acontecimentos e declarou que
os fatos representam "violações da imunidade das aeronaves da FAB",
destacando que, na ocasião da viagem de Amorim, o ministro, que não estava a
bordo no momento da vistoria, “jamais” autorizou tal ação por parte da polícia
boliviana. De acordo com o Correio e a Folha, o ministro de Relações Exteriores
da Bolívia, David Choquehuanca, admitiu, no dia 17/07/13, que a polícia
boliviana errou ao vistoriar as aeronaves da FAB, justificando que "às
vezes os [agentes] da Força Especial de Luta Contra o Narcotráfico cometem
algumas infâmias porque não sabem se é um avião VIP ou não. Houve uma
reclamação [do Brasil] e esclarecemos isto". Segundo a Folha, o Ministério
das Relações Exteriores declarou à época que o acontecimento foi “intrusivo” e
alertou que tais “procedimentos abusivos” levariam o Brasil a aplicar o chamado
“princípio da reciprocidade”. Desde então, não foram mais relatados casos
semelhantes por parte de autoridades bolivianas. De acordo com o colunista da
Folha Clóvis Rossi, o ocorrido demonstrou a “tolerância excessiva” por parte do
governo brasileiro em relação aos seus vizinhos, na qual a “solidariedade”
teria se confundido com “subserviência”. No dia 19/07/13, a Folha informou que,
em um dos voos revistados, foram usados cães farejadores para fazer a vistoria
na cabine de pilotos e passageiros, em Santa Cruz de La Sierra. A aeronave
transportava do Brasil uma comitiva integrada pelos deputados Gladson Cameli,
Marcos Rogério, Raul Lima e Magda Mofatto, em
missão oficial, para verificar a situação de estudantes brasileiros de
medicina no país. Segundo Lima, o tenente-coronel da FAB, Marcelo Mendonça,
tentou negociar com os agentes, porém não obteve resultado. Mofatto confirmou o
episódio e declarou que os integrantes da comitiva teriam ficado “ofendidos”.
(Correio Braziliense – 18/07/13; Folha de S. Paulo – Mundo – 18/07/13; Folha de
S. Paulo – Mundo – 19/07/13; O Estado de S. Paulo – Notas e Informações –
18/07/13)
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