Segundo o jornal O
Estado de S. Paulo, o livro “Brasil: Nunca Mais”, lançado há mais de 30 anos,
que denunciou atrocidades ocorridas em prisões políticas durante o regime
militar (1964-1985), foi base para um documentário dirigido pelos jornalistas
Ana Castro e Gabriel Mitani. Segundo o periódico, o resgate de memórias da
ditadura visa alertar contra a continuidade de práticas como a violência
policial e a situação precária nas prisões. Além disso, auxilia na divulgação
da importância do projeto Brasil: Nunca Mais. O documentário, nomeado de
Coratio, junção das palavras latinas para coração e razão, contém entrevistas
de vítimas da repressão, redatores do livro, coordenadores do projeto e de Eny
Raimundo Moreira, advogada que usou arquivos dos processos judiciais do
Superior Tribunal Militar para revelar os abusos do regime na década de 1970.
(O Estado de S. Paulo – Política – 04/10/15)
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quarta-feira, 14 de outubro de 2015
quarta-feira, 7 de outubro de 2015
Supremo Tribunal Federal retomou o processo sobre a morte de Rubens Paiva
Segundo o jornal
Correio Braziliense, o Supremo Tribunal Federal (STF) retomou o caso sobre a
morte do ex-deputado Rubens Paiva durante o regime militar (1964-1985). O
ministro Teori Zavaski autorizou o pedido feito pelo Ministério Público (MP) de
antecipação de depoimentos para a produção de provas contra militares suspeitos
de envolvimento na morte do ex-deputado, sob a acusação de homicídio e
ocultação de cadáver. De acordo com o Correio, o MP fez o pedido para
resguardar provas, temendo que alguns depoentes falecessem por possuírem idade
avançada, como é o caso de Inês Etienne Romeu, falecida no mês de abril de
2015, que era a única sobrevivente da chamada “Casa da Morte”, localizada na
cidade de Petrópolis, no Rio de Janeiro. A oitiva antecipada das testemunhas
foi solicitada após militares denunciados em 2014 pela procuradoria, como o
general Antônio Nogueira Belham, entrarem com uma reclamação no STF distribuída
a Zavaski, alegando não poder ser denunciados pelo MP por conta da Lei da
Anistia (1979). Segundo o periódico, na ocasião, o magistrado suspendeu o
processo na Justiça Federal do Rio de Janeiro. Uma das testemunhas a ser ouvida
é Marilene Corona Franco, à época estudante de psicologia e exilada no Chile
quando, em 1971, encarregada de entregar cartas a Paiva na prisão, foi presa
antes de desembarcar do avião. Outra testemunha é o major da Polícia Militar
Riscala Corbage. (Correio Braziliense – Brasil – 27/09/15)
quarta-feira, 16 de setembro de 2015
Documentos revelaram atuação de Centro de Informações do Exterior durante o regime militar brasileiro
Segundo o periódico O
Estado de S. Paulo, documentos secretos do antigo Centro de Informações do
Exterior (CIEx) demonstraram como o regime militar brasileiro (1964-1985)
vigiou exilados no Chile no período anterior à tomada de poder pelos militares
naquele país, no ano de 1973. Nos documentos encontram-se dados referentes a
viagens e reuniões de ativistas, análises da política chilena, bastidores da
crise no país e lista de pessoas presas após a instauração do regime militar
chileno, assim como detalhes sobre reuniões políticas, culturais ou sociais dos
exilados brasileiros e informações sobre um suposto financiamento de
organizações brasileiras no Chile. De acordo com o jornal, um dos grupos mais
vigiados pelo órgão foi a Associação Chileno-Brasileira de Solidariedade, e
entre os exilados no país que foram vigiados estavam o ex-presidente da União
Nacional dos Estudantes (UNE) e atual senador José Serra, além do poeta Thiago
de Mello e o ex-ministro do Trabalho Almino Affonso. O periódico afirmou que o
órgão era vinculado ao Ministério das Relações Exteriores e, como “não existia”
oficialmente, apesar de ter atuado de 1966 até 1980, possuiu diversos nomes no
período, sendo chamado de Assessoria de Documentação de Política Exterior e
Secretaria de Documentação de Política Exterior. (O Estado de S. Paulo –
Internacional – 08/09/15)
Convidados opinaram sobre mudanças de logradouros na cidade de São Paulo
Em colunas opinativas
para o jornal Folha de S. Paulo, o deputado estadual coronel Alvaro Batista
Camilo e a vereadora Juliana Cardoso discorreram sobre a mudança dos nomes de
logradouros na cidade de São Paulo que homenageiam pessoas ligadas ao regime
militar (1964-1985). Segundo Camilo, a nomeação dos lugares faz parte da
história da cidade e reescrever essa história é um erro. O coronel declarou
respeitar a “memória dos que sofreram na ditadura militar”, porém questionou a
legitimidade de alterar algo que foi nomeado conforme a legislação municipal e
indagou se as mudanças seriam restritas apenas a nomes vinculados ao regime
militar. Em seguida, argumentou que “reinterpretar fatos do passado de maneira
simplista, sob a ótica e os valores do presente, é uma falta grave.” O militar
concluiu sua opinião afirmando que este tipo de medida abrirá espaço para que
futuras gerações tentem remodelar o passado para adaptá-lo à sua conveniência,
destruindo, desta forma, a história de um país. Cardoso, por sua vez,
argumentou de forma contrária, afirmando a importância de discutir com as
comunidades a respeito das mudanças, de forma a trazer para o cotidiano o
debate relativo aos direitos humanos. De acordo com Cardoso, a alteração de
nomes de ruas em São Paulo não é um fenômeno novo e está relacionada a
transformações que fizeram parte da história da cidade. Segundo a vereadora, a
simples alteração dos nomes não é suficiente, sendo necessário haver
consciência dos cidadãos a respeito das mudanças. (Folha de S. Paulo – Opinião
– 05/09/15)
quarta-feira, 9 de setembro de 2015
Programa Clínica de Testemunho expandirá
Segundo o periódico O
Estado de S. Paulo, as Clínicas de Testemunho, programa criado pelo governo
federal, e ligado ao Mistério da Justiça, com o objetivo de fornecer
acompanhamento psicológico às vítimas de tortura durante o regime militar
(1964-1985), se expandir tornando-se uma política pública. Atualmente, existem
quatro unidades em funcionamento, duas na cidade de São Paulo, uma na cidade do
Rio de Janeiro e uma na cidade de Porto Alegre, juntas realizaram quatro mil
atendimento entre 2013 e 2015. De acordo com o jornal, com a expansão o
programa deve pelo menos dobrar seus recursos iniciais. (Estado de S. Paulo –
Política – 30/08/15)
Distrito Federal alterou nome de ponte que homenageava ex-presidente do regime militar
De acordo com o
periódico Correio Braziliense, no dia 28/08/15, alterou-se o nome da ponte que
liga o Lago Sul à Asa Sul, na capital federal Brasília, de Ponte Costa e Silva,
em referência a um dos presidentes da República durante o regime militar (1964-1985),
para Ponte Honestino Guimarães, em homenagem ao líder estudantil opositor ao
regime. A substituição do nome ocorreu um dia após Rodrigo Rollemberg,
governador do Distrito Federal, ratificar a lei reintitulando a construção
projetada por Oscar Niemeyer que, segundo o periódico, era o último monumento
de Brasília a fazer alusão ao regime militar. De acordo com o jornal, a
Comissão Anísio Teixeira de Memória e Verdade da Universidade de Brasília (UnB)
elaborou um relatório reivindicando, entre outras solicitações, a renomeação da
ponte. O deputado Ricardo Vale, idealizador do projeto de lei, declarou que
“colocar o nome do maior líder estudantil da época representa a justiça da
história. Honestino foi um símbolo da resistência contra o golpe militar”. Mateus
Guimarães, sobrinho do líder estudantil, afirmou que “não basta apenas trocar o
nome”, pois com parcela da população reivindicando a intervenção militar no
governo, é necessário “fazer desses atos propulsores de um grande movimento”.
(Correio Braziliense – Cidades – 29/08/15)
quinta-feira, 3 de setembro de 2015
Ministério Público Federal apresentou nova denúncia contra Ustra
De acordo com o
periódico Correio Brasilienze, o Ministério Público Federal apresentou nova
denúncia contra o coronel reformado, Carlos Alberto Brilhante Ustra, pela
tortura e assassinato do militante do Partido Comunista do Brasil (PCdoB),
Carlos Nicolau Danielli, durante o regime militar (1964-1985). O delegado da
Polícia Civil de São Paulo, Dirceu Gravina, e o servidor público aposentado,
Aparecido Laertes Calandra, subordinados de Ustra no período em que o coronel
comandava o Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de
Defesa Interna (DOI-Codi), também foram denúnciados pela morte de Danielli.
Segundo o jornal, testemunhas afirmaram que “Danielli estava, já no segundo
dia, próximo da morte, com o abdômen inchado, olhar estático, sangrando pelos
ouvidos e pela boca, sem condições de se manter de pé”. De acordo com o
procurador da República responsável pela denúncia, Anderson Vagner Gois, os
crimes denunciados “não são passíveis de prescrição ou anistia, uma vez que
foram cometidos em contexto de ataque sistemático e generalizado à população”,
do qual “o Estado brasileiro tinha pleno conhecimento”, deste modo são
qualificados como crimes contra a humanidade. Segundo o periódico, os acusados
negaram a morte de Danielli e a prática de tortura. (Correio Braziliense –
Política – 28/08/15)
Coluna opinativa analisou corrupção durante o regime militar
Em coluna opinativa
para o periódico Folha de S. Paulo, o advogado e integrante da Comissão
Nacional da Verdade (CNV), José Paulo Cavalcanti Filho, declarou que durante o
regime militar (1964-1985) também havia corrupção, invalidando a afirmação
recorrente de que esta não ocorreria naquele período. De acordo com Cavalcanti
Filho, a recente prisão do almirante da reserva Othon Luiz Pinheiro da Silva,
sob a acusação de receber propina enquanto presidente da Eletronuclear,
comprova sua afirmação. Para dar maior sustentação a sua declaração, o advogado
mencionou a criação da segunda Comissão Geral de Investigações (CGI), no ano de
1968, que tinha como objetivo confiscar os “bens adquiridos de maneira ilícita,
no exercício da função pública”. A Operação Bandeirante (Oban), realizada no
ano de 1969, também seria evidência da existência de corrupção no período, de
acordo com Cavalcanti Filho, pois realizava a função clandestina dos órgãos de
segurança, sendo responsável por parte dos atos de torturas e desaparecimentos.
Por fim, o autor afirmou que a corrupção nos dias atuais se diferenciou daquela
ocorrida durante o regime militar devido à impunidade da qual os militares e
empreiteiros dispunham naquele período, uma vez que a punição se limitava
àqueles que recebiam a propina. Segundo o autor, a corrupção seria, portanto,
“um desvio da natureza humana, praticado indistintamente por civis e
militares”. (Folha de S. Paulo – Opinião – 26/08/15)
quarta-feira, 26 de agosto de 2015
Jornalista criticou ação de Fernando Haddad de retirar nomes de pessoas ligadas ao regime militar das ruas de São Paulo
Em coluna opinativa
do periódico Folha de S. Paulo, o jornalista Rogério Gentile afirmou que o
prefeito da cidade de São Paulo, Fernando Haddad, colocou-se em uma situação
contraditória ao optar por alterar os nomes de ruas com pessoas relacionadas ao
regime militar (1964-1985) e manter aquelas referentes a outros regimes
também considerados ditatoriais. O
colunista afirmou que Haddad irá retirar nomes como o do ex-presidente da
República Arthur da Costa e Silva, afirmando que a iniciativa “é um resgate
importante, uma reafirmação do compromisso de São Paulo com os valores
democráticos”, mas deixará nomes como o do ministro da Justiça durante o Estado
Novo (1937-1945), Francisco Campos, ao qual atribui-se a frase “governar é
prender”; ou o do chefe do departamento de censura do mesmo período, Lourival
Fontes, e o ex-presidente da República Getúlio Vargas, em cujo governo a
tortura era uma constante. Segundo Gentile, apesar de possivelmente “ser desagradável
morar num lugar que faz deferência a alguém como o delegado Sérgio Fleury [no
bairro Vila Leopoldina], símbolo da tortura e do Esquadrão da Morte”, o que vem
sendo praticado por Haddad consiste em um “revisionismo seletivo”. Gentile
finalizou seu artigo afirmando que não existem ditaduras boas ou más, “ditadura
é sempre ditadura”. (Folha de S. Paulo - Opinião - 20/08/15)
quarta-feira, 19 de agosto de 2015
Colunistas defendem importância de programa que busca alterar nome de pessoas relacionadas ao regime militar das ruas de São Paulo
Em coluna opinativa
ao jornal Folha de S. Paulo, Eduardo Suplicy, secretário municipal de Direitos
Humanos e Cidadania de São Paulo, Carla Borges, coordenadora de política de
Direito à Memória e à Verdade da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e
Cidadania e Marília Jahnel, coordenadora de Promoção do Direito à Cidade da
Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania, lembraram que em 2015
completaram-se 51 anos da tomada do poder pelos militares em 1964 e recordaram
que o “cenário de atrocidades” do regime militar (1964-1985) exigiu do poder
público ações para “elucidar a verdade e resgatar a memória desse período”.
Segundo os colunistas, o município de São Paulo possui quase um quarto dos
mortos e desaparecidos do Brasil, sendo que o autoritarismo do período deixou
marcas na região, expressadas na forma como seus habitantes se relacionam com
os espaços públicos, sendo que a “cultura do medo” diminuiu o papel da rua de
local de “expressão do exercício da cidadania”. Os colunistas apontam que, de
acordo com levantamento da Coordenação de Direito à Memória e à Verdade da
Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania, existem 17 ruas no
município de São Paulo com nomes de pessoas relacionadas diretamente com
violações aos direitos humanos e 20 ruas com nomes de pessoas responsáveis por
sustentar o regime militar, o que “não faz sentido em uma cidade que se
pretende democrática”. De acordo com os colunistas “combater legados do
autoritarismo, retirando essas denominações e não permitindo que novas
equivalentes sejam feitas, é imprescindível para construir a memória histórica
do país a partir da valorização da cultura democrática”. Além disso, segundo os
periódicos Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo, no dia 13/08/15, Fernando
Haddad, prefeito da cidade de São Paulo, enviou dois projetos de lei para a
Câmara Municipal da cidade concernentes à alteração de nomes de ruas, pontes,
praças e viadutos relacionados ao regime militar. O primeiro projeto prevê a
alteração do nome do Viaduto 31 de Março – referente à data em que ocorreu a
tomada de poder pelos militares em 1964 –, no bairro da Liberdade, para Viaduto
Theresinha Zerbini – ativista e referência feminina que lutou pela anistia. Já
o segundo propõe a proibição de “novas nomeações em homenagem a repressores”.
Tal iniciativa faz parte do projeto Ruas de Memória, o qual, segundo Haddad,
“visa celebrar a vida daqueles que se dedicaram à democracia, que lutaram pelas
liberdades individuais no nosso país. Substituindo os nomes daquelas ruas
associadas ao período de arbítrio, período da violência, que reinou em nosso
país por mais de 20 anos". Dentre os locais que terão seu nome alterado
está, também, o elevado Presidente Arthur da Costa e Silva, conhecido como
“Minhocão”. O prefeito afirmou que, nos casos das vias residenciais, a
alteração dos nomes será discutida com os moradores. Segundo o presidente da
Câmara Municipal, vereador Antônio Donato “o debate já existia com iniciativas
de vereadores, mas, quando o Executivo pauta esse debate, ele ganha outra
qualidade”. De acordo com O Estado, Pepe Vargas, ministro da Secretaria de
Direitos Humanos da Presidência da República, declarou que o projeto é uma
“reparação histórica às vítimas da ditadura” e mostrou-se também contrário à
prescrição de crimes políticos. Já o ex-deputado estadual Adriano Diogo, que presidiu
a Comissão Estadual da Verdade de São Paulo, apesar de considerar importante,
afirmou que “o projeto nasceu de cima para baixo”, pois uma melhor articulação
com vítimas, familiares, especialistas e vereadores deveria ter sido
empreendida. Para Diogo, um dos riscos é a interrupção do trâmite da proposta
na Câmara. (Folha de S. Paulo - Opinião
- 13/08/15; Folha de S. Paulo – Cotidiano – 14/08/15; O Estado de S. Paulo –
Metrópole – 14/08/15)
Livro abordou o desaparecimento do ex-deputado federal Rubens Beyrodt Paiva durante o regime militar
De acordo com o
jornal Folha de S. Paulo, o novo livro autobiográfico de Marcelo Rubens Paiva,
intitulado Ainda Estou Aqui, aborda o desaparecimento do seu pai, o ex-deputado
federal Rubens Beyrodt Paiva, durante o regime militar (1964-1985). Segundo o
jornal, em 20/01/71, Paiva foi retirado de sua casa e levado ao Destacamento de
Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi)
onde foi torturado e morto na madrugada do dia seguinte e, posteriormente,
esquartejado e enterrado em área pertencente à Marinha. A esposa e a filha do
ex-deputado foram levadas encapuzadas ao DOI-Codi, para responder perguntas. A
esposa ficou presa por 12 dias, durante os quais era chamada para ver fotos. O
autor especulou, no livro, se a mãe e a irmã foram levadas para pressionar o
pai a falar ou se apenas foram usadas para reconhecer fotos de procurados com o
intuito de identificar contatos do ex-deputado. Ele afirmou que a morte do pai
parece não ter fim e lembrou que a Lei da Anistia (1979) perdoou crimes
cometidos durante o período. Segundo o periódico, o livro “é uma resposta para
quem pede pela volta dos militares nas ruas de hoje: ‘vocês não sabem o que é
ditadura’”. (Folha de S. Paulo – Ilustrada – 08/08/15)
quarta-feira, 12 de agosto de 2015
Colunista apontou envolvimento de Kissinger com regimes militares no Cone Sul
Em coluna opinativa
para o jornal O Estado de S. Paulo, o escritor Marcelo Rubens Paiva afirmou que
o governo dos Estados Unidos disponibilizou ao governo brasileiro 538
documentos relacionados ao regime militar no Brasil (1964-1985). Dentre os
documentos, porém, não foram entregues arquivos relacionados a Henry Kissinger,
que na época ocupou cargos como conselheiro de Segurança Nacional e secretário
de Estado dos Estados Unidos. Segundo o colunista, Kissinger apoiou regimes
autoritários da época e impulsionou golpes no Chile, no Uruguai e na Argentina,
além de colaborar com uma rede de “espiões e assassinos” responsáveis pela
morte de líderes democratas. Paiva ressaltou que, por volta do ano de 1976,
quando Jimmy Carter foi eleito para a presidência dos Estados Unidos e passou a
reformular a política externa do país ao pressionar os regimes
latino-americanos que cometiam violações aos direitos humanos, morreram de
forma suspeita diversos políticos brasileiros. Dentre estes, destacou os
ex-presidentes da República Juscelino Kubitschek e João Goulart, além do
político Carlos Lacerda. O colunista destacou ainda as mortes do ex-presidente
boliviano Juan José Torres, do ex-ministro chileno Orlando Letelier, do
ex-presidente da Câmara dos Deputados do Uruguai Héctor Ruiz, do ex-senador
uruguaio Zelmar Michelini e do ex-comandante do exército chileno Carlos Prats.
A respeito da morte de Kubitschek, o colunista lembrou que o ex-presidente
morreu em estrada próxima à Academia Militar das Agulhas Negras, após refeição
no hotel-fazenda do então brigadeiro Newton Villa-Forte – o qual era amigo
próximo do general Golbery do Couto e Silva. O veículo no qual viajava
Kubitschek atravessou um canteiro na estrada e colidiu com outro veículo. Um
motorista que presenciou o acidente afirmou que o motorista do carro que
transportava o ex-presidente, Geraldo Ribeiro, já estava morto antes da
colisão. Segundo o colunista, Ribeiro havia notado, ainda no hotel, que a
suspensão do carro fora alterada. De acordo com Rubens Paiva, testemunhas do
acidente afirmaram que o carro passou por um ônibus da Viação Cometa já com a
roda dianteira e a suspensão quebradas. Em relação à morte de Goulart, o
colunista relatou que o ex-presidente sofria de problemas cardíacos e morreu na
Argentina, apesar de ter sido examinado meses antes para constatar que estava
em boas condições de saúde. Existe a hipótese de que João Goulart tenha sido
envenenado de forma semelhante ao poeta Pablo Neruda, intoxicado durante o
regime militar chileno, cuja morte é atribuída ao agente da Agência Central de
Inteligência estadunidense (CIA) Michael Townley, o qual serviu a diretoria de
inteligência do Chile. Segundo Rubens Paiva, um ex-agente do serviço de
inteligência uruguaio, Mario Neira Barreiro, que seguiu Goulart durante quatro
anos, afirmou que o ex-presidente brasileiro foi vítima de uma operação
financiada pela CIA para que fosse envenenado através dos remédios que tomava
regularmente. Contudo, a informação não foi provada. Por fim, Paiva afirmou que
a morte de Lacerda deu-se por septicemia generalizada e havia a suspeita de que
o político havia se infectado ao cuidar de rosas. Há, porém, a suspeita de que
tenha sido envenenado por potássio. O colunista destacou que Carlos Heitor Cony
e Anna Lee escreveram um livro, intitulado O Beijo da Morte, no qual relatam o
encontro entre Goulart e Lacerda, em 1967, no Uruguai, com procuração de
Kubitschek, no qual discutiram a formação de uma Frente Ampla. Segundo Paiva,
“a vitória do MDB (partido de oposição), o movimento social pela
redemocratização e anistia, pressões da Igreja e de Jimmy Carter eram uma
ameaça ao projeto militar brasileiro. Uma carta encontrada casualmente de 25 de
agosto de 1976 confirma as suspeitas”. Segundo o colunista, na carta
mencionada, o coronel da inteligência chilena Manuel Contreras respondia ao
general brasileiro João Figueiredo que compartilhava a preocupação de que
Kubitschek e Letelier poderiam causar instabilidade nos planos para a região, e
informava que apoiaria o plano “contra certas autoridades”. Ademais, o
colunista afirmou que estava em andamento um plano, revelado pelo jornalista
Richard Gott, para eliminar personalidades que apoiavam a volta da democracia:
“a Operação Condor lembrava a Operação Fênix, programa de assassinatos de
lideranças financiado pela CIA contra aqueles ‘capazes de agrupar o povo numa
campanha de resistência contra militares no poder’”. Segundo Paiva, Kissinger
foi responsabilizado pelas operações e mereceria ser convocado. (O Estado de S.
Paulo – Caderno 2 – 01/08/15)
Conjuntos habitacionais receberam nomes de opositores do regime militar
De acordo com o
jornal O Estado de S. Paulo, dois conjuntos habitacionais do programa
governamental Minha Casa Minha Vida receberam nomes de opositores do regime
militar (1964-1985). Segundo o periódico, a inauguração dos residenciais,
batizados de “Carlos Marighella” e “Carlos Alberto Soares de Freitas”, ocorreu
no dia 31/07/15 em Maricá, na cidade do Rio de Janeiro. Durante a cerimônia de inauguração, a
presidenta da República, Dilma Rousseff, mostrou-se emocionada e afirmou que
"Carlos Alberto foi um irmão que tive durante a minha juventude. Nós
lutamos juntos, nós queríamos um país mais democrático. Um país em que as
pessoas tivessem voz, tivessem vez e, sobretudo, tivessem sua casa
própria". (O Estado de S. Paulo – Política – 01/08/15)
quarta-feira, 29 de julho de 2015
Colunista comentou mudança de nome de ponte na capital federal
Em coluna opinativa
para o jornal Correio Braziliense, Hamilton Pereira, ex-secretário de Cultura
do Distrito Federal, ressaltou a importância de lembrar a parcela da juventude
que se opôs ao regime militar (1964-1985). Pereira destacou a mudança de nome da
Ponte Costa e Silva, em referência a um dos presidentes da República durante o
período, para Ponte Honestino Guimarães, em homenagem ao ex-presidente da União
Nacional dos Estudantes (UNE) preso e morto pelo regime em 1973. Segundo o
colunista, a mudança de nome não representa o esquecimento do General Costa e
Silva, mas sim a lembrança da resistência de parcela da juventude. Pereira
lembrou que a capital federal, Brasília, foi construída sob o impulso de um
“período de interiorização do desenvolvimento” e que a Universidade de Brasília
(UnB), símbolo desse pensamento cosmopolita, foi invadida de forma emblemática
na ocasião da tomada de poder de 1964 e em 1968 com a imposição do Ato
Institucional nº5 (AI-5). Segundo o colunista, ao aprovar o projeto de lei que
permitiu a renomeação da ponte, “Brasília busca cumprir o papel que lhe cabe –
marcar com um símbolo da resistência à ditadura via pública pela qual transitam
cidadãos como prática permanente para perpetuar a memória, alicerce
indispensável para a construção da consciência política necessária à
consolidação da democracia”. Por fim, defendeu a necessidade de pensar
criticamente a história para fortalecer o país. (Correio Braziliense – Opinião
– 18/07/15)
quinta-feira, 23 de julho de 2015
Documentos estadunidenses com relação ao regime militar brasileiro foram disponibilizados no site do Arquivo Nacional
De acordo com o
jornal Folha de S. Paulo, foi liberado pelo governo dos Estados Unidos (EUA) um
lote de 538 documentos que abordam a relação do país com o governo brasileiro
durante o regime militar (1964-1985). Os arquivos foram disponibilizados no
site do Arquivo Nacional após a visita da presidenta da República, Dilma
Rousseff, à Washington, nos EUA, em junho de 2015. Entre os documentos
concedidos pela Defense Intelligence Agency (DIA) foram encontrados relatos
sobre o coronel Arthur Moura, funcionário estadunidense que trabalhou com o governo
brasileiro durante o regime militar auxiliando na repressão no país. Segundo o
periódico, também havia documentos que aludiam ao sequestro do embaixador
estadunidense Charles Elbrick e à morte de Carlos Marighella, ambos no ano de
1969. (Folha de S. Paulo – Poder – 15/07/15)
quarta-feira, 15 de julho de 2015
Estados Unidos recebeu informações privilegiadas sobre desaparecidos políticos do regime militar
Segundo o jornal
Folha de S. Paulo, documentos secretos da década de 70 recentemente liberados
para consulta atestaram que o governo dos Estados Unidos (EUA) recebeu
informações privilegiadas sobre o destino de pelo menos três desaparecidos
políticos durante o regime militar brasileiro (1964-1985). Trata-se do
ex-deputado federal Rubens Paiva e dos militantes de esquerda Stuart Edgard
Angel Jones e Virgílio Gomes da Silva. Os documentos integram um acervo de 538
documentos que tiveram seu sigilo desclassificado parcial ou totalmente pelo
governo do presidente estadunidense Barack Obama em decorrência da viagem da
presidenta da República, Dilma Rousseff, aos EUA. Os papéis foram entregues à
Casa Civil e serão liberados para consulta no site do Arquivo Nacional. De
acordo com o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, é "interessante
ver como os órgãos de segurança do Estado americano tinham conhecimento do
aparato repressivo. Impressiona o conhecimento detalhado que tinham desses
crimes". Sob o comando de Mercadante está uma assessoria da Comissão Nacional
da Verdade encarregada de organizar os documentos inéditos. (Folha de S. Paulo
– Poder – 09/07/15)
quarta-feira, 8 de julho de 2015
Ponte com nome de ex-presidente militar será rebatizada em Brasília
De acordo com o
periódico Correio Braziliense, a Câmara Legislativa do Distrito Federal
aprovou, com 14 votos a favor, o Projeto de Lei nº 130, que renomeará a Ponte
Costa e Silva. Segundo o jornal, o monumento era o único na capital federal,
Brasília, que ainda homenageava protagonistas do regime militar (1964-1985). No
lugar do ex-presidente militar, se homenageará o líder estudantil Honestino
Guimarães, importante opositor do regime e desaparecido desde 1974. De acordo
com o professor de história da Universidade de Brasília (UnB) e coordenador da
Comissão Anísio Teixeira Memória e Verdades, José Otávio Nogueira Guimarães, a
mudança será importante para a democracia atual. Segundo o professor, “as
pessoas que passarem por ali vão se perguntar quem foi Honestino, o que
aconteceu com ele, e isso reforça a necessidade de pensar a democracia e de
aperfeiçoar os direitos humanos”. A Ponte Costa e Silva integrará um conjunto
de monumentos rebatizados. De acordo com o jornal, a partir do processo de
redemocratização, iniciado em 1985, Brasília começou a rebatizar os lugares que
relembravam os militares. Contudo, a mudança de nomenclatura deverá ser sancionada
pelo governador, que, segundo a Assessoria de Comunicação da Secretaria de
Relações Institucionais, aguarda o recebimento da redação final do Projeto de
Lei para se posicionar. (Correio Braziliense – Cidades – 02/07/15)
Cabo Anselmo publicou um livro contando sua versão sobre o que ocorreu durante o regime militar
Segundo o jornal
Folha de S. Paulo, chegou às livrarias do país o livro “Minha Verdade”, de
autoria de José Anselmo dos Santos, conhecido por Cabo Anselmo. Na obra, Santos
relatou a respeito da sua participação na militância de esquerda contra o
regime militar (1964-1985) e sua posterior mudança de lado. Segundo o jornal,
Anselmo foi responsável por delatar ao menos 11 ex-colegas de militância,
incluindo sua então namorada, morta pelos militares. (Folha de S. Paulo –
Ilustrada – 27/06/15)
quinta-feira, 2 de julho de 2015
Ministério Público Federal denunciou assassinato de metalúrgico durante o regime militar
Segundo os jornais
Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo, o Ministério Público Federal
denunciou à Justiça sete ex-agentes e ex-funcionários do Destacamento de
Operações de Informações do Exército (DOI) pelo assassinato do metalúrgico
Manoel Fiel Filho em 1976. Na época, Fiel Filho era vinculado ao Partido
Comunista Brasileiro (PCB) e foi detido e torturado nas dependências da polícia
política do regime militar (1964-1985), meses após o jornalista Vladimir Herzog
ter sido assassinado no mesmo local. Um dia após o crime, órgãos de segurança
emitiram uma nota oficial afirmando que Fiel Filho havia se enforcado em sua
cela usando as próprias meias. O procurador da República e autor da denúncia,
Andrey Borges de Mendonça, solicitou que o militar reformado Audir Santos
Maciel, à época chefe do DOI, o tenente Tamotu Nakao e o delegado Edevarde
José, que teriam comandado as sessões de tortura, sejam condenados por
homicídio triplamente qualificado – com motivo torpe, utilização de tortura e impossibilidade
de defesa. A mesma pena foi solicitada para os carcereiros Alfredo Umeda e
Antonio José Nocete, que teriam conduzido Fiel Filho entre a cela e a sala de
interrogatório. Por fim, os médicos legistas Ernesto Eleutério e José Antônio
de Mello, que teriam elaborado laudos forjados, foram denunciados por falsidade
ideológica. De acordo com o procurador, todos os citados foram chamados pelas
Comissões da Verdade Nacional e Paulista para se pronunciarem. “Em geral eles
têm uma postura de negação”, afirmou Mendonça. O Ministério Público Federal
pediu ainda que, em caso de condenação, os envolvidos percam seus cargos
públicos, com o cancelamento de eventual aposentadoria ou qualquer provento de
reforma remunerada de que disponham. Segundo O Estado, a denúncia foi
encaminhada à 1ª Vara Criminal de São Paulo, que deverá decidir se instaurará o
processo. (Folha de S. Paulo – Poder – 25/06/15; O Estado de S. Paulo –
Política – 25/06/15)
Procuradoria-Geral da República abriu ação contra militar brasileiro acusado de cometer crimes contra a humanidade durante o regime militar argentino
Segundo o periódico O
Estado de S. Paulo, a Procuradoria-Geral da República abriu uma ação contra o
tenente-coronel Antônio Arrechea Andrade, que é procurado, desde 2012, pela
Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) por “violação de domicílio,
privação ilegítima de liberdade, tortura e homicídio”, crimes que infringem os
direitos humanos, cometidos durante o regime militar argentino (1966-1983). A
Procuradoria-Geral solicitou ao Ministério Público Fiscal da Argentina as
provas necessárias para abrir o processo contra o militar, que deverá ser
julgado no Brasil. Tal decisão respaldou-se no artigo 7º do Código Penal, o
qual afirma que “delitos dessa natureza ficam sujeitos à lei brasileira, embora
cometidos no estrangeiro”. De acordo com o periódico, “é a primeira vez que a
Procuradoria-Geral da República abre uma ação, no Brasil, por crime de
lesa-humanidade cometido durante a ditadura de um outro país”. A intenção
inicial da Argentina era a extradição do militar, entretanto, esta foi negada pelo
governo brasileiro, pois, como afirmou o ministro do Supremo Tribunal Federal e
relator do processo, Gilmar Mendes, apesar de ter cidadania argentina e ter
praticado os crimes pelos quais foi acusado fora do território nacional, o
tenente-coronel nasceu no Brasil. Segundo o periódico, essa informação, no
entanto, não foi confirmada pelo Ministério da Justiça. A ação, determinada por
procuradores brasileiros e argentinos, compõe a operação conjunta para
averiguar e condenar crimes de repressão política, habitual em ambos os países
nas décadas de 1970 e 1980 devido aos regimes em vigência na região. (O Estado
de S. Paulo – Política – 22/06/15)
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