De
acordo com o jornal Correio Braziliense, o ex-presidente da União Nacional dos
Estudantes (UNE), Honestino Guimarães foi anistiado post mortem pela Comissão
de Anistia do Ministério da Justiça. O presidente da Comissão e secretário
nacional de Justiça, Paulo Abrão, avaliou que o gesto foi um dos mais
importantes da história da Comissão, pois trata-se de um pedido de desculpas
públicas à família de Guimarães “pela perseguição que ele sofreu em vida e
posteriormente pela responsabilidade do Estado no seu desaparecimento” e a
todos os estudantes perseguidos pelo regime militar (1964-1985). Cristiano
Paixão, um dos coordenadores da Comissão Anísio Teixeira de Memória e Verdade
da Universidade de Brasília (UnB), esclareceu que o ato manifesta uma mudança
na interpretação do conceito de perdão político por não se tratar de reparação
econômica. O sobrinho de Guimarães, Mateus Guimarães, ressaltou que a questão
não tem apenas importância histórica, mas mantém um caráter atual tendo em
vista a “lógica da opressão e repressão” mantida pela polícia nas recentes
manifestações. Segundo o jornal, o reconhecimento público da responsabilidade
do Estado na perseguição de Guimarães, além de não ter tido efeito
indenizatório, não esclareceu as circunstâncias de seu desaparecimento. O
estudante, que viveu cinco anos na clandestinidade entre as cidades de
Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro, desapareceu no dia 10/10/73. Há apenas
indícios de que ele tenha sido levado à Brasília e entregue ao Pelotão de
Investigações Criminais do Exército. O ex-coordenador da Comissão Nacional da
Verdade, Cláudio Fonteles, comentou que as investigações do caso são
excepcionalmente difíceis, pois não foi encontrado nenhum documento relevante
sobre a prisão do estudante no banco de dados do Arquivo Nacional. A cerimônia
de concessão de anistia post mortem se realizou na UnB, no dia 20/09/13. Na
ocasião, também foram homenageados professores, estudantes e funcionários da
universidade perseguidos pelos militares. O Correio ainda esclareceu que a Lei
da Anistia (1979) “permite o perdão para torturados e torturadores, ou seja,
legitima a impunidade dos que agiram em nome do Estado”. Além disso, a Lei n°
9.140, de 4 de dezembro de 1995, “reconhece como mortas pessoas desaparecidas
em razão de participação ou de acusação de envolvimento em atividades políticas
entre 2 de setembro de 1961 e 5 de outubro de 1988”. (Correio Braziliense –
14/09/13)
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quinta-feira, 26 de setembro de 2013
quinta-feira, 6 de junho de 2013
Protesto contra Lobão na Virada Cultural
De acordo com o periódico Folha de S. Paulo,
a nona edição da Virada Cultural de São Paulo foi marcada por protestos.
Durante a apresentação do cantor João Luiz Woerdenbag Filho, conhecido como
Lobão, o artista independente e parte da organização do movimento “Existe Amor
em SP”, Paulinho Fluxus, protestou contra Lobão. Segundo o artista, o ato foi
um protesto contra a declaração feita por Lobão em 2011: “aí tem que ter
anistia pros caras de esquerda que sequestraram o embaixador [dos EUA Charles
Elbrick, sequestrado por grupos de resistência em 1969], e pros caras que
torturavam, arrancavam umas unhazinhas, não [risos]?”. Fluxus considerou a
declaração como uma agressão à memória de seu pai, que foi preso e torturado em
1975. (Folha de S. Paulo – Poder – 19/05/13)
quarta-feira, 8 de maio de 2013
Comissão de Anistia II: recuo nos processos de anistia
Segundo coluna opinativa da jornalista Tereza
Cruvinel no periódico Correio Braziliense,
há um recuo nos processos de anistias políticas no Brasil. De um lado, a
Comissão Nacional da Verdade (CNV) age timidamente, de outro, o governo anula
centenas de processos de anistia e cobra a devolução de indenizações e pensões
recebidas, devidamente atualizadas monetariamente. De acordo com a jornalista, entidades
que congregam anistiados ou vítimas do regime militar (1964-1985) pediram ao
presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Alves, a reativação da Comissão de
acompanhamento da aplicação da lei. Cruvinel apontou que membros da Aeronáutica punidos por se recusarem a participar da
tomada de poder pelos militares em 1964 e anistiados pelo governo de Fernando
Henrique Cardoso (1995-2002), tiveram a reintegração pelos comandos militares
anulada em 2003. Segundo Cruvinel, 495 processos de anistia foram anulados pela
Aeronáutica e pelo Ministério da Justiça e os recursos não avançam no Superior
Tribunal de Justiça (STJ) e no Supremo Tribunal Federal (STF). Os militares com
a anistia anulada possuem atualmente cerca de 70 anos de idade e perderam seus
salários e benefícios, como plano de saúde. (Correio Braziliense – 28/04/13; Correio
Braziliense – Colunas – 02/05/13)
Comissão de Anistia I: tem início processo de anistia dos participantes presos no congresso da UNE de 1968
Segundo o jornal Folha de S. Paulo, o governo
acelerará o processo de anistia política dos líderes estudantis detidos no 30º
Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), na cidade de Ibiúna, estado
de São Paulo, em 1968. Serão anistiados aqueles que deram entrada ao processo
através da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, responsável por julgar
os pedidos de indenização referentes aos perseguidos pelo regime militar
(1964-1985) no Brasil. De acordo com a Folha, a ação se realizará no
aniversário de 45 anos do ocorrido, entre os dias 14 e 16 de junho de 2013 no
congresso da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP) em Ibiúna. O
jornal relembrou que a UNE foi considerada ilegal desde a tomada de poder pelos
militares em 1964, e o referido congresso foi organizado de maneira
clandestina. A descoberta por parte dos militares levou à prisão todos os
presentes no evento, mais de 700 pessoas, que foram levadas às instalações do
Departamento de Ordem Política e Social (Dops) e ao presídio Tiradentes. (Folha
de S. Paulo – Poder – 27/04/13)
terça-feira, 20 de novembro de 2012
Governo oficializa anistia de Marighella
De acordo com os periódicos Correio
Braziliense e Folha de S. Paulo,
o Ministério da Justiça oficializou a anistia post mortem do ex-guerrilheiro Carlos Marighella. Tal
reconhecimento havia sido realizado previamente em dezembro de 2011, com um
pedido de desculpas do Estado brasileiro. Segundo o Correio, no ano de 1996,
a Comissão de Mortos e Desaparecidos responsabilizou a
União pelo assassinato do ex-militante. Para o presidente da Comissão de Anistia,
Paulo Abrão, a anistia concedida a Marighella representa uma “revisão de
injustiça cometida no passado, no que se refere à reparação moral para a
família de uma pessoa histórica como o Marighella” e uma oportunidade para o
Estado brasileiro reparar os erros cometidos no passado. O Correio ainda evidenciou que a conselheira da Comissão da Anistia,
Ana Clara Guedes, afirmou que "o Estado interferiu em sua vida, privando
sua liberdade ao prendê-lo e ao forçá-lo à clandestinidade, e ao retirar o
maior e mais importante bem que temos: a vida". O Correio reportou que Marighella filiou-se ao Partido Comunista
Brasileiro aos 18 anos, foi forte opositor do governo de Getúlio Vargas e do
regime militar. A Folha evidenciou
que, segundo a Comissão da Anistia, Marighella "era considerado pelo Dops
[Departamento de Ordem Política e
Social] um dos maiores teóricos do comunismo brasileiro e um eventual
substituto de Luis Carlos Preste". O ex-militante foi assassinado em uma
emboscada armada por 30 agentes do Dops, liderados por Sérgio Paranhos Fleury,
em novembro de 1969. A
família de Marighella requisitou somente o reconhecimento da perseguição ao
militante, sem a necessidade de reparações financeiras. O Correio ainda afirmou que, de acordo com o Ministério da Justiça,
existem 60 mil pedidos de anistia e que, destes, 50 mil já foram julgados. (Correio
Braziliense -10/11/12; Folha de S. Paulo – Poder – 10/11/12)
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
Documentos do regime militar brasileiro arquivados em Roma serão integrados ao Memorial da Anistia
De
acordo com os jornais Correio Braziliense
e O Estado de S. Paulo, cerca de
70 mil páginas de documentos referentes ao regime militar brasileiro
(1964-1985) serão abertas à consulta pública até outubro de 2013. Os arquivos
estão na cidade de Roma, Itália, e serão digitalizados e integrados ao centro
de documentação do Memorial da Anistia, que está em construção na cidade de
Belo Horizonte, estado de Minas Gerais. Além do material impresso, também serão
recuperados fotografias e vídeos. Tal ação integra o projeto Marcas da Memória,
da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. Para o presidente da Comissão
de Anistia, Paulo Abrão, tais arquivos representam um rico acervo preservado
sobre a época do regime militar e “reforça o papel da resistência no
exterior”. A abertura de tais documentos
está sendo negociada desde 2010 com a instituição italiana Tribunal
Internacional de Opinião Russell 2, uma organização independente que foi criada
na década de 1970 com a finalidade de denunciar violações de diretos humanos na
América Latina. Tal instituição possibilitou que perseguidos políticos
registrassem denúncias e relatassem a situação de direitos humanos no Brasil. Os
arquivos que serão digitalizados também possuem registros sobre o 1º Congresso
Nacional da Comissão Brasileira pela Anistia, realizado em 1978, que antecedeu
a edição da Lei da Anistia, de 1979. (Correio Braziliense – Política – 06/11/12; O
Estado de S. Paulo – Nacional – 06/11/12)
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Ex-guerrilheiro recebeu status de anistiado político durante homenagem pelo centenário de sua morte
Segundo noticiado pelo periódico Folha de S. Paulo, o ex-membro do Partido Comunista Brasileiro (PCB) no governo de Getúlio Vargas e líder da Ação Libertadora Nacional (ALN), Carlos Marighella (1911-1969), que se posicionou contrário ao governo no período do Regime Militar (1964-1985), recebeu da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça o status de anistiado político. A ação ocorreu durante as homenagens pelo centenário de sua morte, em Salvador, no estado da Bahia. Marighella ficou conhecido por sequestrar, junto com uma outra organização considerada guerrilheira, o MR-8, o embaixador americano Charles Elbrick, em 1969, e meses após o ocorrido, foi perseguido, sequestrado e morto por agentes do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS). Segundo o jornal, conselheiros planejam julgar pedidos de anistia de outros resistentes ao regime. As Forças Armadas e o Ministério da Defesa não se posicionaram em relação à decisão. O general reformado Clovis Bandeira, 1º vice-presidente do Clube Militar, criticou a medida ao afirmar que “é mais um ato de glorificação dos terroristas e um desaforo com quem lutou contra tudo isso” (Folha de S. Paulo – Poder – 05/12/11; Folha de S. Paulo – Poder – 06/12/11)
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Câmara aprova anistia para ex-militares da FAB
De acordo com notícia veiculada no jornal Correio Braziliense, a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara Federal de Deputados aprovou no dia 13/07 o reconhecimento da anistia política a 495 ex-militares da Força Aérea Brasileira (FAB). Os mesmos tiveram o benefício anulado em 2004 pelo Ministério da Justiça, visto que o governo alegava que nem todos os integrantes do grupo possuíam a patente de cabo em 1964, quando um movimento contra o golpe militar daquele ano foi realizado por membros da FAB. Antes de ser votada em plenário, tal decisão será enviada à Comissão de Constituição e Justiça. (Correio Braziliense – Notas – 14/07/11)
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Ministro da Justiça pede, em nome do Estado, perdão às vitimas do regime militar brasileiro
De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo do dia 18/03/11, durante o evento que inaugurou a Caravana da Anistia de 2011, José Eduardo Martins Cardozo, ministro da Justiça, declarou em nome do Estado brasileiro e do Ministério da Justiça que o Brasil pede perdão às vítimas das atrocidades cometidas durante o regime militar (1964-1985). Essa foi a primeira ocasião pública em que o governo da presidente da República Dilma Rousseff pediu perdão às vitimas do regime militar. Cardozo asseverou que muito deve ser feito sobre esse tema, e que a Comissão de Anistia possui um papel essencial na avaliação e reparação dos direitos que foram violados, mas declarou que a punição aos torturadores é assunto da alçada do Supremo Tribunal Federal. Sobre a Comissão da Verdade, Cardozo afirmou que não há divergências no governo no que tange à proposta, e frisou que os avessos ao projeto devem publicamente expressar sua opinião e debatê-la, tendo em vista que hoje o Brasil é um país democrático. (O Estado de S. Paulo – Nacional – 19/03/11)
Estudo prevê possibilidade de julgamento de crimes cometidos durante o regime militar brasileiro
O jornal Folha de S. Paulo noticiou que Rodrigo Ayres, estudante do curso de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, analisou no trabalho monográfico "Dos Porões à Corte Interamericana de Direitos Humanos: Desafios da Anistia" a possibilidade de o Brasil ser julgado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos pelos desaparecimentos forçados durante o regime militar (1964-1985). De acordo com Ayres, o julgamento seria possível se os crimes fossem considerados “sequestros”, os quais não são abarcados pela Lei da Anistia, de 1979. O jornal O Estado de S. Paulo publicou que Otavio Bravo, promotor militar e orientador de Rodrigo Ayres, avalia que estes “sumiços” durante o regime militar são crimes em andamento e, portanto, devem ser julgados. Entre os casos, destaca-se o do ex-deputado Rubens Paiva, que foi supostamente sequestrado e torturado no Destacamento de Operações de Informações (DOI) em 1971, e é considerado desaparecido deste então. (Folha de S. Paulo – Poder – 13/03/11; O Estado de S. Paulo – Nacional – 13/03/11)
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