De acordo com o
periódico Correio Brasilienze, o Ministério Público Federal apresentou nova
denúncia contra o coronel reformado, Carlos Alberto Brilhante Ustra, pela
tortura e assassinato do militante do Partido Comunista do Brasil (PCdoB),
Carlos Nicolau Danielli, durante o regime militar (1964-1985). O delegado da
Polícia Civil de São Paulo, Dirceu Gravina, e o servidor público aposentado,
Aparecido Laertes Calandra, subordinados de Ustra no período em que o coronel
comandava o Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de
Defesa Interna (DOI-Codi), também foram denúnciados pela morte de Danielli.
Segundo o jornal, testemunhas afirmaram que “Danielli estava, já no segundo
dia, próximo da morte, com o abdômen inchado, olhar estático, sangrando pelos
ouvidos e pela boca, sem condições de se manter de pé”. De acordo com o
procurador da República responsável pela denúncia, Anderson Vagner Gois, os
crimes denunciados “não são passíveis de prescrição ou anistia, uma vez que
foram cometidos em contexto de ataque sistemático e generalizado à população”,
do qual “o Estado brasileiro tinha pleno conhecimento”, deste modo são
qualificados como crimes contra a humanidade. Segundo o periódico, os acusados
negaram a morte de Danielli e a prática de tortura. (Correio Braziliense –
Política – 28/08/15)
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quinta-feira, 3 de setembro de 2015
segunda-feira, 4 de maio de 2015
Ministra do Supremo Tribunal Federal suspende ação contra Ustra
De acordo com o
periódico O Estado de S. Paulo, Rosa Weber, ministra do Supremo Tribunal
Federal (STF), concedeu, no dia 23/04/15, uma liminar que suspendeu uma ação
penal contra o coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra e tem por base
um pedido da defesa do coronel “para extinguir a punibilidade do réu com base
na Lei da Anistia (1979)”. O coronel foi acusado de ter sequestrado o
ex-fuzileiro naval Edgar de Aquino Duarte e o mantido em cárcere privado
durante o regime militar (1964-1985). De acordo com o periódico, a ministra
afirmou que a questão central da decisão, referente ao entendimento do qual o
sequestro está abrangido ou não pela Lei da Anistia, está sendo discutida em
dois Embargos de Declaração pendentes de julgamento pelo plenário do STF em duas
ações de Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF). O jornal
declarou que a ação suspensa tramita na 9º Vara Criminal da Seção Judiciária de
São Paulo e uma audiência que ocorreria no dia 24/04/15 foi cancelada devido à
suspensão da ministra. (O Estado de S. Paulo – Política – 28/04/15)
segunda-feira, 7 de abril de 2014
Atos e manifestações marcam os 50 anos da tomada de poder de 1964
Segundo os jornais Correio Braziliense, Folha
de S. Paulo e O Estado de S. Paulo, o dia 31/03/14 foi marcado por diversos
atos em referência aos 50 anos da tomada de poder pelos militares. A
Subcomissão da Verdade do Senado afirmou que vai apoiar a campanha da Anistia
Internacional que pede a revisão da Lei da Anistia (1979). O jornalista e
exilado político José Maria Rabelo pediu que o nome do Estádio Punera Bley, na
cidade de Vitória, seja alterado. O nome refere-se ao general responsável pela
destruição da redação do jornal Binômio durante o regime militar (1964-1985). A
Ordem dos Advogados do Brasil, por sua vez, reuniu advogados que foram atuantes
na defesa de perseguidos políticos do regime e realizou o ato “Para não
repetir”, durante o qual o ex-militante das Ligas Camponesas, Joel Câmera,
surpreendeu a plateia ao declarar que “não houve golpe, mas uma revolução”. Na cidade
de São Paulo, manifestantes se reuniram em frente ao prédio que abrigou o
Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa
Interna (DOI-Codi), onde exibiram fotos de presos e desaparecidos políticos e
encenaram um interrogatório semelhante aos que ocorriam durante o regime. Além
disso, os manifestantes pediram a revisão da Lei da Anistia (1979) e entoaram o
hino da Internacional Socialista para recordar os comunistas mortos pelo
regime. Segundo o Correio, no dia 31/03/14 manifestantes do grupo Levante
picharam a residência o coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra no
distrito federal, Brasília. Faixas e fotos de desaparecidos políticos foram
expostas em frente à casa de Ustra e os ativistas encenaram cenas de torturas e
entoaram slogans contra o regime militar. Outros manifestantes realizaram o
mesmo ato na rua em que vive o delegado Aparecido Laertes Calandra, conhecido
como Capitão Ubirajara. No mesmo dia, o ato se repetiu em frente ao Congresso
Nacional. Manifestações também foram realizadas pelo Movimento dos
Trabalhadores Sem-Terra em memória aos camponeses mortos durante o regime. Os
ativistas marcharam até o Supremo Tribunal Federal e cobraram do presidente da
Corte, Joaquim Barbosa, o julgamento dos torturadores. De acordo com Folha, na cidade de São Paulo
houve um protesto de movimentos sociais e sindicais em repúdio à violência
policial e ao projeto de lei antiterrorismo. Manifestantes também saíram às
ruas na cidade do Rio de Janeiro, organizados por centrais sindicais,
movimentos estudantis e partidos de esquerda em uma “descomemoração” aos 50
anos da tomada de poder de 1964. Militares da reserva também se reuniram na
cidade do Rio de Janeiro para comemorar os 50 anos do que chamam de “revolução”
e manifestaram repúdio ao trabalho das comissões da verdade e à cobertura da
impressa relacionada ao cinquentenário. A reunião ocorreu no Clube da
Aeronáutica, um local distante do centro da cidade por causa do “medo de
hostilidade”, segundo os militares. (Correio Braziliense – Política – 01/04/14;
Correio Braziliense – Política – 02/04/14; Folha de S. Paulo – Poder –
02/04/14; O Estado de S. Paulo – Política – 01/04/14)
terça-feira, 25 de março de 2014
Anistia não garante “sossego” a Ustra
Em
coluna opinativa para o jornal Folha de S. Paulo, Luís Francisco Carvalho Filho
argumentou que o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, considerado essencial
para compreender as torturas ocorridas durante o regime militar (1964-1985) na
cidade de São Paulo, não conseguiu “sossego”, apesar dos benefícios adquiridos
pela Lei de Anistia (1979). Um dos fatos que levaram Carvalho Filho a tal
conclusão foi a decisão judicial de 2012 que declarou “ainda haver relação
jurídica entre torturados e torturador”. Tal decisão abre espaço para
esclarecimentos a respeito dos fatos ocorridos no período. (Folha de S. Paulo –
Cotidiano – 15/03/14)
quarta-feira, 19 de junho de 2013
Jornal analisa depoimento de Ustra na Comissão da Verdade
Segundo o jornal
Correio Braziliense, em depoimento para Comissão Nacional da Verdade, em maio
de 2013, o coronel reformado e ex-comandante do Destacamento de Operações de
Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) de São Paulo,
Carlos Alberto Brilhante Ustra, um dos beneficiados pela Lei da Anistia (1979),
declarou estar com a “consciência tranquila” de que todos seus atos foram
realizados dentro da lei. O militar alegou que o regime militar (1964-1985)
teria salvado o Brasil do comunismo, considerando que, caso contrário, o país
possuiria “um regime comunista, um regime como o de Fidel Castro”. Durante a
sessão, Ustra e o vereador de São Paulo Gilberto Natalini trocaram acusações:
Ustra acusou Natalini, que ficou dois meses no DOI-Codi, de terrorista, e foi
acusado pelo vereador de tê-lo torturado. Natalini declarou que Ustra “me
despiu, colocou em pé numa poça d’água, ligou o fio no corpo, chamou uma turma
de torturadores para eu fazer uma sessão de declamação de poesia".
(Correio Braziliense – 11/06/13)
quinta-feira, 6 de junho de 2013
Ustra é alvo de acusações
De
acordo com o jornal Folha de S. Paulo, o coronel reformado Carlos Alberto
Brilhante Ustra é alvo de duas acusações na área cível e três denúncias
criminais. O ex-coronel é acusado de comandar tortura de presos políticos no
período em que foi chefe do Destacamento de Operações de Informações - Centro
de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) do 2º Exército de São Paulo. Em 2008,
Ustra foi primeiro militar a ser declarado pela Justiça como torturador do
regime, em ação civil movida pela família Teles; já em 2012 foi condenado a
pagar reparação financeira a familiares do jornalista Luiz Eduardo da Rocha
Merlino, morto sob tortura. O ex-coronel é alvo de três acusações criminais e é
acusado de ter torturado pessoalmente ex-presos políticos, como o vereador
paulista Gilberto Natalini e o deputado estadual por São Paulo Adriano Diogo.
Conforme levantamentos realizados pelos projetos “Brasil Nunca Mais” e “Direito
à Memória e à Verdade”, 502 pessoas foram torturadas dentro do DOI-Codi sob
comando de Ustra e 47 foram sequestradas ou mortas neste mesmo período. Ustra nega as acusações.
Segundo o jornal Correio Braziliense, do dia 31/05/13, a Comissão Nacional da
Verdade (CNV) disponibilizou na internet informações obtidas nos documentos
produzidos pelo extinto Serviço Nacional de Informações (SNI), de acordo com as
quais é possível confirmar a morte de 51 pessoas nas dependências do DOI-Codi.
Tais informações contradizem as afirmações feitas pelo ex-coronel Ustra, em
depoimento à CNV, no dia 10/05/13. Durante a sessão, Ustra negou que tenha
comandado sessões de torturas, assim como a possibilidade de que tenha havido
mortes nas dependências do DOI-Codi, pois segundo ele as mortes ocorreram
durante situações de combate. De acordo com Claudio Fonteles, membro da CNV,
“os dados mostram que, entre 1970 e 1977, 51 pessoas foram mortas no DOI-Codi
de São Paulo, sob o comando do coronel Brilhante Ustra e de seu sucessor, Audir
Santos Maciel”. (Correio Braziliense – Política – 29/05/13; Folha de S. Paulo –
Poder – 26/05/13)
Sob diferentes perspectivas, artistas revelam tortura durante o regime militar
Em depoimento ao jornal Folha de S. Paulo, a
atriz Bete Mendes contou que aos 18 anos, revoltada com o regime militar
(1964-1985), decidiu entrar para a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares
(VAR-Palmares), quando então foi presa duas vezes e torturada fisicamente na
segunda, em 1970. Em 1985, na condição
de deputada federal, Mendes encontrou o então coronel Carlos Alberto Brilhante
Ustra em viagem ao Uruguai e o denunciou ao presidente da República em
exercício, José Sarney. A atriz afirmou não temer retrocessos, mas chamou
atenção para a existência de movimentos contra a democracia e criticou Ustra
por participar de movimentos nazistas. Segundo ela, “é preciso ser cauteloso em
relação a movimentos que podem ser prejudiciais ao avanço democrático. Mas impedir
jamais, porque a gente legitima a manifestação de todos, de opiniões diversas”.
De acordo com os periódicos Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo, o cantor
Amado Batista, em entrevista a um programa da emissora televisiva Sistema
Brasileiro de Televisão (SBT), afirmou ter sido torturado durante o regime
militar. Segundo a Folha, Batista considerou que a repressão, naquele contexto,
foi necessária para evitar a implantação de um regime socialista, mencionou ter
sido procurado pela Comissão Nacional da Verdade e afirmou que recebe uma
indenização do governo federal. Para O Estado, o cantor destacou que foi
torturado porque trabalhava em uma livraria e permitia que livros proibidos
fossem lidos. Além disso, afirmou que não acionará a Comissão para buscar seu
torturador, pois em suas palavras "fiz coisas erradas, eles me corrigiram,
assim como uma mãe que corrige um filho. Acho que eu estava errado por estar
contra o governo e ter acobertado pessoas que queriam tomar o país à força. Fui
torturado, mas mereci." (Folha de S. Paulo – Poder – 26/05/13; Folha de S.
Paulo – Poder – 28/05/13; O Estado de S. Paulo – Política – 28/05/13)
Militares seguem o exemplo de Ustra e pedem por direito ao silêncio
Segundo
o jornal O Estado de S. Paulo, o general Valmir Fonseca Azevedo e o coronel
Carlos Sérgio Mala Mondaine recorreram à Justiça Federal para obterem o direito
de permanecer em silêncio durante seus depoimentos à Comissão Nacional da
Verdade (CNV). Assim, seguindo o exemplo do coronel reformado Carlos Alberto
Brilhante Ustra, ambos obtiveram o habeas corpus que lhes garante tal direito.
(O Estado de S. Paulo – Política – 25/05/13)
segunda-feira, 27 de maio de 2013
Comissão Nacional da Verdade I: Ustra presta depoimento em audiência pública
De acordo com os jornais
Correio Braziliense e O Estado de S. Paulo, no dia 10/05/13,
em depoimento à Comissão Nacional da Verdade (CNV), o coronel reformado Carlos
Alberto Brilhante Ustra alegou ser inocente e acusou a presidenta da República,
Dilma Rousseff, de ter se envolvido em organizações terroristas durante o
regime militar (1964-1985). Segundo o Correio,
Ustra foi responsabilizado por aproximadamente 50 homicídios ocorridos nas
dependências do antigo Destacamento de Operações de Informações -
Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) do Exército em São Paulo. Entretanto, devido a Lei da Anistia (1979), Ustra
não pode ser punido por estes homicídios. Apesar de possuir o direito de ficar
em silêncio, o coronel alegou ser inocente e afirmou que apenas obedecia a
ordens superiores. Segundo o jornal Folha
de S. Paulo, Ustra garantiu nunca ter cometido assassinatos ou
ocultado cadáveres e disse que nunca ocorreram estupros nas dependências do DOI-Codi de São Paulo, tendo sempre
agido de acordo com a lei. Na versão do coronel reformado, as mortes só
ocorreram em confrontos armados entre militantes e militares. Após se defender, afirmou que o papel dos militares
na época era evitar que o Brasil se transformasse em um país comunista,
destacando que tal objetivo encontrava-se escrito nos programas das
organizações de oposição e que, se o regime militar não tivesse tomado as
atitudes que tomou, não haveria democracia no país. Entretanto, quando lhe foi sugerido que fizesse uma acareação com
Gilberto Natalini, vereador da cidade de São Paulo, que afirma ter sido
torturado pessoalmente pelo coronel, Ustra reagiu fortemente gritando que não
faria uma acareação com ex-terrorista. Os ânimos se exaltaram e a discussão
levou ao fim da audiência pública. De acordo com O Estado, o depoimento de Ustra à CNV acentuou uma questão central
referente ao trabalho do grupo: como definir o regime militar. O coronel
reformado referiu-se ao período de acordo com a lógica da Guerra Fria,
envolvida na disputa bipolar entre capitalismo e comunismo. Dessa forma, seria
justificável a repressão contra os grupos armados de oposição, considerados
terroristas pelos militares no poder. Segundo Ustra, era uma luta dos
“defensores da liberdade”, representados pelos militares, contra os
terroristas, membros da oposição. O jornal lembrou que um dos objetivos da CNV é
justamente desmontar tal argumentação, mostrando que a existência de grupos armados
opositores foi utilizada como pretexto para instalar um estado de terror no
país. O Estado também informou
que ex-presos políticos, familiares de desaparecidos e organizações de direitos
humanos ficaram insatisfeitos com o desempenho dos membros da CNV durante o
depoimento público do coronel Ustra. Para eles, a Comissão teria deixado Ustra
transformar sua fala em discurso político, em defesa do período autoritário. O
ex-deputado Aldo Arantes, da direção nacional do Partido Comunista do Brasil, declarou
que “a comissão deveria ter se preparado melhor, organizado as regras, para
impedir que um facínora transformasse aquilo num palanque, agredindo a
presidente da República da forma como fez". Segundo O Estado, o presidente da Comissão Estadual da Verdade de São Paulo,
deputado Adriano Diogo, também criticou a CNV: "as pessoas selecionadas
não estavam preparadas. Ele [Ustra] chamou a presidente de terrorista e eles
não reagiram, não defenderam a legalidade". Ainda sobre o assunto, o jornal O
Estado de S. Paulo informou que a ex-deputada Bete Mendes, conhecida atriz
e militante política, acusou, em 1985, o coronel Ustra de tê-la torturado. A
denúncia foi enviada por carta ao então presidente da República, José Sarney. O
governo chegou a anunciar o afastamento do coronel, contudo, devido a não
aceitação por parte dos militares, a situação permaneceu como estava. Sarney alegou
que a Lei da Anistia (1979) era ampla e não permitia uma “caça as bruxas”. (Correio
Braziliense – 11/05/13; Folha de S. Paulo – Poder – 11/05/13; O Estado de S. Paulo – Política – 11/05/13; O
Estado de S. Paulo – Política – 14/05/13)
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